A influenza, no Brasil mais conhecida popularmente como gripe, acompanha a humanidade em sua trajetória pela história. Em geral endêmica, em algumas regiões sazonal, causando mortes em grupos populacionais mais susceptíveis. Outras vezes manifestando-se como grandes epidemias, em alguns casos mesmo pandemias, atingindo todos os grupos etários com gravidade. Pertencendo à família Orthomyxoviridae, o agente da influenza é um vírus envelopado, de RNA segmentado, dividido pelos taxonomistas em três gêneros: influenza vírus A, B e C. As classes importantes no cenário clínico são influenza A e B.1,10,11  

O Ministério da Saúde elege as seguintes populações como prioritárias para prevenção: crianças menores de 6 anos de idade, maiores de 60 anos, pacientes com comorbidades e alguns grupos como professores, privados de liberdade etc., também as gestantes e puérperas. A vacinação das gestantes, além da importância da proteção dessas, protege o lactente até cerca de 4 meses de vida (Tabela 1).2
O vírus da influenza A foi responsável pelas pandemias ocorridas até o momento e causa inúmeros casos nos períodos interepidêmicos. Já o influenza B é dividido em duas linhagens, Yamagata e Victoria. Embora mutando mais lentamente que o vírus A, também tem relevante impacto em saúde coletiva. 
A importância do vírus B, principalmente quando a vacina trivalente não contém a linhagem mais prevalente, foi bem demonstrada pelo estudo que analisou o comportamento da linhagem B no Brasil. Mostrou-se importante em todas as idades, chegando a causar 30% dos óbitos por influenza em um ano de não correspondência.3

Com o aumento da diversidade e melhor conhecimento do impacto desse último, grande parte das vacinas hoje é quadrivalente, incluindo um subtipo AH1N1, um subtipo H3N2 e dois representantes do B.2,4 

A figura 1 representa a evolução da vacina de acordo com a evolução viral.8
A imunogenicidade da vacina pode ter variações ano a ano, mas em geral é muito alta nas crianças, superando 90% de resposta adequada e vai progressivamente caindo com a idade, atingindo níveis de 50% a 60% nos idosos. O impacto na redução de óbitos, internações e casos sintomáticos é sempre muito alto em ambos os grupos etários. Quanto aos pacientes com comorbidade há variação de imunogenicidade entre aqueles que apresentam ou não prejuízo da resposta imune. Mas, da mesma forma, o impacto permanece elevado. 

Quanto a esquemas vacinais e doses das vacinas, há pequenas variações entre os países. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), até o presente momento, utiliza vacinas trivalentes. Recomenda a aplicação de duas doses da vacina no primeiro ano de vacinação dos menores de nove anos, a partir de seis meses de idade, sendo aplicada metade da dose nos menores de três anos de idade. O intervalo recomendado entre as doses é de um mês. A partir desse primeiro ano de vacinação, recomenda uma dose anual, assim como para as demais idades. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda preferência pelas vacinas quadrivalentes, seguindo esquema vacinal semelhante. No entanto, a maioria das vacinas quadrivalentes atuais é feita em dose inteira (0,5 ml), mesmo abaixo dos 3 anos de idade.4,5,6

Os eventos adversos locais ocorrem em cerca de 10% a 20% dos vacinados, não sendo comuns eventos adversos sistêmicos de relevância. A associação dessas vacinas com a Síndrome de Guillain-Barré, descrita com o uso de vacinas de células inteiras, principalmente em crianças, não ocorre de forma evidente com essas vacinas de partículas, sendo motivo de constantes investigações e vigilância epidemiológica. Como evitam milhares de óbitos e internações mundo a fora, a balança de risco/benefício tende claramente para o benefício de seu uso. No início univalentes, direcionadas a um tipo específico, forma se tornado trivalentes, geralmente contendo um subtipo de AH1N1, um subtipo de H3N2 e um representante do influenza vírus B.

O tratamento específico da influenza é atualmente realizado principalmente com o antiviral Oseltamivir. Embora eficaz, principalmente em reduzir o tempo de doença, sua utilização traz um grande desafio: é mais eficaz quando utilizado nas primeiras 24 horas da doença. Como sabemos, no seu início, os sinais e sintomas da influenza são inespecíficos: coriza, febre e dor no corpo, principalmente. O sistema de vigilância epidemiológica poderia contribuir com o tratamento precoce alertando os serviços de saúde sobre a predominância do vírus em determinada época. O medicamento também pode ser utilizado como quimioprofilaxia em pacientes de risco quando o diagnóstico é feito em um contato íntimo. Mas o período de incubação muito curto, tão curto como 24 horas, dificulta também essa providência. Todas essas dificuldades reforçam o papel preponderante da vacinação.7