É importante acompanhar o indicador de TEV, já que ele evidencia o progresso e o impacto das intervenções profiláticas, e pode permitir oportunidades de aperfeiçoamento.
A dificuldade de garantir um bom sistema de métricas na prevenção de TEV representa um dos principais desafios no gerenciamento dos indicadores. Essa inabilidade pode ocorrer pela falta de apoio e de priorização institucional ou pela dificuldade de desenvolver e implementar um protocolo que esteja alinhado às definições operacionais mensuráveis.4

A ficha técnica de um indicador de TEV pode ser composta das seguintes informações:5 
  • Título: nome do indicador e descrição objetiva;
  • Origem: nome da instituição;
  • Nível: estrutura, processo ou resultado;
  • Método de cálculo: fórmula utilizada para calcular o indicador;
  • Periodicidade: frequência da mensuração;
  • Definição de termos: descrição de conceitos e termos utilizados;
  • Racionalidade: justificativa e evidência que suporta a implementação;
  • Interpretação: explicação sucinta do tipo de informação e significado;
  • Limitações: fatores que restringem a interpretação;
  • Fontes de dados: fonte primária na qual os dados podem ser obtidos.
 
No gerenciamento de TEV, os indicadores de resultado avaliam o impacto das intervenções implementadas sobre determinado desfecho clínico, e os indicadores de processo evidenciam as principais etapas de intervenções na prevenção de TEV baseada na descrição do protocolo de prevenção de TEV da organização. Em geral, uma boa medição do processo apresenta estreita relação com os resultados. A “incidência de profilaxia correta de TEV” (indicador de processo) pode potencialmente apresentar relação mais causal com o principal desfecho clínico de “TEV associado à hospitalização” (indicador de resultado).4

É importante acompanhar o indicador de TEV, já que ele evidencia o progresso e o impacto das intervenções profiláticas, e pode permitir oportunidades de aperfeiçoamento.

Tão importante quanto a escolha dos indicadores e seu acompanhamento, é fundamental a realização da análise periódica a fim de verificar seu resultado no período predeterminado.6 Em pacientes cirúrgicos, a avaliação do risco de TEV deve ser realizada antes do procedimento ou em até 24 horas após o procedimento quando isso for devidamente justificado. Além disso, deve existir evidência do escore de risco documentado no prontuário e a justificativa no caso de contraindicação ou de uso de alternativas à profilaxia anticoagulante.

Algumas ferramentas de qualidade podem ser incorporadas no processo de avaliação e análise dos indicadores de TEV, como o ciclo PDSA (Plan, Do, Study and Act) ou a auditoria de prontuário por amostragem. Algumas recomendações sugerem que a seleção aleatória de 20 a 30 prontuários por mês pode apresentar adequação estatística no caso da maioria dos hospitais, além de ser relativamente rápida e fácil.4

O desafio central da instituição é desenvolver um protocolo de prevenção de TEV que funcione em relação à maioria dos pacientes ao mesmo tempo em que permita principalmente a individualização do tratamento, ou seja, a padronização do cuidado. Nesse sentido, a automatização das medidas por meio de relatórios informatizados pode ajudar.

Em relação aos modos de falha, cabe à auditoria aleatória de prontuário a busca dos pacientes que passaram despercebidos e, simultaneamente, a identificação de falhas das intervenções de maneira a contribuir nas análises dos dados.4