Maria de Fátima Nunes, ou apenas dona Fátima, é uma mulher de 63 anos que convive com CEC de pele (Carcinoma Espinocelular) há pelo menos 10 anos. Ela contou como tem sido sua luta contra esse tumor.

Atualmente morando em Goiás, sua trajetória começou em uma viagem a Belém do Pará, quando sentiu um caroço em uma cicatriz, como uma espinha, em dezembro de 2011. Um mês depois, o caroço estava maior e tinha uma “casquinha”. "Estava vermelho ao redor, tipo uma ferroada de um mosquito, pensava até que era alergia à picada. Então, fui ao médico e ele passou uma pomada”, contou.

Depois de um tempo o caroço começou a exalar um mau cheiro, o que prejudicou bastante a qualidade de vida de dona Fátima. "Estava muito chateada porque o odor ruim aumentava a cada dia", lamenta. Em junho de 2012, ela foi a uma dermatologista em Brasília, onde fez uma biópsia, mas ainda não teve o diagnóstico. Depois, foi a um hospital universitário da cidade para fazer diversos exames, que também não apontaram o diagnóstico.

"Quando chegou agosto, comecei a sentir coceira, mas não era na pele, era lá dentro. Eu tinha que apertar para coçar. Com isso, em dezembro daquele ano, a 'espinha' já estava aberta e virou uma ferida. Aí, começou mais uma caminhada para médicos e o mau cheiro voltou com tudo", relatou.

Segundo ela, essa jornada de ser atendida por diversos especialistas durou até 2018. Ao todo, dona Fátima realizou 16 biópsias, que nunca acusaram nada. E, nesse processo, ela passou a sentir dor. "Era tanta dor que eu não dormia nem comia direito. Isso durou 4 anos e parecia que a cada dia a dor aumentava mais. Sofri muito porque não me adaptei a nenhum desses remédios para dor. Era o que me dava mais agonia", afirma.

Depois desse tempo, apareceu um caroço na região da virilha. Finalmente, ela foi examinada por um médico que suspeitou de um tumor e a biópsia confirmou: carcinoma espinocelular de pele. "Quando saiu o resultado, dei graças a Deus porque pelo menos agora sabia o que eu tinha", conta.

Mesmo passando por quimioterapia e radioterapia, a dor não cessava. A dor só parou quando ela foi amputada. O final do tratamento de dona Fátima não foi a melhor opção que um paciente portador dessa doença gostaria de ter. A qualidade de vida de um paciente antes, durante e após o tratamento oncológico é essencial. Para isso, a medicina procura trazer novas opções terapêuticas com menor impacto negativo na vida social do paciente.