Sim, mas seguramente não é apenas isso. Sabemos que eles são a principal opção de melhora de tratamento na queixa mais comum dos pacientes, tanto crianças quanto adultos: a obstrução ou congestão nasal.3,5

Os CINs têm efeito nas células inflamatórias e nos mediadores químicos em ambas as fases, imediata e tardia, atuando na fase precoce e na tardia da RA, diminuem a inflamação mínima persistente e previnem as exacerbações desencadeadas por alérgenos e não alérgenos, além de beneficiar comorbidades: asma, conjuntivite e distúrbios do sono.5,6

Quando discutimos se existe um CIN melhor, lembramos que, na hora da escolha, propriedades como eficácia (potência anti-inflamatória, dosagem, afinidade com o receptor de glicocorticoide, distribuição nasal e retenção nasal), segurança (biodisponibilidade, efeitos locais) e atributos sensoriais (cheiro e gosto, escorrimento retronasal) devem ser considerados.7-9

Os CINs apresentam diferenças de estrutura e de perfil farmacológico e farmacocinético, mas sua eficácia clínica é semelhante. Muitas e muitas vezes é a preferência do paciente que pesa na decisão.

Pensando nisso, quais seriam os principais benefícios clínicos da triancinolona?

Se compararmos as principais características farmacológicas e farmacocinéticas de diversos CINs, veremos que a triancinolona apresenta baixa lipofilicidade, pequeno volume de distribuição e meia-vida curta.9 (Figura 1)
Munk et al.10 fizeram um estudo multicêntrico, randomizado e duplo-cego que investigou a eficácia da triancinolona em 140 pacientes com RA sazonal em comparação ao placebo. Segundo eles, os pacientes apresentaram melhora importante e significativa de todos os sintomas em comparação ao placebo, melhora (p ≤0,03) da congestão, da rinorreia e da soma dos sintomas em até 12 horas, e não houve nenhuma diferença em relação ao placebo em termos de efeitos adversos.10 Além disso, foi muito bem tolerada por todos os pacientes.10 Da mesma forma, mas comparando os resultados entre triancinolona (220 µg/dia) e propionato de fluticazona (PF, 200 µg/dia), um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, de grupo paralelo, prospectivo e de não inferioridade, feito em 12 centros da Rússia, analisou 260 pacientes (de 18 a 50 anos de idade) com RA perene moderada ou grave.11

Os autores demonstraram melhora significativa do escore de sintomas nasais com triancinolona, igual ao do PF, melhora da qualidade de vida e boa satisfação dos pacientes em relação ao tratamento, além de bom perfil de segurança e ausência de efeitos adversos em comparação ao PF.11

Estudos específicos também foram realizados para mostrar a importância da segurança de triancinolona no tratamento de crianças com RA.12 A triancinolona produziu significativa diminuição do escore de sintomas nasais de crianças com RA e teve incidência de efeitos adversos similar à de placebo.12 Em relação à inibição do eixo HHA em crianças (de 2 a 5 anos de idade), não houve diferença significativa nos níveis de cortisol com placebo.13 Quanto ao efeito no crescimento no longo prazo, não houve alteração significativa da altura das crianças com RA tratadas com triancinolona.13 Fica claro que a triancinolona é um CIN seguro e eficaz e pode ser utilizada em crianças a partir de 2 anos de idade.12,13

Vale a pena ainda destacar alguns artigos que mostraram outros atributos da triancinolona. Um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, controlado com placebo, sobre 429 pacientes (233 homens e 196 mulheres) tratados por três semanas de RA sazonal, apontou redução relevante e significativa dos sintomas oculares, demonstrando efeitos benéficos também no alívio dos sintomas alérgicos oculares.14 Nenhuma evidência endoscópica nem histológica de atrofia de mucosa foi observada nos pacientes em importante estudo que fez uma avaliação histológica da mucosa nasal de pacientes com RA antes e depois do uso de triancinolona.15

Em resumo, na tabela 1, seguem as principais características favoráveis ao uso de triancinolona tópica, confirmando-se o importante papel dos CINs no tratamento dos pacientes com RA.
  • Solução aquosa – efeito tixotrópico: maior retenção na mucosa nasal.
  • Não escorre para a garganta; sem álcool e sem gosto.
  • Efeito nas primeiras 24 horas após a aplicação.
  • Baixa lipofilicidade, pequeno volume de distribuição e meia-vida curta.
  • Atuação na resposta imediata e tardia.
  • Eficácia no controle dos sintomas nasais e oculares.
  • Melhora da qualidade do sono.
  • Dose única diária a partir de 2 anos de idade.
  • Tratamento completo com preço bom.
Elaborada pela autora com base em: Bachert C, et al. Ann Allergy Asthma Immunol. 2002;98(3):292-7.8 Lipworth BJ, et al. Drug Saf. 2000;23(1):11-33.9 Munk ZM, et al. Ann Allergy Asthma Immunol. 1996;77:277-81.10 Karaulov AV, et al. Int Arch Allergy Immunol. 2019;179(2):142-51.11 Weinstein S, et al. Ann Allergy Asthma Immunol. 2009;102(4):339-47.13 Settpane G, et al. Clin Ther. 1995;17(2):252-63.14]