Apesar disso, a vacinação dos recém-nascidos prematuros (RNPT) é relegada a um segundo plano, devido aos agravos que esses bebês apresentam durante o período de hospitalização. Os atrasos no início da vacinação são comuns, além disso, há uma baixa adesão ao esquema vacinal, em função da resistência dos pais e dos próprios profissionais da saúde que desconhecem os benefícios da imunização nessa população e temem a ocorrência de eventos adversos associados às vacinas. Por vezes, o atraso vacinal persiste até o terceiro ano de vida.2,3,4

As taxas de atraso vacinal variam de 30% a 70%, com tempo médio de 6 a 40 semanas para as diferentes vacinas. Esse dado é preocupante, principalmente por ocorrer em uma população de elevado risco para contrair doenças imunopreveníveis.1

O sistema imunológico do recém-nascido apresenta capacidade reduzida de uma resposta imune efetiva contra patógenos invasivos, ocasionando maior vulnerabilidade a processos infecciosos. Quanto menor a idade gestacional, menos desenvolvido estará o sistema imunológico ao nascer. RNPT nascidos com menos de 28 semanas têm risco 5 a 10 vezes maior de adquirir uma infecção comparados aos recém-nascidos a termo.5

Para a aplicação de vacinas em RNPT, especialmente de extremo baixo peso, alguns fatores devem ser considerados: condição clínica, local anatômico da aplicação, doses e intervalos, calendário próprio do prematuro e adequada orientação aos pais. Mesmo ainda hospitalizado, já é possível iniciar o calendário vacinal do RNPT, respeitando sempre sua idade cronológica.1

A ocorrência de eventos adversos leves locais, como dor, vermelhidão e edema, ou eventos adversos sistêmicos, como febre baixa e irritabilidade, não depende da idade gestacional, sendo semelhante em RNPT e RNT; porém têm sido descritos eventos cardiorrespiratórios pós-vacina pentavalente (DTP+Pólio+Hib) administrada em prematuros aos dois meses de idade cronológica, sendo que apneia, cianose e bradicardia variam em percentuais de 11 a 47% de acordo com a população estudada.6 Por esse motivo, recomenda-se que os prematuros recebam, preferencialmente, vacinas combinadas, contendo o componente coqueluche acelular (penta ou hexa), disponíveis inclusive nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs).7

Apesar dos relatos desses eventos cardiorrespiratórios, não existe recomendação de adiar a imunização de bebês prematuros, mesmo portadores de displasia broncopulmonar, desde que estejam clinicamente estáveis, visto que as alterações descritas são reversíveis e transitórias.8

Recém-nascidos de 23 a 24 semanas de idade gestacional ao nascer e os recém-nascidos que apresentam hemorragia intraventricular estão sujeitos a um maior risco de eventos adversos cardiorrespiratórios, devendo haver uma maior vigilância desses eventos, cuidado na indicação da imunização e acompanhamento dessas crianças.8

Além da vacinação do RNPT, outras medidas devem ser tomadas no intuito de prevenir doenças nesse grupo de pacientes. Aleitamento materno, não exposição ao tabaco, retardo no início de frequência a escolas e creches e vacinação em dia dos conviventes são fatores de diminuição de risco de aquisição de doenças respiratórias em prematuros.1
Pais, irmãos e cuidadores, inclusive os profissionais de saúde que lidam com o prematuro, devem estar imunizados contra coqueluche, difteria, influenza, sarampo e varicela, reduzindo assim o risco de transmissão desses agentes ao RNPT.6

A imunização do recém-nascido prematuro é ferramenta crucial na proteção contra diversas doenças que acometem de maneira mais grave essa população

Coqueluche, influenza, vírus sincicial respiratório e infecções pneumocócicas merecem especial atenção em sua profilaxia. O calendário de vacinação do prematuro deve ser cumprido de acordo com sua idade cronológica e os atrasos devem ser sempre evitados.