Há muitos anos, a combinação de ciclofosfamida com G-CSF (granulocyte colony-stimulating factor – fator estimulador de colônias de granulócitos) foi a abordagem padrão-ouro para a mobilização de células-tronco autólogas em pacientes com mieloma múltiplo (MM) tratados no MSKCC. No entanto, com a disponibilização do plerixafor e devido à sua eficácia comprovada para a coleta de células-tronco em pacientes que falharam com o uso de ciclofosfamida e G-CSF, o uso de plerixafor tem sido recomendado como primeira linha para pacientes com MM.1


A comparação da análise de custo das abordagens para mobilização de células-tronco também é um parâmetro importante que deve ser considerado para a aprovação do uso do plerixafor como agente de mobilização de primeira linha.1

 

Foi realizada uma análise retrospectiva de pacientes com MM tratados com plerixafor/G-CSF ou ciclofosfamida/G-CSF. Noventa e oito pacientes receberam ciclofosfamida/ G-CSF, enquanto 35 pacientes receberam plerixafor como regimes de mobilização de primeira linha. Onze pacientes (11%) foram readmitidos por complicações da ciclofosfamida, com tempo médio de internação de 6,9 dias, enquanto nenhum paciente do grupo de plerixafor foi hospitalizado.2 (Figura 1)


Essa análise indicou que o uso de plerixafor como primeiro agente de mobilização de células-tronco pode ser mais efetivo em termos de custo do que a abordagem atual, amplamente utilizada, que emprega a ciclofosfamida.2


A diferença de custo entre as duas abordagens pode ser atribuída a vários fatores: a mobilização com ciclofosfamida requer internação e, muitas vezes, resulta em readmissões hospitalares devido à toxicidade esperada; além disso, a taxa de insucesso e, portanto, a necessidade de mobilização adicional para manutenção parece ser muito maior com a ciclofosfamida; o uso de plerixafor como primeiro agente foi associado a menos sessões de plasmaférese e reduziu o uso de G-CSF. Como muitas instituições administram a mobilização com ciclofosfamida em ambulatório, é importante observar que o custo-benefício de plerixafor como agente de mobilização inicial é maior, mesmo se o custo de hospitalização da mobilização com ciclofosfamida for removido; a relação de custo da ciclofosfamida é 1,3 vez a do plerixafor.2

Plerixafor (Mozobil®): Entendendo suas propriedades para a mobilização de células-tronco hematopoiéticas em comparação ou associação com G-CSF


Plerixafor (Mozobil®) é um antagonista do receptor CXCR4 que desempenha papel fundamental no direcionamento das células CD34+ na medula óssea. A inibição desse receptor libera as células CD34+ para a circulação, permitindo que sejam coletadas facilmente por aférese.3


Em adultos com neoplasias, as células progenitoras mobilizadas do sangue periférico (CD34+) são a fonte preferencial de células-tronco hematopoiéticas para transplantes autólogos e transplantes alogênicos compatíveis, e o sucesso da quimioterapia e do transplante de células-tronco hematopoiéticas depende da boa coleta dessas células.3,4


A administração do fator estimulante de colônias de granulócitos (G-CSF) mobiliza as células-tronco do sangue periférico, mas cerca de 5% a 10% dos pacientes necessitam de múltiplas aféreses de grande volume ou coleta de medula óssea para atingir a meta celular.3


Por essa razão, foram realizados estudos com o uso de plerixafor associado com G-CSF para investigar as propriedades de mobilização de células-tronco hematopoiéticas.3,4


O uso de plerixafor pode mobilizar números substanciais de células progenitoras hematopoiéticas na circulação. Um estudo observou que os produtos da aférese recolhidos de oito pacientes saudáveis mobilizados com uma única injeção de 240 µg/kg de plerixafor continham cerca de 81×106 células/kg de CD19+, 274×106 células/kg de T CD3+ e 1,6x106 células/kg de CD34+. O plerixafor mobilizou, preferencialmente, células CD34+, em seguida monócitos e linfócitos.3


Dentro do compartimento linfocitário, as células B foram preferencialmente mobilizadas, seguidas pelas células T e células NK. A contagem total de leucócitos e os números sanguíneos absolutos de neutrófilos, monócitos, linfócitos e células CD34+ aumentaram significativamente após a administração de plerixafor.3


A adição de plerixafor ao G-CSF tem um importante efeito sinérgico na mobilização de células progenitoras em pacientes submetidos ao transplante autólogo.3 Um estudo avaliou a eficácia e a segurança da combinação de plerixafor com G-CSF para a mobilização de células-tronco hematopoiéticas em pacientes com mieloma múltiplo.4


Nesse estudo multicêntrico de fase 3, randomizado, duplo-cego e placebo-controlado, os pacientes receberam G-CSF (10 µg/kg) por via subcutânea diariamente, por até oito dias e, a partir do quarto dia, passaram a receber plerixafor (240 µg/kg) ou placebo por via subcutânea. A partir do quinto dia, os pacientes começaram a fazer aférese diária por até quatro dias ou até que fosse coletada quantidade maior ou igual a 6x106 células/kg de CD34+ (desfecho primário, com até duas aféreses). Um total de 106 de 148 pacientes (71,6%) no grupo plerixafor e de 53 de 154 pacientes (34,4%) no grupo placebo atingiu o desfecho primário em até duas aféreses (p<0,001).4


Entre os pacientes tratados com plerixafor, 54% atingiram o objetivo após uma única aférese, enquanto 56% dos pacientes tratados apenas com G-CSF necessitaram de quatro aféreses para atingir o objetivo. Portanto, um dos achados mais importantes desse estudo é que a adição de plerixafor permitiu a coleta da dose ótima de células CD34+ em um dia de aférese em comparação com quatro dias de aférese com o uso isolado de G-CSF.4

 

Em conclusão, esses resultados mostram diferenças importantes na composição celular de produtos mobilizados com plerixafor e a mobilização mais rápida de células progenitoras primitivas CD34+ em comparação ao G-CSF.3,4