Revisão da carteirinha de vacinação no ato da matrícula


Em 2004, o Ministério da Saúde publicou uma portaria (597/2004)1 que tornou obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação atualizado de acordo com o calendário de vacinação e com a faixa etária para a matrícula em creches, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio e universidade. No município de Recife, a carteira de vacinação faz parte dos documentos necessários para matricular a criança, no entanto as escolas não estão capacitadas para conferir se há vacinas em atraso. Assim, não há conferência ou mesmo indicação da necessidade de atualização desse documento. Segundo Elizabeth Azoubel, coordenadora do Programa Nacional de Imunização de Recife, “exigir a carteira de vacinação não é de grande serventia se não houver checagem das vacinas em atraso”.

Vacinação em escolas     


Nos anos 2014 e 2015, a vacina contra o HPV foi incorporada ao serviço público. Nesses dois anos, houve campanhas de vacinação nas escolas por determinação do Ministério da Saúde e, em 2016, a vacina foi integrada ao calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a vacinação passou a ser realizada nas salas de vacina em todo o país.2 

“Para cumprir a determinação federal, em 2014, a equipe da Secretaria da Saúde se reuniu com os diretores de escolas privadas, com o sindicato dos professores e com a Secretaria de Educação para esclarecer o objetivo e o plano da campanha”, informou Elizabeth. “Na época, a falta de recursos humanos apresentou-se como a maior dificuldade, sendo necessário fechar contratos de dois anos com técnicos de enfermagem e enfermeiros. Lembrando que, apesar do fornecimento da vacina pelo Ministério da Saúde, toda a logística era de responsabilidade municipal”, continuou.
De acordo com Elizabeth Azoubel, nesse contexto, foram realizadas palestras para os responsáveis pelas crianças e adolescentes. Não houve distribuição de material, apenas algumas cartilhas fornecidas pelo Ministério da Saúde foram entregues nas palestras. O Programa Saúde na Escola também se mostrou muito importante ao ensinar aos alunos a importância da vacinação para conscientizar crianças e adolescentes.

Antes do período de vacinação, as escolas enviaram as listas com o número de alunos para a Secretaria de Saúde definir a quantidade de doses necessárias. Em cada equipe de vacinação nas escolas, havia um enfermeiro e três técnicos de enfermagem, explicou a coordenadora. 

Os frascos de vacina eram transportados em caixas térmicas de poliuretano com temperatura entre +2 e +8 °C, garantida por termômetros, bobinas recicláveis e plástico bolha em volta das bobinas. As doses não utilizadas na campanha, se estivessem em frascos fechados e mantidos em temperatura entre +2 e +8 °C, retornavam ao estoque.3

Na escola, os professores auxiliavam a organizar as filas, pois eram vacinados os alunos de uma sala por vez e cerca de 200 alunos por turno. Caso o aluno não comparecesse à escola no dia da vacinação, o aluno e o responsável eram orientados a comparecer ao posto de vacinação mais próximo da sua residência.3

“Com esses procedimentos para a imunização contra o HPV nas escolas em 2014, a cobertura vacinal chegou a 100% na primeira dose e em torno de 80% na segunda dose no Recife. Em 2015, a cobertura chegou a 80% na primeira dose e em torno de 70% na segunda dose”, explicou a coordenadora. No entanto, quando deixou de ser realizada nas escolas, houve queda nessa cobertura vacinal e a meta não foi mais atingida nos anos subsequentes. 

“Se essa campanha nas escolas fosse realizada hoje, seria muito mais complicada. Atualmente, há muitas fake news sobre as vacinas. A vacina contra o HPV, por exemplo, foi alvo da mídia em relação aos eventos adversos. Entretanto, após o esclarecimento dos fatos, não houve cobertura da mídia para informar que as meninas estavam bem e que não havia sido reação da vacina e, sim, ansiedade típica dos adolescentes”, esclareceu.

Elizabeth Azoubel explica que, em Recife, aplica-se rotineiramente a vacina contra influenza nas escolas. Na época da campanha, a vacinação é realizada nas creches públicas. Nesse modelo, o município foi dividido em oito distritos sanitários e cada distrito é responsável pelas creches de sua abrangência. Além da campanha de vacinação para influenza, o cartão de vacinação das crianças de 6 meses até 6 anos de idade também é atualizado. Para viabilizar o procedimento, a creche envia um comunicado aos responsáveis sobre o dia da vacinação para que autorizem o procedimento e disponibilizem o cartão de vacina. A criança é imunizada sem a presença dos responsáveis. 

Em 2020, todas as ações nas escolas foram impossibilitadas por causa da pandemia e, consequentemente, a cobertura vacinal caiu drasticamente. “Esses fatos demonstram que a vacinação na escola para adolescentes é muito mais eficiente e eficaz do que nos postos de saúde”, concluiu.