1) Como você vê a atuação do farmacêutico clínico nas equipes multidisciplinares em hospitais? Na sua opinião, como os farmacêuticos podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes com longo período de internação?

O farmacêutico clínico vem para somar positivamente junto à equipe multidisciplinar por atuar com grande relevância em todo o processo de assistência farmacoterapêutica ao paciente, realizando a tecnovigilância, farmacovigilância e farmacoeconomia. É um profissional que atua de forma direta na prevenção de doenças e no cuidado ao paciente, proporcionando dados valiosos referentes à interação, reconciliação, rastreabilidade dos medicamentos utilizados e obtendo informações sobre medicamentos através do guia terapêutico, otimizando assim a terapia medicamentosa. Além disso, realiza toda parte de gestão envolvendo controle de estoque, compra de fornecedor previamente qualificado, padronização da melhor forma farmacêutica, dispensação, rastreabilidade, controle e guarda de medicamentos de alta vigilância. O farmacêutico clínico também participa da comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), Núcleo de Segurança do Paciente, Comissão de Padronização de Materiais e Medicamentos, Núcleo de Qualidade, Comissão de Revisão de Prontuário, Comissão de Tecnologia da Informação (TI), entre outros. Temos ainda um grande caminho a percorrer, mas com pequenas ações, conseguimos impactar positivamente a rotina clínica e financeira dos hospitais.
 
O farmacêutico clínico pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, principalmente através da anamnese farmacêutica, realizando a coleta de dados por meio de entrevista, histórico de patologias pré-existentes, avaliação dos exames, dados da anestesia, aprazamentos (gerenciamento de prazos) e condutas farmacêuticas. Assim, consegue traçar o perfil farmacoterapêutico e identificar as necessidades individuais durante a internação, atuando com a equipe multidisciplinar.

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“O farmacêutico clínico vem para somar positivamente junto à equipe multidisciplinar, por atuar com grande relevância em todo o processo de assistência farmacoterapêutica ao paciente, realizando a tecnovigilância, farmacovigilância e farmacoeconomia.”


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“Conseguimos, com pequenas ações, impactar positivamente a rotina clínica e financeira dos hospitais.”


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“O farmacêutico clínico pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, principalmente através da anamnese farmacêutica... assim, consegue traçar o perfil farmacoterapêutico e identificar as necessidades individuais durante a internação.”


2) Outras áreas de atuação importantes do farmacêutico clínico são a reconciliação medicamentosa, a revisão da prescrição e a dispensação de medicamentos. Poderia falar um pouco da participação do farmacêutico nesses processos, especialmente em relação ao controle de psicotrópicos e entorpecentes?


Os eventos adversos na assistência à saúde são cada vez mais frequentes, principalmente nas internações hospitalares, impactando diretamente a segurança do paciente. Erros de medicação são os tipos de erros mais comuns que afetam a segurança dos pacientes e contribuem com o aumento da morbidade hospitalar, sendo que, em sua maioria, poderiam ser evitados. A participação do farmacêutico clínico tem um caráter multiprofissional no intuito de minimizar possíveis falhas no processo da terapêutica medicamentosa.

Para que se tenha mais segurança dentro da farmacoterapia medicamentosa do paciente, é realizada a reconciliação medicamentosa, um processo de obtenção e avaliação da lista de medicamentos que o paciente faz uso, com as prescrições de admissão, transferência ou alta médica, objetivando fornecer medicamentos corretos em todos os pontos de transição. O farmacêutico clínico faz a avaliação da lista completa dos medicamentos, incluindo o nome do fármaco, dosagem, frequência e via de utilização. Analisa-se então a interação ou combinação dos medicamentos e, quando houver divergências, essas são discutidas com o médico prescritor. As razões para as mudanças na terapia são documentadas em protocolos previamente estabelecidos por cada instituição, juntamente com o prontuário do paciente (avaliação farmacoterapêutica). Deve-se ressaltar que cabe ao médico a total decisão sobre o paciente e que a interação com enfermeiros, nutricionistas e demais profissionais do corpo clínico é extremamente importante para o sucesso do tratamento.

Alguns medicamentos, como os entorpecentes e psicotrópicos, requerem uma atenção especial na dispensação. Esses fazem parte do protocolo de dor e sedação de cada serviço hospitalar, sendo necessário padronizar seu uso por procedimento para que a farmácia hospitalar possa ter um controle mais seguro e eficiente sobre sua guarda e dispensação, conforme a Portaria 344/98. O controle de psicotrópicos e entorpecentes deve ser muito bem documentado, incluindo desde a gestão de compra, armazenamento em local seguro e com acesso limitado, de inclusão de alerta diferenciado na sua etiquetagem e dispensação através de controle diário rigoroso. Todas as informações de uso, compra e dispensação devem ser relatadas em balanços trimestrais à vigilância sanitária local.   

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“Para que se tenha mais segurança dentro da farmacoterapia medicamentosa do paciente, é realizada a reconciliação medicamentosa.”


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“O controle de psicotrópicos e entorpecentes deve ser muito bem documentado, incluindo:”


3) Como você vê o crescimento da atuação na farmácia clínica e atenção farmacêutica no Brasil? O que é preciso para que o farmacêutico que quer se dedicar a essa área possa exercer sua função com excelência?

A farmácia clínica percorreu um longo caminho durante esses anos para que pudesse fortalecer sua atuação dentro da equipe multidisciplinar. Ela surgiu em meados dos anos 80 e teve um grande crescimento juntamente com as certificações hospitalares, havendo a necessidade do acompanhamento farmacêutico em todos os processos que envolvam medicamentos. Hoje no Brasil, a maioria dos hospitais, seja de alta complexidade ou pequeno porte, clínicas, home care, farmácia comercial e outros serviços de saúde, possui um farmacêutico técnico responsável e atuante. 

O exercício da farmácia clínica nos trouxe consideráveis avanços e conquistas, mas requer conhecimentos mais especializados e, por isso, é importante o profissional farmacêutico se atualizar constantemente. Além disso, essa atividade exige um ambiente com estrutura que possibilite ao farmacêutico não estar envolvido com atividades administrativas e/ou burocráticas, para que possa se dedicar por inteiro à prática das atribuições clínicas. Toda equipe multidisciplinar deve ter o entendimento e conscientização de que o farmacêutico clínico vem para agregar, de forma a promover um tratamento de excelência ao paciente, com monitoramento constante dentro de toda cadeia medicamentosa e possibilitando uma recuperação mais rápida. Para quem quer se dedicar a essa área, o importante é começar! E, hoje, temos à disposição vários meios de consulta e orientação para nos auxiliar na prática da farmácia clínica.

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“O exercício da farmácia clínica nos trouxe consideráveis avanços e conquistas, mas requer conhecimentos mais especializados e, por isso, é importante o profissional farmacêutico se atualizar constantemente.”