A doença meningocócica é uma infecção grave e potencialmente fatal, causada pela bactéria Neisseria meningitidis, sendo a meningite meningocócica a mais frequente delas e a meningococcemia a mais grave. A composição antigênica da cápsula polissacarídica permite a classificação do meningococo em 12 diferentes sorogrupos. São os grupos A, B, C, W, X e Y os principais responsáveis pela ocorrência da doença invasiva. E, consequentemente, de epidemias em todo o mundo.1,2

Os sinais e sintomas incluem início súbito com febre elevada, rigidez de nuca, letargia, confusão mental, náuseas, vômitos e/ou erupção cutânea petequial ou purpúrica. Sem um tratamento adequado e imediato, a infecção pode progredir rapidamente e resultar em morte.1

O homem é o “reservatório” da doença, podendo ser portador nasofaríngeo. As taxas de incidência de portadores são maiores entre adolescentes e adultos jovens. A doença acontece em todas as faixas etárias, entretanto, aproximadamente 30% dos casos notificados ocorrem nas crianças abaixo de 5 anos de idade, principalmente no primeiro ano de vida.  Há, também, um pico de incidência durante a adolescência com significativo risco de mortalidade. Entretanto, é mais reconhecido em países do primeiro mundo e não tão claro no Brasil.2,4

A transmissão é pelo contato direto pessoa a pessoa.2

Cenário mundial


Na Europa, durante décadas, os sorogrupos B e C foram dominantes, mas com o avanço da vacinação houve uma redução significativa nos últimos 20 anos, inclusive com queda no número geral de casos de doença meningocócica invasiva, apesar da taxa de letalidade se manter estável. Isso se deve à introdução da vacinação de rotina contra meningococos, e cada vez mais países europeus recomendam as vacinas ACWY como uma resposta ao aumento do sorogrupo W, que tem sido relacionado à forma septicêmica da doença com maior gravidade e mortalidade quando comparado aos demais sorogrupos, além de acometer pessoas mais velhas.4

O ano de 2020 foi atípico já que, devido ao isolamento social, houve redução de casos de meningite, bem como de demais doenças.5 No entanto, a preocupação em torno do comportamento dos vírus não é exclusividade de um momento pandêmico: estudos mostram um aumento da incidência do sorotipo W nos últimos anos, mesmo quando os números gerais da doença meningocócica estão cada vez menores graças à vacinação.5
No Brasil, a doença meningocócica é endêmica e tem ocorrência de surtos esporádicos. A letalidade situa-se em torno de 20% nos últimos anos e, na forma mais grave, a meningococcemia, a letalidade chega a quase 50%.2,3

O Programa Nacional de Imunizações introduziu em janeiro de 2020 a vacina meningocócica ACWY para adolescentes entre 11 e 12 anos, objetivando a proteção ampliada e atuando no portador nasofaríngeo, porém necessitando de altas coberturas vacinais para impactar na redução de casos em todo o país.5 Isso reforça a necessidade de garantir a plena imunização desse público-alvo.

Entre as principais características do sorogrupo W está um comportamento que o torna ainda mais motivo de atenção: maior taxa de letalidade quando comparado aos demais sorogrupos. Esse fator pode ser intensificado em casos de idade avançada.

A vacinação de rotina para esse sorogrupo deve ser considerada medida eficiente de proteção e controle de surtos.4

Nos siga nas redes sociais:

icon_facebook icon instagram icon podcast