Transmissão do vírus sincicial respiratório pediátrico e influenza durante a pandemia de COVID-191


As intervenções não farmacêuticas implementadas para reduzir a propagação do SARS-CoV-2 tiveram consequências na transmissão de outros vírus respiratórios, principalmente o vírus sincicial respiratório pediátrico (RSV) e o vírus influenza. No início de 2020, as medidas de bloqueio no hemisfério sul levaram a uma temporada de inverno com uma redução acentuada em ambas as infecções. Bloqueios intermitentes no hemisfério norte também pareceram interromper a transmissão durante o inverno de 2020/21. No entanto, vários países do hemisfério sul e norte têm visto agora picos tardios de RSV.

Examinou-se as implicações dessa dinâmica imprevisível da doença para a prestação de serviços de saúde na Europa, como hospital pediátrico e planejamento de leitos de terapia intensiva ou profilaxia com palivizumabe. Discutiu-se os desafios para os estudos de vacinas contra o VSR e as campanhas de imunização contra influenza e foram destacadas as consideráveis oportunidades de pesquisa que surgiram com a pandemia de SARS-CoV-2. Argumentou-se que os rápidos avanços no sequenciamento do genoma viral completo, análise filogenética e compartilhamento de dados abertos durante a pandemia são aplicáveis à vigilância contínua do RSV e do vírus influenza. Por último, delineou-se ações para se preparar para as próximas temporadas de influenza e para a implementação futura de vacinas contra o VSR.

Aumento recente da incidência de doença meningocócica invasiva pelo sorogrupo W: um estudo observacional retrospectivo2


A incidência de Neisseria meningitidis sorogrupo W aumentou. A mortalidade associada ao sorogrupo W foi maior do que a de outros sorogrupos. As características epidemiológicas e os riscos de evolução ruim associados à doença meningocócica invasiva foram analisados na Dinamarca desde 1980. Todos os casos de doença meningocócica invasiva relatados de 1980-2018 foram analisados. As taxas de incidência por idade, sexo, manifestação e sorogrupo foram calculadas. A regressão de Poisson foi usada para analisar o aumento do sorogrupo W, e a análise logística multivariada foi usada para analisar os fatores de risco para mortalidade.

Um total de 5.825 casos foram analisados e o risco de infecção pelo sorogrupo W aumentou após 2015 em comparação a todos os períodos anteriores. Idade mais jovem (<20 anos) e mais velha (>60 anos) foram associadas a um maior risco de infecção pelo sorogrupo W em comparação aos 20-39 anos. A letalidade bruta foi de 12,0%, 11,9%, 9,2% e 7,9% para os sorogrupos W, Y, C e B, respectivamente. Após ajuste para idade, sexo e manifestação, a mortalidade em 30 dias foi comparável para os sorogrupos. Idade avançada e manifestação com sepse predisseram o risco de morte de forma independente.

A doença meningocócica invasiva causada pelo sorogrupo W aumentou, mas o sorogrupo não foi associado a um risco aumentado de mortalidade em 30 dias.

Cobertura vacinal em crianças de até 2 anos de idade beneficiárias do Programa Bolsa Família, no Brasil3


Avaliar a cobertura vacinal, conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações, entre crianças beneficiárias do Programa Bolsa Família, no Brasil, segundo nível socioeconômico da família e características maternas. Foram avaliadas 3.242 crianças menores de 12 meses de vida entre agosto de 2018 e abril de 2019, sendo 3.008 delas reavaliadas entre setembro de 2019 e janeiro de 2020. As análises foram realizadas utilizando-se modelos multiníveis (nível 3, Unidade da Federação; nível 2, município; nível 1, crianças).

Resultados: a cobertura vacinal foi 2,5 vezes maior no primeiro (61,0% – IC95% 59,3;62,6%) comparado ao segundo acompanhamento (24,8% – IC95% 22,8;25,9%) (p<0,001). No primeiro acompanhamento, a cobertura foi maior no quintil mais rico (67,9%) e entre as crianças cujas mães tinham ≥9 anos de escolaridade (63,3%). No segundo acompanhamento, não houve diferenças. As maiores coberturas ocorreram entre 0,5-2,5 (93,5%) e 12,5-15,5 meses (34,4%), respectivamente, no primeiro e segundo acompanhamentos. Encontrou-se baixa cobertura, tanto no primeiro quanto no segundo ano de vida.