Há uma variação regional e temporal na prevalência dos diferentes sorogrupos, tornando desejável uma vacinação de maior espectro.1,2

A colonização de nasofaringe é condição necessária para o desenvolvimento da doença. Adolescentes apresentam as maiores taxas de colonização (5% a 15%). O ser humano é o único reservatório do meningococo e a transmissão ocorre por contato direto (de pessoa para pessoa) ou pelo contato com as secreções nasofaríngeas (gotículas) da pessoa infectada.3 

O meningococo é responsável por infecções extremamente graves. A doença meningocócica invasiva (DMI) pode se manifestar clinicamente como meningite meningocócica (mais frequente), meningococcemia (forma mais grave) e outras menos frequentes, como pneumonias, artrites, entre outras.

Pode ocorrer uma progressão rápida do quadro a partir de sintomas inespecíficos, evoluindo para formas graves em até 24 horas, inclusive levando ao óbito.4

Os sintomas mais comuns são: cefaleia, odinofagia, polidipsia, dores em geral, febre, perda de apetite, náuseas, vômitos, irritabilidade, tontura, dispneia, diarreia, petéquias, sufusões hemorrágicas, musculatura rígida do pescoço, pés e mãos frios, coloração anormal na pele, confusão e coma.3,4

São relatadas taxas elevadas de letalidade, de 10% a 20%, sendo maiores pelo sorogrupo W (>30%). Entre os sobreviventes, observa-se sequelas permanentes em 10% a 20%: amputação de membros, surdez, perda de visão, dificuldade de memória e aprendizado, entre outras.4

Fatores de risco


Embora a doença possa se desenvolver em todas as idades, o grupo etário de maior risco são as crianças menores de 5 anos, especialmente os lactentes no primeiro ano de vida.

Acomete, na maioria das vezes, indivíduos saudáveis, porém alguns fatores de risco são bem descritos: deficiência de complemento, asplenia, imunocomprometidos, uso de alguns anticorpos monoclonais, entre outros.5

Fatores ambientais e de exposição são também relacionados a um maior risco: aglomeração doméstica, exposição ao tabaco, infecções recentes do trato respiratório, residir em alojamentos, entre outros.5

A doença no Brasil é endêmica atualmente, com o predomínio do sorogrupo C, porém surtos esporádicos ocasionados por outros sorogrupos podem ocorrer, em geral, acometendo adolescentes e adultos jovens. A imprevisibilidade da circulação dos diferentes sorogrupos é um desafio na prevenção da DMI.6,7

Os sorogrupos A, B, C, W e Y causam quase todos os casos de DMI e, felizmente, já dispomos de vacinas para todos eles.8

A vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da doença, e as vacinas meningocócicas conjugadas são capazes de, além de prevenir casos entre os vacinados (proteção direta), reduzir o estado de portador assintomático, diminuindo, dessa forma, a transmissão do agente na comunidade (proteção indireta).8

As vacinas meningocócicas conjugadas proporcionam uma resposta imune dependente dos linfócitos T, que as tornam:9
  • Imunogênicas em lactentes jovens;
  • Indutoras de memória imunológica;
  • Mais eficientes na produção de anticorpos;
  • Protetoras em mais longo prazo;
  • Capazes de reduzir o estado de portador, possibilitando proteção coletiva.
O Brasil introduziu no Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2010, a vacina conjugada monovalente contra o sorogrupo C para crianças menores de 2 anos e em 2020 ampliou a proteção com a vacina quadrivalente (ACWY) para adolescentes de 11-12 anos de idade.10

Existem várias vacinas meningocócicas conjugadas ACWY (MenACWY) disponíveis no Brasil, e, recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a vacina MenQuadfi® da Sanofi Pasteur, que utiliza o toxoide tetânico como carreador proteico.11

Os estudos de licenciamento da vacina demonstraram respostas imunes robustas, para todos os sorogrupos e especialmente para o sorogrupo C, em diferentes situações em crianças e adolescentes acima de um ano de idade. Extremamente segura, pode apresentar eventos adversos locais comuns como dor, inchaço e vermelhidão. Febre, irritabilidade, inapetência podem ocorrer. Os dados mostram também que a vacina pode ser aplicada concomitante a outras vacinas do calendário infantil e do adolescente.11

Apesar da diferenciada resposta imune conferida por Menquadfi, até o momento, estudos demonstram um declínio dos títulos de anticorpos e da proteção conferida pelas vacinas meningocócicas conjugadas após cerca de cinco anos de sua aplicação, sugerindo a necessidade de doses de reforço após 5 anos do esquema primário realizado na infância e na adolescência.12  

Importante destacar que para indivíduos de todas as idades que apresentam algumas condições clínicas de maior risco, as vacinas meningocócicas conjugadas também estão disponibilizadas gratuitamente pelo PNI nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) – consultar o Manual do CRIE.13

Recomendações da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)


As sociedades brasileiras de imunizações e de pediatria recomendam, sempre que possível, o uso preferencial das vacinas MenACWY no primeiro ano de vida e reforços, possibilitando uma proteção mais ampliada. Esquema: aplicadas aos 3 e 5 meses e um reforço a partir de um ano de idade. Acima de um ano de idade, recomenda-se uma única dose.
São recomendadas doses de reforços entre 5 e 6 e aos 11 anos de idade (ou 5 anos após a última dose), tendo em vista a queda dos títulos de anticorpos protetores.14,15 

Conclusões

  • As vacinas MenACWY conjugadas são eficazes e diminuíram de forma significativa os casos da DMI em todos os cenários e locais onde foram introduzidas. Apresentam um ótimo perfil de segurança, sem relatos de eventos adversos graves. Pela maior valência, consequentemente, oferecem uma maior proteção.11
  • A eficácia protetora das vacinas MenACWY diminui com o tempo, em especial quando administradas em crianças pequenas. Como títulos de anticorpos elevados são fundamentais para uma rápida proteção, fica evidenciada a necessidade de reforços para manter esses altos níveis. Recomendações essas contempladas pelas sociedades científicas.14,15
  • Adequadas coberturas vacinais são fundamentais, tanto para a proteção individual como para a proteção coletiva.1,2

Os estudos de licenciamento da vacina MenQuadfi demonstraram respostas imunes robustas para todos os sorogrupos e, especialmente, para o sorogrupo C, trazendo mais uma excelente opção para a proteção contra doença meningocócica.11 

ADVERTÊNCIA OBRIGATÓRIA Art. 28º - RDC 96/08.
Principal contraindicação

MenQuadfi® é contraindicada em qualquer pessoa com uma reação de hipersensibilidade sistêmica conhecida a qualquer componente da MenQuadfi® ou após administração anterior da vacina ou de uma vacina que contenha os mesmos componentes.
Principal interação medicamentosa 
MenQuadfi®
não deve ser misturada com nenhuma outra vacina no mesmo frasco para injetáveis. Se a MenQuadfi® precisar ser administrada ao mesmo tempo que outra vacina injetável, a imunização deve ser realizada em membros diferentes.

MenQuadfi®
Vacina meningocócica ACWY (conjugada)

INDICAÇÕES: MenQuadfi ®
é uma vacina indicada para a imunização ativa primária e de reforço para a prevenção da doença meningocócica invasiva causada pelos sorogrupos A C, W e Y de Neisseria meningitidis. MenQuadfi ® é indicada para uso adulto e pediátrico a partir de 12 meses de idade. O uso do MenQuadfi ® deve ser determinado com base em recomendações locais. CONTRAINDICAÇÕES: Hipersensibilidade: MenQuadfi® é contraindicada em qualquer pessoa com uma reação de hipersensibilidade sistêmica conhecida a qualquer componente da MenQuadfi® ou após administração anterior da vacina ou de uma vacina que contenha os mesmos componentes. ADVERTÊNCIAS E PRECAUÇÕES: MenQuadfi® não deve ser administrada via subcutânea, intravascular ou intradérmica. Doença febril aguda grave: A vacinação deve ser adiada em indivíduos que sofrem de uma doença febril aguda grave. No entanto, a presença de uma infecção menor, como o resfriado, não deve resultar no adiamento da vacinação. Síndrome de Guillain-Barré: A síndrome de Guillain-Barré (SGB) foi relatada em relação temporal após a administração de outra vacina meningocócica quadrivalente polissacarídica conjugada. A decisão do profissional de saúde de administrar MenQuadfi® a pessoas com histórico de GBS deve levar em consideração os benefícios esperados e os riscos potenciais. Imunocompetência alterada: Resposta imunológica reduzida: Alguns indivíduos com imunocompetência alterada, incluindo alguns que recebem terapia imunossupressora, podem ter respostas imunológicas reduzidas ao MenQuadfi®. Deficiência de Complemento: As pessoas com certas deficiências de complemento e as pessoas que recebem tratamento que inibe a ativação terminal do complemento (por exemplo, eculizumab) apresentam risco aumentado de doença invasiva causada por N. meningitidis, incluindo doença invasiva causada pelos sorogrupos A, C, W e Y, mesmo se eles desenvolvem anticorpos após a vacinação com MenQuadfi®.Gravidez: Dados limitados estão disponíveis sobre o uso de MenQuadfi® em mulheres grávidas. Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: MenQuadfi® não deve ser misturada com nenhuma outra vacina no mesmo frasco para injetáveis. Se a MenQuadfi® precisar ser administrada ao mesmo tempo que outra vacina injetável, a imunização deve ser realizada em membros diferentes. As respostas anti-pertussis após a vacina Tdap administrada concomitantemente com a vacina MenQuadfi® e HPV versus Tdap administrada concomitantemente com a vacina HPV não atingiram a não inferioridade para os antígenos FHA, PRN e FIM. Como não existem correlatos sorológicos estabelecidos de proteção para a coqueluche, as implicações clínicas das respostas ao antígeno da coqueluche observadas são desconhecidas. POSOLOGIA E MODO DE USAR: MenQuadfi® deve ser administrado como uma injeção única de 0,5 mL por via intramuscular na região deltoide ou na coxa anterolateral, dependendo da idade e massa muscular do paciente para vacinação primária ou reforço.
REAÇÕES ADVERSAS: Em crianças de 12 a 23 meses: O local da injeção e as reações sistêmicas mais relatadas (≥10%) dentro de 7 dias após a administração de MenQuadfi® em crianças que nunca receberam a vacina meningocócica foram sensibilidade, eritema e inchaço no local da injeção, irritabilidade, choro anormal, perda de apetite, sonolência e febre. O local da injeção e as reações sistêmicas mais relatadas (≥10%) dentro de 7 dias após a administração de MenQuadfi® foram: Em crianças de 2 a 9 anos: dor, eritema e inchaço no local da injeção e mal-estar, mialgia e cefaleia. Crianças e adolescentes de 10 a 17 anos: dor no local da injeção, mialgia, dor de cabeça e mal-estar. Adultos de 18 a 55 anos: dor no local da injeção, mialgia, cefaleia e mal-estar. Adultos maiores de 56 anos: dor no local da injeção, mialgia, cefaleia e mal-estar. Estas reações adversas geralmente foram de intensidade leve ou moderada. Atenção: este produto é um medicamento novo e, embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer eventos adversos imprevisíveis ou desconhecidos. Nesse caso, notifique os eventos adversos pelo Sistema VigiMed, disponível no Portal da Anvisa.

VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. 
IB30092019

Registro MS nº 1.8326.0470 aprovada em 01/02/2021.