• 40% das vítimas são crianças menores de 15 anos;1
  • Os cães são responsáveis por 99% dos casos de raiva humana em todo o mundo;1
  • Aproximadamente 80% dos casos humanos ocorrem em áreas rurais;1
  • Ocorre 1 morte a cada 9 minutos no mundo;2
  • 100% prevenível pelo uso da vacina;2
  • Os morcegos têm sido a principal fonte de mortes por raiva humana 7 em 10 casos nas Américas.3
A raiva é uma antropozoonose transmitida para humanos pela inoculação do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado, principalmente pela mordedura e lambedura, ou arranhadura no caso de gatos.4 Caracteriza-se como encefalite progressiva aguda que apresenta aproximadamente 100% de letalidade.4 Apesar de ser uma doença antiga, ela ainda se faz presente em muitas regiões e países, o que justifica as medidas de prevenção, principalmente, considerando-se os fatores de risco, de acordo com as atividades profissionais desenvolvidas. A raiva é uma doença viral prevenível por vacina. Ela ocorre em mais de 150 países. É uma das doenças negligenciadas mais temidas pela humanidade, considerando-se sua letalidade.5 Afeta predominantemente as populações vulneráveis que vivem em regiões endêmicas. Aproximadamente 80% dos casos humanos ocorrem em áreas rurais.1

Os cães são as principais fontes de infecção por raiva humana, contribuindo com até 99% das transmissões. A infecção causa dezenas de milhares de mortes todos os anos, principalmente na Ásia e na África, sendo que 40% das pessoas agredidas por animais suspeitos de raiva são crianças e jovens com menos de 15 anos de idade.1 Salienta-se ainda, a possibilidade da transmissão para humanos pela participação de outras espécies animais, já que todos os mamíferos são suscetíveis à doença, incluindo-se morcegos de diferentes hábitos alimentares, e não somente os hematófagos.4 A raiva pode ser prevenida com maior conscientização e educação da população, com vacinação preventiva e mitigação da doença em animais.6 Dessa forma, a participação do médico-veterinário no controle dessa zoonose é essencial, considerando-se os aspectos de profilaxia da doença, tanto nos animais de companhia, como os cães e gatos, como nos de interesse econômico, principalmente bovinos e equinos.4

Considera-se que a cadeia epidemiológica da doença apresenta quatro ciclos de transmissão: urbano, rural, silvestre aéreo e silvestre terrestre,4 (figura 1) que se entrelaçam, configurando a cadeia epidemiológica de transmissão da raiva. 

Devido ao ciclo de transmissão da doença, a profilaxia pré-exposição da raiva humana pode ser benéfica em:4,7
  • Comunidades remotas onde o acesso à profilaxia pós-exposição e à imunoglobulina antirrábica é frequentemente atrasado ou inexistente;
  • Situações em que o risco de exposição é alto e pode não ser reconhecido. Por exemplo, em crianças pequenas ou pessoas com exposição ocupacional, como médicos-veterinários e seus auxiliares ou outros profissionais que desenvolvem atividades com animais, incluindo-se aquelas com animais silvestres, espeleólogos que exploram grutas e cavernas, locais habitados por morcegos;
  • Locais onde o controle da raiva no reservatório animal é difícil e o risco de exposição humana é alto, como na bacia amazônica, em que a raiva em morcegos (hematófagos, frugívoros ou insetívoros) é endêmica.
No Peru, a profilaxia pré-exposição foi administrada em 286 localidades na região do rio Amazonas em 2011. O programa foi bem-sucedido na prevenção de mortes de crianças por raiva transmitida por morcegos em áreas de alto risco, o que demonstra o valor da profilaxia pré-exposição realizada em locais onde o controle de doenças no reservatório animal é um desafio.7 Indiscutivelmente, o esquema pré-exposição à raiva tem um efeito positivo em sua prevenção, considerando-se a excelente imunogenicidade do vírus rábico, e sua habilidade na produção de elevados títulos de anticorpos soroneutralizantes.7 

Vacinação em dia protege o profissional 

Diante das diversas situações de exposição aos riscos biológicos, os profissionais de Medicina Veterinária, incluindo-se seus auxiliares, principalmente clínicos e trabalhadores da vigilância epidemiológica e da vigilância sanitária, além dos profissionais que exercem atividades em laboratórios de diagnóstico de raiva ou de pesquisa com esse vírus, devem tomar alguns cuidados para evitar acidentes e preservar a saúde.8

Muitos não levam em conta os riscos de transmissão no dia a dia e não se imunizam corretamente, às vezes por falta de acesso às vacinas ou por falta de informação ou por negligenciarem o problema.8

Tendo em vista o risco biológico, pela possibilidade de exposição a toxinas e patógenos durante as atividades laborais, o médico-veterinário deve seguir os protocolos de vacinação de prevenção que incluem as vacinas antitetânica e antirrábica.8 Salienta-se ainda que o médico-veterinário, como responsável técnico, deve assegurar os aspectos sanitários do estabelecimento, com especial atenção para o programa de imunização e fornecimento de equipamentos de proteção individual e coletiva para os funcionários, de acordo com as atividades realizadas.9 São importantes também as orientações e treinamento para essas pessoas, conscientizando-as sobre os potenciais riscos de transmissão no desenvolvimento das atividades profissionais.9
 
A vacina é indicada para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva.4,7,8 (Figura 2)

Vacina antirrábica (inativada) 

A vacina antirrábica inativada, cultivada em células vero, é indicada para a profilaxia da raiva humana, sendo administrada em indivíduos expostos ao vírus rábico, em decorrência de mordedura, lambedura de mucosa ou arranhadura, provocada por animais transmissores, ou como profilaxia em pessoas que, por força de suas atividades ocupacionais, estão permanentemente expostas ao risco de infecção pelo vírus, e para aquelas que vivem em áreas endêmicas. A vacina contra raiva humana é composta de vírus inativados cultivados em células vero, e não há relatos de eventos adversos graves. Por se tratar de uma doença praticamente 100% letal, não há contraindicação para sua aplicação.4,10

A vacina pode ser administrada para pessoas de todas as idades. A profilaxia de pré-exposição à raiva é segura e imunogênica e pode ser administrada concomitantemente com outras vacinas inclusive infantis.7

Profilaxia pré-exposição 

As vantagens da profilaxia pré-exposição são:7 
  • Simplificar a terapia pós-exposição, já que elimina a necessidade de imunização passiva com soro antirrábico e diminui o número de doses da vacina se ocorrer algum evento indesejável;
  • Desencadear resposta imune secundária mais rápida (booster), pela resposta anamnéstica, quando a pós-exposição for iniciada.
A vacina é indicada para pessoas com risco de exposição permanente ao vírus da raiva, durante atividades ocupacionais, como:4
  • Médicos-veterinários, assistentes de veterinários e outros profissionais que atuem constantemente sob risco de exposição ao vírus rábico (zootecnistas, agrônomos, biólogos, funcionários de zoológicos/parques ambientais, espeleólogos; funcionários de pet shops e clínicas veterinárias; tratadores de animais);
  • Estudantes de Medicina Veterinária, estudantes que atuem em captura e manejo de mamíferos silvestres potencialmente transmissores da raiva, profissionais e auxiliares de laboratórios de virologia e anatomopatologia para a raiva, além de profissionais que atuem na captura de quirópteros;
  • Profissionais que atuem na captura, contenção, manejo, coleta de amostras e vacinação de cães, em área endêmica para raiva canina com registro de casos nos últimos cinco anos;
  • Populações de áreas com alto índice de contaminação, como as ribeirinhas da região Amazônica, além de outras pessoas (especialmente crianças) que vivam ou viajem para áreas de alto risco.

Esquema


Três doses.4
Dias de aplicação: 0, 7 e 28.4
Vias de administração: IM ou ID.11

Controle sorológico (titulação de anticorpos)

  • A partir do 14º dia após a última dose do esquema.4
  • São considerados satisfatórios títulos de anticorpos >0,5 UI/mL. Em caso de título insatisfatório, isto é, <0,5 UI/mL, aplicar uma nova dose de reforço, também pela via intramuscular, e reavaliar a partir do 14º dia após a aplicação.4
  • Profissionais que realizem pré-exposição devem repetir a titulação de anticorpos com periodicidade de acordo com o risco a que estão expostos.4
  • Profissionais em situação de alto risco, como os que atuam em laboratórios de virologia e anatomopatologia para raiva, e os que trabalham com a captura de morcegos, devem realizar a titulação a cada seis meses.4
  • Não está indicada a repetição da sorologia para profissionais que trabalhem em situação de baixo risco, como, por exemplo, veterinários que trabalhem em área de raiva controlada.4
  • O controle sorológico é exigência indispensável para a correta avaliação do esquema de pré-exposição.4
  • A dose de reforço deve ser administrada de acordo com o risco de exposição do indivíduo.4
A prevenção é essencial para médicos-veterinários, profissionais que trabalhem em estabelecimentos veterinários e pessoas que estejam em contato direto com animais que podem ser reservatórios do vírus.

Se você faz parte desse grupo, PREVINA-SE! 

Procure a sala de vacina ou a vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de sua cidade. A vacina é gratuita e é para você. 

A raiva humana é prevenível!

Profilaxia pós-exposição 

Na vigilância da raiva, os dados epidemiológicos são essenciais tanto para os profissionais de saúde, a fim de que seja tomada a decisão de profilaxia de pós-exposição em tempo oportuno, como para os médicos-veterinários, que devem adotar medidas de bloqueio de foco e controle animal. Assim, a integração entre assistência médica e as vigilâncias epidemiológica/ambiental é imprescindível para o controle dessa zoonose.6

A profilaxia da raiva humana deve ser iniciada logo após a exposição ou acidente:4
  • É imprescindível a limpeza imediata do ferimento, com água corrente abundante e sabão, ou outro detergente, pois isso diminui, comprovadamente, o risco de infecção, por eliminar grande quantidade de partículas virais no local.
  • A limpeza deve ser cuidadosa para eliminar as sujidades sem agravar o ferimento. Em seguida, devem ser utilizados antissépticos que inativem o vírus da raiva (como o povidine, gluconato de clorexidina ou álcool-iodado).
  • Observe o animal agressor, quando possível, durante 10 dias após a exposição, sendo esse o período de estado da raiva. O período de incubação é mais longo, em média de 30 a 90 dias. Dessa forma, a indicação do esquema pós-exposição deve ser o mais precoce possível, para se evitar casos fatais. TODOS os acidentes com morcegos e outros animais silvestres, mesmo se domiciliados, são considerados acidentes graves.
  • É essencial procurar a Unidade Básica de Saúde mais próxima no caso de acidentes, leves ou graves por animais com suspeita de raiva. O esquema profilático com a vacina e, se necessário, o soro antirrábico deve ser iniciado o mais rapidamente possível, como comentado anteriormente.
  • Quando há indicação do tratamento completo, devem ser aplicadas quatro doses de vacina antirrábica (aplicação nos dias 0, 3, 7, 14* ou 28*).
Foi elaborado um plano estratégico global pela WHO (World Health Organization), para que não haja nenhuma morte em decorrência de raiva humana causada por cães, a partir de 2030.2,6
NÃO NEGLIGENCIE: a raiva é prevenível por vacinas, de forma segura, e com resposta imune, sólida e protetora.1,4