A bactéria Neisseria meningitidis, transportada na nasofaringe humana de forma assintomática (cerca de 10% da população), continua sendo a principal causa de meningite e sepse rapidamente fatal, geralmente em indivíduos saudáveis.
A epidemiologia da doença meningocócica invasiva (DMI) varia de acordo com a geografia e ao longo do tempo. Tem se observado que a mudança rápida da dinâmica de transmissão vem impactando a incidência dos grupos capsulares que causam DMI.1

Uma revisão recentemente publicada aponta o aparecimento de sorogrupos como W, X e Y causadores de doença invasiva, além de N. meningitidis não agrupável pertencente ao complexo clonal hipervirulento 11, com casos e surtos de uretrite sexualmente transmissível.1 
Na Inglaterra, isolados de casos de DMI, no período de julho de 2010 a agosto de 2019, foram submetidos a sequenciamento do genoma completo e teste de sensibilidade a antibióticos como parte da vigilância de rotina.

Os dados evidenciam um aumento de cepas resistentes a penicilina – foram identificados 25 de 879 (2,8%) isolados do sorogrupo W pertencentes a cepa hipervirulenta cc11 resistente a penicilina, além de 156 isolados (17,4%) suscetíveis a penicilina, porém necessitando de um aumento da exposição (dosagem) para o sucesso terapêutico.2

“Desde 2020, a vacina meningocócica ACWY (conjugada) está disponível no SUS para adolescentes de 11 e 12 anos de idade.”3

A incorporação de ACWY ao calendário de PNI considera a epidemiologia da doença meningocócica e o papel dos adolescentes como principais portadores do meningococo.3

No entanto, estima-se que a cobertura vacinal de ACWY para adolescentes foi de aproximadamente 20% em 2020, um número muito aquém da meta de 80% estabelecida pelo Ministério da Saúde.4

Fatores que contribuem para aumento de risco de doenças preveníveis por vacinação entre adolescentes:5

• Comportamentos sociais envolvendo contato próximo
• Vacinações perdidas na infância
• Diminuição da resposta imune a vacinas administradas na infância

Possíveis razões para baixas coberturas vacinais entre adolescentes:5

• Falta de conhecimento e comunicação deficiente entre profissionais de saúde, pais e adolescentes
• Falta de acesso à Atenção Primária à Saúde
• Oportunidades perdidas de vacinação
• Barreiras estruturais no sistema de saúde

Estratégias de sucesso para aumento de cobertura vacinal entre adolescentes:5

• Manutenção de políticas públicas em prol da vacinação
• Uso de motivadores para vacinação
• Comunicação dos benefícios da vacinação ao público leigo
• Uso de mensagens diferenciadas por faixa etária
• Apresentação de informações em linguagem adequada aos jovens
• Envolvimento de partes interessadas, incluindo profissionais de saúde