Foi apresentado um caso clínico de um paciente de 58 anos de idade com queixa de mialgia de moderada intensidade em membros inferiores, que limita a prática de atividade física de rotina. Os sintomas se iniciaram com o uso de atorvastatina 80 mg e persistiram mesmo após a diminuição da dose para 20 mg/dia. 

O paciente apresentava hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2 e dislipidemia mista diagnosticadas há 6 anos e utilizava metformina 1.500 mg/dia, empagliflozina 25 mg/dia, semaglutida 0,5 mg/semana, pioglitazona 15 mg/dia, valsartana 160 mg/dia, anlodipino 5 mg/dia e atorvastatina 80 mg/dia.
  
Apesar do tratamento anterior estar de acordo com as recomendações,1-3 o paciente apresentava eventos adversos e não aderia à medicação hipolipemiante.

Como apresentava 191 mg/dL de colesterol total e 112 mg/dL de LDL-c, optou-se por trocar a medicação por rosuvastatina 40 mg + ezetmiba 10 mg. Depois de três meses, apresentava 122 mg/dL de colesterol total e 60 mg/dL de LDL-c, com adesão efetiva ao tratamento.

A médica explicou que indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 e múltiplos fatores de risco apresentam risco cardiovascular alto ou muito alto, sendo os candidatos ideais para uma estatina de alta potência como a rosuvastatina.1 Apesar de previsto nas diretrizes,1-3 o uso de doses otimizadas de estatina na busca de metas mais rigorosas de LDL-colesterol nem sempre é possível na prática clínica diária. O racional para o uso de terapia combinada é o de sinergismo, maximizando a eficácia e minimizando o risco de interações medicamentosas e efeitos colaterais.2   

O uso da combinação fixa de rosuvastatina 40 mg + ezetimiba 10 mg para pacientes com risco cardiovascular elevado, como aqueles com diagnóstico de DM tipo 2, é previsto nas diretrizes e pode melhorar a adesão ao tratamento e reduzir o risco de eventos cardiovasculares futuros.1-3