IDENTIFICAÇÃO

Paciente do sexo masculino, 37 anos, carioca, gerente de marketing de empresa de telefonia, casado e com dois filhos.

ANTECEDENTES PESSOAIS

O segundo filho de uma prole de quatro, nasceu a termo de parto normal. Sempre foi saudável, mantendo atividades esportivas ligadas à água (surfe, remo e esqui aquático). Mantém hábitos alimentares saudáveis. Nega tabagismo e uso de drogas ilícitas; usa bebidas alcoólicas com muita moderação. Nega cirurgias e doenças crônicas.

ANTECEDENTES FAMILIARES

Pais casados, vivos e saudáveis, assim como os irmãos, todos sem história de doenças crônicas graves. Pai com hipertensão leve.

HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL

Há sete meses (tempo sempre referente à primeira consulta comigo), sofreu uma contusão no joelho durante prática de surfe. Foi tratado com anti-inflamatório não esteroide, não lembra por quanto tempo, mas a dor, ou “certo incômodo” (sic), permaneceu, o que fazia com que acordasse algumas vezes à noite. Inicialmente conseguia voltar a dormir, mas depois de algum tempo (não sabe precisar quanto) ficava cerca de duas horas fora da cama durante a madrugada. Dizia que tinha “aprendido a acordar de madrugada” (sic). A esposa é psicóloga e sugeriu que se submetesse
a uma terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I). Teve resposta parcial ao tratamento e perdeu o medo de não dormir; no entanto, continuava acordando à noite, embora por menos tempo, mas ainda com prejuízo nas atividades do dia seguinte. Não conseguia acordar cedo para remar e se queixava de sonolência durante o dia, o que configura débito de sono.

HIPÓTESE DIAGNÓSTICA. 

Transtorno de sono-vigília do tipo dificuldade de manter o sono.
 
JUSTIFICATIVA

A ideia era que houvesse as duas liberações da droga devido à dupla camada do comprimido, o que possibilita uma liberação no momento da administração e outras algumas horas mais tarde.2 (Figura 2)

EVOLUÇÃO E DESFECHO

A TCC-I foi mantida; com o uso de hipnótico não benzodiazepínico de liberação prolongada (CR) de 6,25 mg, o sono foi voltando ao normal, como se esperava. O medicamento melhorou a indução, a manutenção e a duração do sono, sem prejuízo da vigilância e do desempenho no dia seguinte.3,4

COMENTÁRIOS

O paciente atingiu o objetivo do tratamento a partir do momento em que se combinou a TCC-I com o hipnótico não benzodiazepínico. Há casos em que só a TCC-I resolve a situação da insônia. 
Na metanálise conduzida por Trauer et al.,5 vê-se que os melhores resultados da TCC-I são observados nos casos de insônia não comórbida. No caso em questão, porém, uma vez que a insônia associou-se à dor, foi necessário acrescentar o indutor do sono e, como a queixa do paciente era de sono interrompido, a melhor opção foi o hipnótico não benzodiazepínico de liberação prolongada (CR), como ilustrado na figura 1.