A meningite é uma infecção que pode ser causada por vários agentes, como vírus e bactérias, e vence as defesas do organismo, inflamando as meninges – membranas que protegem o cérebro –, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central. Um dos principais causadores da meningite, o meningococo, está presente em 12% dos adolescentes entre 10 e 19 anos e é uma ameaça para todos.1

Além disso, o meningococo pode invadir a corrente sanguínea e causar danos em vários locais do corpo humano, resultando em uma doença chamada meningococcemia, ou seja, uma infecção generalizada. A doença pode levar a óbito em 24 horas e, entre os sobreviventes, pode levar a sequelas neurológicas graves e até a amputação de membros.2 

Uma das principais preocupações da comunidade médica com o meningococo é o chamado Estado de Portador, quando a bactéria habita a orofaringe sem causar nenhum sintoma.3 A parte delicada é que esse fenômeno é mais frequente do que imaginamos: um estudo brasileiro mostrou que 1 a cada 8 adolescentes carregam o meningococo na boca e garganta (orofaringe).4

Nessa faixa etária, a interação com os colegas é muito maior e simples atividades como a troca de bebidas, alimentos, aglomerações em festas e beijos facilitam a transmissão da doença. No entanto, o bom estado imunológico do grupo, em geral, consegue impedir que a bactéria penetre o organismo e cause danos mais graves.

Crianças, adultos e idosos são os mais afetados


O Estado de Portador na adolescência é um sinal de alerta para todos. Está cientificamente demonstrado que os adolescentes são os maiores transmissores e reservatórios do meningococo, afetando principalmente as crianças. Adultos e idosos também podem ser infectados.

Uma das formas mais eficazes de prevenir a doença é a vacinação. As maiores vítimas do meningococo, os bebês recebem a primeira dose da vacina aos 3 meses, mas é necessário um total de 3 doses para garantir a proteção adequada.5 
A vacinação possui muitos benefícios: além da prevenção, as vacinas mais modernas, conjugadas contra a meningite C e ACWY, também impedem que as bactérias colonizem a boca e o nariz, evitando o Estado de Portador. Sem a colonização, não existe transmissão.5

Por isso, é importante vacinar também os adolescentes, mesmo aqueles já vacinados na infância. Essa recomendação fica ainda mais necessária considerando que os níveis de proteção de uma vacinação recebida na infância caem drasticamente na adolescência.5