Experimentos in vivo recentes e estudos in vitro demonstraram que a absorção intestinal de vitamina D não é exclusivamente um processo de difusão simples (que acontece geralmente quando há concentrações farmacológicas de vitamina D), e sim um mecanismo que envolve transportadores de membrana quando há baixas concentrações.1,2 A absorção de vitamina D pela membrana apical dos enterócitos se dá por meio de Scavenger Receptor Class B type I (SR-BI), CD36 (Cluster Determinant 36) e NPC1L1 (Niemann-Pick C1-like 1 carrier).2,3 Embora NPC1L1 seja o principal transportador de colesterol, não parece ter papel fundamental na absorção de vitamina D em estudos que usaram roedores vivos ou em um ensaio clínico em que a ezetimiba foi administrada em adultos saudáveis.1 

Estudos que usaram compostos marcados radioativamente indicam que a eficiência de absorção da vitamina D3 varia entre 55% e 99% (média de 78%) em humanos saudáveis.3 O colecalciferol é a forma preferencial e mais amplamente disponível para uso clínico cujo objetivo seja normalizar os níveis de vitamina D.1 É rapidamente absorvido após a ingestão oral, com níveis plasmáticos máximos detectados em torno de 24 horas após a administração.1 Os níveis de 25(OH)D aumentam de forma gradual, com pico em aproximadamente 7 a 14 dias, dependendo da dose de vitamina D administrada.1 A absorção melhora quando a vitamina D é administrada com alimentos que contêm gordura e é prejudicada quando há má absorção intestinal de gordura (como nos casos de cirurgia bariátrica) ou uso de orlistate.1,2 Isso ocorre porque, em geral, os lipídios são o meio de distribuição da vitamina D.2  Os lipídios estimulam a secreção de suco biliar, resultando na formação de micelas que medeiam os nutrientes lipofílicos para fora dos enterócitos, evitando o acúmulo de vitamina D nos enterócitos, aumentando, assim, a absorção de vitamina D no trato gastrointestinal.2 Com a má absorção de gordura ou o uso de medicamentos que reduzem a absorção de triglicerídeos, pode-se presumir que a redução de gordura irá interferir na biodisponibilidade da vitamina D, levando à redução de sua absorção.2 Nem o envelhecimento nem a obesidade, no entanto, alteram a absorção de vitamina D.1,2 

Existem desafios na adesão do paciente ao tratamento de longo prazo, pois entre 10% e 40% da população adulta apresenta dificuldade de engolir comprimidos sólidos mesmo sem sofrer de disfagia patológica.4 Questões como boca seca, declínio cognitivo, dificuldades neurológicas e motoras para engolir podem diminuir a adesão ao tratamento.4

Se o problema da deglutição se relacionar apenas ao tamanho das pílulas ou das cápsulas, existem novas opções para contornar essas limitações.5 Os grânulos dispersíveis, ou que se desintegram oralmente, e as formas liofilizadas, ambos projetados para dissolver-se na presença de saliva, de água ou de outros líquidos, também podem ser considerados no caso desses pacientes.5 

As cápsulas de gel são veículos adequados para princípios ativos lipofílicos, o que resulta na maior biodisponibilidade dessas moléculas nos tecidos e na corrente sanguínea, porque são mais facilmente absorvidas.6,7 Por outro lado, a formulação orodispersível é a única do mercado brasileiro que se dissolve no período de 5 a 30 segundos após o contato com a mucosa bucal, sem necessidade de água nem de mastigação,6,7 sendo uma opção inovadora, simples e fácil para seu paciente.