Caso clínico


Paciente do sexo masculino, de 49 anos de idade, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2) há 10 anos e de dislipidemia, queixa-se de mau controle glicêmico nos últimos meses, com perda de peso. Não apresenta, até o momento, nenhuma complicação crônica (nem micro nem macrovascular), mas tem diagnóstico ultrassonográfico de esteatose hepática. Faz uso de metformina XR 2 g, glimepirida 4 mg, vildagliptina 100 mg, dapagliflozina 10 mg e pioglitazona 30 mg. Apresenta índice de massa corporal (IMC) de 30 kg/m2 e pressão arterial limítrofe de 130x80 mmHg. Segue a dieta de maneira irregular e é sedentário.

Foi suspenso o uso de glimepirida, vildagliptina e dapagliflozina, introduzindo-se Soliqua® 10 UI com caneta 10-40 (sob orientação de titulação de dose com alvo de glicemia de jejum de 100 mg/dL) e rosuvastatina 20 mg. No retorno, após dois meses, o paciente fazia uso de 22 UI de Soliqua®, com redução de hemoglobina glicada (HbA1c) de 2% e sem episódios de hipoglicemia. Manteve-se a orientação de titulação e reintroduziu-se dapagliflozina 10 mg. Após quatro meses, o paciente voltou usando Soliqua® 26 UI, com redução de peso (IMC: 28,4 kg/m2) e com HbA1c dentro da meta (7%).

Mais da metade dos pacientes com DM2, apesar de inovações crescentes no tratamento da doença, está descompensada metabolicamente.1 O estudo BINDER, realizado no Brasil com 2,5 mil adultos com diabetes tipos 1 e 2 (91,9% dos pacientes têm DM2), mostrou que 55,8% deles estão fora da meta de controle.1

A insulina é frequentemente iniciada após anos de mau controle glicêmico em pacientes com DM2, apesar de vários estudos clínicos mostrarem a eficácia e a segurança da adição de insulina à terapia com antidiabéticos orais (ADOs).2,3

Dada a ampla gama de benefícios metabólicos da insulina, o início precoce da terapia insulínica é recomendado como um meio de alcançar e manter o controle glicêmico.4

É importante lembrar que nem todos os pacientes atingem a meta glicêmica com insulinoterapia basal mesmo com a dose titulada.5

Outra questão importante do tratamento com injetáveis é a aderência. Um estudo com 3.623 pacientes com DM2 comparou a terapia com um injetável ao dia versus dois injetáveis ao dia por 12 meses e concluiu que o tratamento foi superior quando o injetável era administrado uma vez ao dia.6

LixiLan-O


O estudo LixiLan-O avaliou a eficácia e a segurança de Soliqua®, uma combinação de insulina glargina e lixisenatida, em comparação à insulina glargina e lixisenatida usadas separadamente, em 1.170 pacientes com DM2 mal controlado (HbA1c média de 8,1%) com metformina, com ou sem um segundo ADO.7 Os resultados mostraram maiores reduções da HbA1c basal com Soliqua®, atingindo-se níveis médios finais de 6,5% versus 6,8% no grupo glargina e de 7,3% no grupo lixisenatida (ambos com p<0,0001).7 (Figura 1)
Entre os pacientes com HbA1c basal ≥9%, a redução de HbA1c foi expressiva no grupo Soliqua® (média de 2,9%).8 É importante notar que a redução de HbA1c com Soliqua® foi acompanhada de redução do peso corporal médio e de taxas de hipoglicemia sintomática semelhantes às dos outros grupos.7 Em relação aos efeitos colaterais, os pacientes que usaram Soliqua® tiveram menos náuseas e vômitos do que aqueles que usaram lixisenatida.7

O estudo LixiLan-O traz dados que fortalecem o uso da associação de insulina basal mais agonista de peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) como a melhor opção para pacientes que fazem uso de ADO e apresentam diabetes fora de controle.7

Soliqua®


(insulina glargina 100 U/mL + lixisenatida)

Informações resumidas do produto

Soliqua (insulina glargina 100 U/mL+ lixisenatida) INDICAÇÕES: Soliqua é indicado como um adjuvante de dieta e exercício para melhorar o controle glicêmico em adultos com diabetes mellitus tipo 2 inadequadamente controlada com medicamentos hipoglicemiantes orais isolados ou combinados com insulina basal, ou combinados com um agonista do receptor de peptídeo semelhante ao glucagon (GLP-1), ou insulina basal utilizada isoladamente. CONTRAINDICAÇÕES: SOLIQUA é contraindicado a pacientes com hipersensibilidade conhecida à lixisenatida, insulina glargina ou a qualquer um dos componentes da fórmula. PRECAUÇÕES E ADVERTÊNCIAS: SOLIQUA não deve ser utilizado em pacientes com diabetes mellitus tipo 1 ou para o tratamento de cetoacidose diabética. A transferência do agonista do receptor de GLP-1 não foi estudada. SOLIQUA não foi estudado em combinação com inibidores DPP-4, sulfonilureias, glinidas, pioglitazona e inibidores SGLT2. Pancreatite aguda, incluindo pancreatite hemorrágica fatal e não fatal ou pancreatite necrotizante, foram relatadas em doentes tratados com agonistas do receptor GLP-1, após a comercialização. Os pacientes devem ser informados sobre os sintomas característicos da pancreatite aguda: dor abdominal grave a persistente. Se houver suspeita de pancreatite, SOLIQUA deve ser descontinuado. Caso haja confirmação de pancreatite aguda, o tratamento com SOLIQUA não deve ser reiniciado. Use com cautela em pacientes com histórico de pancreatite. Os pacientes devem realizar rotação contínua do local da injeção para reduzir o risco de desenvolver lipodistrofia e amiloidose cutânea localizada. SOLIQUA não é recomendado para pacientes com doença gastrintestinal grave, incluindo gastroparesia grave. Gravidez e lactação: Não há dados clínicos sobre grávidas expostas a partir de estudos clínicos controlados com uso de SOLIQUA, insulina glargina 100U/mL e lixisenatida. Categoria de risco na gravidez: C. Lactação: Não é conhecido se SOLIQUA é excretado no leite humano. Devido à falta de experiência, SOLIQUA não deve ser administrado durante a amamentação.
Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica.
Não existe experiência terapêutica com uso de lixisenatida em pacientes com insuficiência renal grave ou doença renal terminal, não é recomendado o uso de lixisenatida nestas populações.
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INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: SOLIQUA deve ser usado com cautela em pacientes recebendo medicamentos orais que necessitem de uma rápida absorção gastrintestinal. Não foram realizados estudos de interação medicamentosa com SOLIQUA. Várias substâncias afetam o metabolismo da glicose e podem requerer ajuste da dose de SOLIQUA e particularmente monitorização cuidadosa. Os seguintes exemplos são substâncias que podem aumentar o efeito redutor de glicose no sangue e a suscetibilidade à hipoglicemia:
Medicamentos antidiabéticos orais, inibidores da ECA, salicilatos, disopiramida; fibratos; fluoxetina, inibidores da MAO; pentoxifilina; propoxifeno; antibióticos sulfonamídicos. Os seguintes exemplos são substâncias que podem reduzir o efeito redutor de glicose no sangue:
corticosteroides; danazol; diazóxido; diuréticos; agentes simpaticomiméticos (tais como a epinefrina, salbutamol, terbutalina); glucagon; isoniazida; derivados de fenotiazina; somatropina; hormônios da tireoide; estrógenos, progestágenos (por exemplo em contraceptivos orais), os inibidores da protease e medicamentos antipsicóticos atípicos (por exemplo, olanzapina e clozapina). Betabloqueadores, clonidina, sais de lítio e álcool podem potencializar ou enfraquecer a ação hipoglicemiante da insulina. A pentamidina pode causar hipoglicemia, a qual pode por vezes ser seguida por hiperglicemia. Sob a influência de medicamentos simpaticolíticos, tais como betabloqueadores, clonidina, guanetidina e reserpina, os sinais da contrarregulação adrenérgica podem estar reduzidos ou ausentes. A lixisenatida é um peptídeo e não é metabolizada pelo citocromo P450. Em estudos in vitro, a lixisenatida não afetou a atividade de isoenzimas do citocromo P450 ou transportadores humanos testados.
Reações adversas: Hipoglicemia: As reações adversas mais frequentemente relatadas durante o tratamento com SOLIQUA foram hipoglicemia (≥ 10%) e reações adversas gastrintestinais (≥ 1 e < 10%). Ataques hipoglicêmicos graves, especialmente quando recorrentes, podem levar a danos neurológicos. O efeito prolongado da insulina glargina subcutânea pode retardar a recuperação de uma hipoglicemia. Episódios de hipoglicemia prolongados ou graves podem ser fatais. Reações adversas gastrintestinais (náuseas, vômito e diarreia) foram frequentemente relatadas como reações adversas durante o período de tratamento. Em pacientes tratados com SOLIQUA, a incidência de relatos de náusea, diarreia e vômito foi de 8,4%, 2,2% e 2,2%, respectivamente. Reações adversas gastrintestinais foram em sua maioria leves e de natureza transitória. Pacientes utilizando atorvastatina devem ser aconselhados a tomar a atorvastatina, pelo menos, 1 hora antes ou 11 horas após a administração de SOLIQUA.

Posologia e modo de usar: SOLIQUA é titulável e está disponível em duas canetas, oferecendo diferentes opções de dosagem. A diferenciação entre as concentrações das canetas baseia-se na variação de doses de cada caneta SOLIQUA deve ser administrado por via subcutânea uma vez ao dia dentro de 1 hora antes de qualquer refeição. É preferível que a injeção prandial de SOLIQUA seja aplicada antes da mesma refeição todos os dias, quando a refeição mais conveniente for escolhida. Se uma dose de SOLIQUA for perdida, esta deve ser injetada dentro de uma hora antes da próxima refeição. USO ADULTO. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. Registro MS 1.8326.0393 - IB250920B. Para maiores informações antes de sua prescrição, favor ler a bula completa do produto. "A PERSISTIREM OS SINTOMAS, O MÉDICO DEVERÁ SER CONSULTADO.” Data da ultima revisão: 12/04/2021