A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o uso de vacinas hexavalentes para imunização completa contra a hepatite B. Segundo a SBP, a primeira dose da vacina de hepatite B, quando pentavalente (DTP/Hib/HB), deve ser aplicada nas primeiras 12h de vida.1 Inicialmente, as doses posteriores se davam aos 2 meses e aos 6 meses, contemplando um esquema vacinal de 3 doses, porém, a partir de 2012, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) proposto pelo Ministério da Saúde instituiu que a vacina pentavalente deve ser realizada em quatro doses, adicionando-se a dose do quarto mês.1 No esquema vacinal privado, no entanto, a SBP recomenda a cobertura vacinal anterior, consistida de 3 doses, com vacina acelular hexavalente (DTPa/IPV/Hib/HB) recomendada apenas para as doses do 2º e 6º mês de vida (2 doses).1

 

Dados nacionais evidenciam fraquezas em um esquema vacinal não hexavalente de 3 doses. Segundo estudo realizado em solo nacional, na cidade de São José dos Campos, avaliando a soroconversão e redução de anticorpos 3 anos após a vacinação em 174 crianças vacinadas contra hepatite B, revelou-se que até 33% delas apresentavam níveis subótimos de resposta imunológica induzida pela vacinação.2

 

Dados internacionais demonstram que o esquema vacinal hexavalente de 3 doses está associado a benefícios clinicamente relevantes. De acordo com estudo realizado na Alemanha, reunindo mais de 2.700 crianças nascidas entre 1996 e 2003, a adoção de um esquema vacinal de três doses para vacinas hexavalentes reduziu o tempo final para uma imunização completa se comparado a outras vacinas, como a monovalente, tetravalente e pentavalente.3

 

Na França, a instituição responsável pela incorporação de novas tecnologias em saúde, a Haute Autorité de Santé, publicou uma análise demonstrando que o emprego de vacinas hexavalentes em três doses reduz o número de injeções necessárias e o tempo para uma imunização mais abrangente, além de melhorar as taxas de cobertura vacinal. Entre os anos de 2006 e 2011, foi observado um aumento de 89% na adesão à vacinação contra hepatite B.4

Adaptado de Haute Autorité de Santé. Commission De La Transparence. INFANRIX hexa. Published online 2013.

Na Itália, a partir de dados de vida real disponibilizados pelo Istat, o instituto nacional de estatística do país, após a introdução de um programa vacinal consistente e emprego de vacina hexavalente com esquema de três doses, observou-se uma redução expressiva das seis doenças abrangidas pela vacina, chegando até 100% de redução para doenças como difteria e pólio, com hepatite B registrando uma redução de 86%.5
 
Adaptado de: Orsi, A. et al. Hexavalent vaccines: characteristics of available products and practical considerations from a panel of Italian experts. J Prev Med Hyg. 2018;59(2):E107-E119.

Dessa forma, é possível afirmar que a vacina hexavalente possibilita combinar uma série de imunizações importantes, reduzindo o número de aplicações e o tempo para imunização, ao passo que aumenta a adesão e, consequentemente, a cobertura vacinal,3-5 oferecendo ainda importantes vantagens logísticas de transporte e armazenamento em razão desse menor número de aplicações.6