Lemtrada®: administração e manejo


Lemtrada® (alentuzumabe) é um medicamento indicado para o tratamento de pacientes adultos com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) altamente ativa, com os seguintes perfis:1

• Pacientes com doença altamente ativa, apesar de um ciclo de tratamento completo e adequado com, pelo menos, uma terapia modificadora da doença (TMD); ou
• Pacientes com EMRR grave em rápida evolução, definida por duas ou mais recidivas incapacitantes em um ano, e com uma ou mais lesões contrastadas com gadolínio na imagem por ressonância magnética (RNM) cerebral ou um aumento significativo na carga de lesão em T2 em comparação com uma RNM anterior recente.

Lemtrada® demonstrou eficácia na redução do risco de recidivas em esclerose múltipla, na supressão da formação de novas lesões de EM, na diminuição da perda de volume cerebral (atrofia) e da piora da incapacidade na ausência de tratamento contínuo ao longo de 6 anos, conforme ensaios clínicos.1

Este checklist foi desenvolvido para o apoiar no início e monitoramento do tratamento com Lemtrada®. O guia fornece informações sobre a administração de Lemtrada®, que deve ser realizada em ambiente hospitalar, sendo supervisionada por um profissional de saúde com experiência no tratamento de pacientes com esclerose múltipla (EM). Além disso, devem estar disponíveis especialistas e equipamentos necessários para um diagnóstico assertivo e tratamento de reações adversas, como:1

• Distúrbios cardíacos (insuficiência cardíaca congestiva, cardiomiopatia e fração de ejeção diminuída foram relatadas em pacientes sem EM tratados com o alentuzumabe);
• Distúrbios do sangue e do sistema linfático;
• Distúrbios autoimunes (neutropenia, anemia hemolítica, hemofilia adquirida, doença anti-GBM e doença da tireoide);
• Distúrbios respiratórios (broncoespasmo, hipóxia, síncope, infiltrados pulmonares, síndrome de angústia respiratória aguda, parada respiratória etc.);
• Infecções (virais, bacterianas, fúngicas e por protozoários).

ATENÇÃO!


Para minimizar as chances do surgimento de eventos adversos devido ao uso de Lemtrada®, prescritores e pacientes devem se comprometer a ter, pelo menos, 48 meses de acompanhamento após a última infusão. Por isso, para o sucesso do tratamento, é fundamental que os pacientes compreendam o compromisso de realizar o monitoramento após a última infusão de Lemtrada®, mesmo que estejam assintomáticos e que a EM esteja bem controlada.1

Checklist do profissional de saúde


Quando o paciente começa a usar Lemtrada®, é preciso que ele faça um checklist de exames a serem realizados durante os três períodos de uso: pré, durante e pós-tratamento. Por ser um tratamento que altera a imunidade, o paciente deve fazer o acompanhamento não apenas antes do tratamento, mas também durante e por um período após o término desse.

A seguir, temos os exames e condutas terapêuticas divididos por fase de tratamento (pré, durante e pós)1.

Pré-tratamento


• Medicar pacientes com corticosteroides imediatamente antes do tratamento, nos três primeiros dias de qualquer ciclo de tratamento (1.000 mg de metilprednisolona ou equivalente);
• Considerar pré-tratamento com anti-histamínicos e/ou antipiréticos;
• Administrar profilaxia oral para infecção por herpes a todos os pacientes a partir do primeiro dia de cada ciclo de tratamento e continuar por, no mínimo, um mês após o tratamento com Lemtrada® (200 mg de aciclovir duas vezes por dia ou equivalente);
• Solicitar exame para tuberculose;
• Verificar vacinação*;
• Orientar mulheres férteis sobre o planejamento da gestação para pacientes do sexo feminino e acompanhamento anual de HPV com ginecologista.

*Recomenda-se que os pacientes estejam em dia com as vacinas (de acordo com as diretrizes nacionais) pelo menos seis semanas antes de iniciar o tratamento com Lemtrada®. Considere a vacinação de pacientes com anticorpos negativos para o vírus da varicela-zóster (VZV) antes do tratamento com Lemtrada®.

Recomendações para o monitoramento da infusão


1.Pré-infusão
• Obter sinais vitais de linha de base, incluindo frequência cardíaca e pressão arterial (PA);
• Realizar eletrocardiograma (ECG) de linha de base;
• Solicitar contagem de plaquetas de linha de base.

2.Durante a infusão
• Realizar monitoramento constante da frequência cardíaca, PA e estado clínico geral pelo menos uma vez a cada hora;
• Interromper a infusão se o paciente apresentar sintomas clínicos que sugiram o desenvolvimento de um evento adverso (EA) grave.

3.Pós-infusão
• Solicitar contagem de plaquetas imediatamente após a infusão no 3º e 5º dias do primeiro ciclo e no 3º dia de qualquer ciclo subsequente;
• Observar o paciente durante pelo menos duas horas – os pacientes com sintomas clínicos de um EA grave devem ser monitorados de perto até a resolução completa dos sintomas.

Orientações para minimização do risco de eventos adversos autoimunes tardios

Conclusão


Em conjunto com o paciente, é importante planejar e gerenciar o monitoramento periódico. Por isso:1

• Avalie os resultados dos testes e permaneça atento aos sintomas de eventos adversos (EAs);
• Reveja a bula do produto com o paciente na prescrição inicial e regularmente nas consultas de acompanhamento.

Antes do tratamento, os pacientes devem ser informados sobre os riscos e benefícios do tratamento. Lembre o paciente de permanecer vigilante quanto aos sintomas relacionados às condições autoimunes, mesmo após o período de monitoramento de 48 meses, e de procurar atendimento médico caso tenha alguma preocupação.