A dermatite atópica (DA), ou eczema atópico, é a doença inflamatória crônica da pele mais prevalente em todo o mundo. Estima-se que de 20% a 30% das crianças e de 7% a 10% dos adultos sejam afetados.1-3 No Brasil, a incidência na população pediátrica varia de 17,2% a 23,2%, em diferentes faixas etárias.4 Em crianças e adolescentes, os dados mais recentes da prevalência da DA4 estão apresentados na figura 1.


Nas últimas décadas, sua incidência vem crescendo, especialmente nos países industrializados, o que se torna motivo de preocupação em termos de saúde pública global.5 Essa doença evolui em ciclos de exacerbações, tem caráter alérgico e hereditário e ocorre com frequência em famílias com histórico de outras doenças, as chamadas doenças inflamatórias tipo 2, como asma, rinite alérgica e conjuntivite alérgica.3,6


A prevalência de eczema atópico no estudo ISAAC por diagnóstico médico mostrou aumento anual de 0,08% entre 2003 e 2012.7 A prevalência de DA está aumentando no Brasil, e a razão disso ainda não está clara.7,8 Alguns estudos sugerem que fatores ambientais influenciam o aumento da prevalência de DA.7-9


Podem também estar associados: migração do meio rural para o urbano, poluição ambiental, dieta e aumento do uso de antibióticos, entre outros.7-9


O diagnóstico de DA é clínico, com base na história, na morfologia e na distribuição das lesões cutâneas. O prurido e as lesões eczematosas crônicas ou recorrentes com morfologia e distribuição típicas em pacientes com história de atopia são essenciais para o diagnóstico.10


A DA tem grande impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos, afetando o aspecto físico, o psicológico, o psicossocial e o ocupacional.9,11 Os pacientes acometidos têm seu estilo de vida e suas atividades cotidianas prejudicados pela doença, e muitos deles evitam interações sociais por causa da aparência.9,11 Os pacientes com DA leve reportam tais impactos, porém, em casos de DA moderada ou grave, esses efeitos prejudiciais são ainda mais importantes e afetam fortemente a satisfação com a vida.5,11


Os pacientes com DA compartilham as características de xerodermia e limiar diminuído para prurido.6 O eczema ocorre de maneira cíclica durante a infância e pode prolongar-se até a fase adulta.6,11 Em alguns pacientes, o prurido é constante e incontrolável, constituindo um dos fatores responsáveis pela diminuição da qualidade de vida.6,11 A doença interfere também na qualidade de vida da família.11

A DA afeta crianças e adolescentes de várias maneiras diferentes. O padrão de sono é particularmente afetado, com a ocorrência de sono agitado e sonolência diurna. O tratamento da DA e o impacto desse tratamento sobre o prurido levam à melhora do sono nesses pacientes.12


Um estudo que avaliou 2.002 pacientes, entre crianças e adolescentes, observou que 86% deles evitam pelo menos um tipo de atividade diária nas exacerbações, e que essas também afetam seu desempenho na escola ou trabalho. Em média, 2,5 dias de escola ou trabalho por ano são perdidos por causa da doença e outros 9% do tempo e da concentração dos pacientes são afetados pelas exacerbações. Nos casos mais graves, o absenteísmo chega a 5,3 dias por ano e o efeito na concentração atinge 15%, em média.13 Além disso, a DA leva a um aumento significativo dos problemas de saúde mental e a ideação suicida.12


Os escores clínicos de sintomas e medicação são utilizados na psoríase, urticária e outras doenças inflamatórias alérgicas, como rinite alérgica e asma. Atualmente, estão disponíveis instrumentos de avaliação de gravidade da DA em consultas médicas e pesquisas clínicas.14 Isso inclui o índice de pontuação de dermatite atópica (SCORAD), o índice de área e gravidade do eczema (EASI) e o índice de avaliação global do investigador (IGA).14-17 O índice SCORAD considera a extensão da doença, a gravidade da lesão e a presença de sintomas subjetivos, como prurido e perda de sono,15 sendo muito utilizado na prática clínica.5


Por outro lado, embora medidas de desfecho referidas pelo paciente (patient-reported outcomes measures, PROMs) estejam disponíveis, inclusive a Escala de Avaliação Numérica de Pico de Prurido (Peak Pruritus NRS), a Medida de Eczema Orientada ao Paciente (POEM), de sintomas gerais de DA, e o Índice de Qualidade de Vida em Dermatologia (DLQI), de HRQoL, nenhuma delas serve para capturar o conceito multidimensional de controle da doença percebido pelo paciente ou é adaptada para uso na prática clínica de rotina.14 Esses diferentes escores não são completos e nenhum dos até então existentes avalia o controle da doença como é mostrado na figura 2.

Isso motivou o desenvolvimento de um instrumento que avalia de maneira holística o controle de DA, como é percebido pelo paciente.11

 

Conheça o ADCT – Atopic Dermatitis Control Tool

 

As medidas de desfecho referidas pelo paciente (PROMs) desenvolvidas até o momento

não permitem uma maneira abrangente, padronizada e rápida de coletar dados sobre

o controle de DA.14

 

O Atopic Dermatitis Control Tool (ADCT) é um novo instrumento projetado para avaliar o controle da doença percebido pelo paciente e para promover a comunicação mais efetiva médico-paciente sobre o controle e evolução da doença.14 O desenvolvimento e a validação do ADCT seguiram a orientação da Food and Drug Administration (FDA), Department of Health and Human Services, e foram conduzidos em três estágios de pesquisa:

 

1) Revisão de literatura direcionada e entrevistas com especialistas clínicos;

2) Elicitação de conceitos e entrevistas de avaliação cognitiva com pacientes com DA;

3) Pontuação e validação do estudo piloto ADCT.14

 

O ADCT é uma ferramenta simples e rápida que avalia seis sintomas e efeitos associados à DA na semana anterior. Isso inclui gravidade geral dos sintomas, dias com episódios intensos de prurido, intensidade do incômodo, problemas do sono, impacto nas atividades do dia a dia e impacto no humor ou nas emoções.14 Cada um dos seis itens do ADCT tem uma faixa de pontuação de 0 (sem problemas) a 4 (pior) que avalia a gravidade de cada item; a pontuação total varia de 0 a 24, a soma de respostas a todos os itens.14 O estudo piloto mostrou boa validade de conteúdo (bem compreendido por pacientes adultos com DA) e preenchimento rápido (<2 minutos).14 A análise psicométrica indicou o escore de 7 pontos como o limite ideal de identificação dos pacientes cuja DA não está sob controle.14

 

Outro estudo avaliou a confiabilidade, a validade e a capacidade de resposta do ADCT

em um contexto longitudinal, além de fornecer limiares de identificação de mudança interpessoal significativa.24,25 Os dados eram de um estudo prospectivo e longitudinal sobre a eficácia do dupilumabe no mundo real em pacientes com DA.25 As avaliações foram feitas antes e até seis meses após o tratamento com dupilumabe e comparadas com os índices Patient Global Assessment (PGA) e Patient-Oriented Eczema Measure (POEM), bem como com o número de semanas de bom controle (well-controlled weeks, WCWs).25 A validação do ADCT versus a do PGA, avaliação global do controle da doença relatado pelo paciente, produziu dados mais precisos e relevantes para estabelecer a validade de um novo instrumento porque se baseia na experiência dos próprios pacientes com os sintomas e/ou as limitações de atividade.25

Os resultados confirmaram que o ADCT é um método validado para uso por pacientes a partir dos 12 anos de idade e confiável para avaliação do controle de DA no mundo real.25

A exemplo de outras doenças crônicas, essa ferramenta é uma aliada do médico no acompanhamento dos pacientes em longo prazo na mensuração de forma objetiva do controle da DA e na iniciativa de promover ajustes no seu tratamento para alcançar o almejado controle.

As seis questões do ADCT e a pontuação das respostas estão apresentadas na figura 3, e a forma de se calcular a pontuação total, na figura 4.26

Conclusão


A DA tem um alto custo financeiro e emocional para os pacientes e suas famílias.11 A abordagem multidisciplinar é essencial para que as exacerbações, com seu prurido, dor e estigma, sejam controladas e o impacto da doença na qualidade de vida dos pacientes seja minimizado.3

 

Os pacientes e seus cuidadores devem ser capazes de identificar os sintomas individuais, para que tenham consciência da necessidade de tratamento e do benefício gerado pelo manejo adequado dos sintomas.3 O ADCT pode ter um papel crucial nessa conscientização. Ele é uma ferramenta que permite a autoavaliação do controle da doença com base nas percepções pessoais do paciente sobre os sintomas e seus impactos nos diferentes domínios da vida.14 Com ele, o controle da DA pode ser medido de forma eficiente por um número pequeno de itens, o que diminui o fardo da avaliação.14 Com os resultados em mãos, a ferramenta facilita a comunicação entre o paciente e o médico sobre o controle da doença,14 o que tem impacto no manejo rápido e eficiente das exacerbações e no controle de longo prazo da DA.3


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