Efetividade da vacina da gripe contra hospitalizações nos Estados Unidos (2019-2020)1


O vírus influenza causa uma importante morbidade e mortalidade e pode esgotar os recursos hospitalares durante os períodos de circulação aumentada. Nós avaliamos a efetividade da vacina de gripe contra hospitalizações associadas à gripe nos Estados Unidos nos anos de 2019-2020. Foram incluídos adultos hospitalizados com doença respiratória aguda em 14 hospitais, testados para o vírus influenza por RT-PCR. A efetividade da vacina (EV) foi estimada pela comparação da chance de vacinação contra influenza na temporada atual nos casos testados positivos para influenza versus os controles (testes negativos), ajustando para fatores de confusão. 

A EV foi estratificada por idade e os principais tipos de influenza circulantes, juntamente com subgrupos genéticos A(H1N1)pdm09. Foram incluídos 3116 participantes, sendo 553 casos positivos para influenza. A idade mediana foi 63 anos. 67% (n=2079) receberam a vacina contra influenza (18%). A EV global ajustada contra os vírus influenza foi de 41% (intervalo de confiança [IC] 95%, 27% - 52%). A EV contra o vírus influenza tipo A(H1N1)pdm09 foi de 40% (IC 95%, 24%-53%) e 33% contra o vírus da influenza tipo B (IC 95%, 0-56%). Para os dois principais subgrupos A(H1N1)pdm09 (representando 90% dos vírus H1N1 sequenciados), a EV contra um grupo (5A +187ª, 189E) foi 59% (IC 95%, 34% - 75%), enquanto nenhuma EV foi observada contra o outro grupo (5ª + 156K) (-1%, IC 95% -61% - 37%]). Em uma população primariamente mais velha, a vacinação contra a gripe foi associada a uma redução de 41% no risco de hospitalização pela gripe.

Papel das vacinas combinadas com componentes de coqueluche para recuperação de esquemas na América Latina2


As vacinas com componente acelular (aP) de pertussis foram desenvolvidas por conta da maior reatogenicidade (em particular eventos neurológicos) apresentada pelas vacinas com componentes de células inteiras (wP).

Esses eventos condicionaram uma menor aceitação e uma diminuição da cobertura vacinal, o que pode resultar em um ressurgimento de doenças imunopreveníveis e causar surtos de coqueluche devido à sua alta contagiosidade.

Atualmente, existem 3 vacinas hexavalentes disponíveis com componente aP. Diferenciam-se principalmente em relação ao número de antígenos de pertussis (dois, três ou cinco), à produção dos componentes de hepatite B, ao tipo de proteína transportadora de polirribosil fosfato de Haemophilus influenzae tipo b e em relação à apresentação que pode ser líquida ou liofilizada.

Os estudos mostram que as vacinas aP, tanto as de dois, três ou cinco antígenos, têm uma eficácia similar à das vacinas wP para o esquema primário de vacinação com três doses, e podem ser coadministradas com outras vacinas do calendário (pneumocócica, meningocócica, rotavírus). Os estudos epidemiológicos também indicam que não há diferenças significativas na incidência de coqueluche entre os países que utilizam esquemas com vacinas wP ou aP. Embora a duração da proteção seja maior nas vacinas wP, isso não tem impacto na efetividade uma vez que a coqueluche é cíclica e são observados surtos tanto em países que utilizam a vacina wP como naqueles que utilizam aP.

Devido à alta contagiosidade da doença (R0 de 12-17), são necessárias coberturas vacinais maiores que 92% para interromper de forma mais efetiva sua transmissão na comunidade, sendo que o ressurgimento da coqueluche é um marcador precoce e de alerta para o decréscimo nas coberturas vacinais.

As vacinas com componente acelular de pertussis (aP) são mais seguras e melhor toleradas. Em um estudo retrospectivo realizado em 25 países da América Latina, foi observado que as vacinas wP apresentavam 2,7 vezes mais eventos adversos, 9 vezes mais febre elevada, 4 vezes mais dor local e 1,2 vezes mais sonolência do que as vacinas aP.

As estratégias possíveis para um melhor controle dessa doença incluem a otimização do uso das vacinas disponíveis para conseguir coberturas vacinais altas e sustentadas ao longo do tempo, incluindo a vacinação precoce de lactentes desde as 6 semanas de idade, a vacinação de gestantes, os reforços em adolescentes e adultos (a cada 10 anos), e o desenvolvimento de novas vacinas mais eficazes, seguras e de proteção mais prolongada.

Impacto da vacina meningocócica B na doença meningocócica invasiva em adolescentes3


A partir de 2017, realizou-se na Austrália um ensaio randomizado por clusters estaduais para avaliar o impacto da vacina meningocócica B 4CMenB no estado de portador faríngeo de Neisseria meningitidis em adolescentes. As escolas de ensino médio foram randomizadas para receber a vacina em 2017 (intervenção) ou 2018 (controle). Nesse estudo, relatamos o impacto da vacina 4CMenB na doença meningocócica invasiva (DMI) sorogrupo B em adolescentes de 16 a 19 anos de idade no sul da Austrália.

Essa análise de séries temporais dos casos de DMI por sorogrupo B compara os 14 anos anteriores ao início do estudo (2003-2016) com os 2 anos seguintes à vacinação de 4CMenB da coorte de adolescentes do ano de 2017.

Aproximadamente 62% dos alunos do 1° ano e 2° ano do ensino médio (10ª-11ª série) (15-16 anos de idade) no sul da Austrália foram incluídos no estudo. Um total de 30.522 alunos do ensino médio (10a-12ª série) receberam pelo menos uma dose da vacina 4CMenB. O número de casos de DMI por sorogrupo B em adolescentes com 16-19 anos de idade no sul da Austrália aumentou em média 10% por ano no período entre 2003 e 2016 (intervalo de confiança de 95% [IC 95%], 6%-15%, p <0,001), atingindo o pico com 10 casos em 2015. Houve redução nos casos de DMI por sorogrupo B: 5 em 2017-2018 e 1 em 2018-2019, abaixo dos números esperados de 9,9 (intervalo de previsão de 95% [IP 95%], 3,9-17,5) e 10,9 (IP 95%, 4,4-19,1) respectivamente, o que se traduziu em uma redução geral no número de casos de DMI por sorogrupo B de 71% (IC 95%, 15%-90%, p= 0,02). Não houve casos de DMI por sorogrupo B em adolescentes vacinados.

A vacinação de 4CMenB em adolescentes foi associada com a redução da doença meningocócica pelo sorogrupo B no sul da Austrália.