Apesar do enorme potencial das vacinas para controlar e até mesmo eliminar doenças específicas, as conquistas da vacinação até agora têm sido descritas como frágeis, especialmente por conta dos surtos de algumas dessas doenças infecciosas em diversos países e diferentes cenários socioeconômicos. Esses surtos refletem a existência de comunidades com crianças e adolescentes parcialmente vacinados ou não vacinados. Assim, a imunidade de rebanho não é alta o suficiente para bloquear a transmissão dessas doenças.

Superar desafios para atingir as metas de cobertura vacinal requer uma abordagem entre diversos setores da saúde e comunidade. Assim, é possível garantir que todas as crianças estejam protegidas contra doenças preveníveis por vacinas. A educação em saúde com enfoque na vacinação de adolescentes deve incluir, além dos benefícios individuais e coletivos, informações sobre segurança vacinal.1,4

Os adolescentes estão entre os grupos prioritários para o Programa Nacional de Imunização (PNI) no Brasil. Isso se deve à alta suscetibilidade a algumas doenças preveníveis por meio da imunização e, principalmente, pela baixa cobertura vacinal. À medida que mais vacinas são recomendadas para uso em adolescentes, a vacinação escolar emerge como um método cada vez mais eficaz. 

Além disso, os registros escolares são uma fonte complementar e precisam de informações sobre a situação vacinal dos alunos. Especialmente pelo fato de nem todas as crianças estarem cadastradas nas unidades de saúde. E aquelas que perderam as datas das doses podem permanecer não identificadas pelo SUS. As escolas também servem como plataformas de defesa da imunização, levando informações sobre a importância e benefícios da vacinação às crianças, adolescentes e pais.1 

Estudos reforçam sucesso a vacinação escolar


Diversos estudos demonstram que projetos que envolvem administração de vacinas em ambiente escolar aumentam a adesão ao calendário de imunização. Por isso, o apoio dos educadores da escola é crucial para o sucesso dos programas de vacinação.2 A vacinação escolar tem sido bem-sucedida em alcançar altas taxas de vacinação contra hepatite B na Austrália, Canadá e Itália, entre outros países europeus,4 e, mais recentemente, contra o HPV no Reino Unido, Canadá e Austrália. A aplicação desses programas mais do que dobrou a captação em adolescentes australianos.

A vacinação em escolas remove diversos obstáculos à vacinação que podem existir em modelos que dependem de cuidados primários. A redução de custos, facilitação de acesso tanto à vacina quanto a um prestador de cuidados primários de saúde são fatores importantes, assim como a redução de tempo para se deslocar e ser vacinado em unidades de saúde ou clínicas de vacinação.

Como os adolescentes têm frequência de atendimento médico menor em comparação a outros públicos, as oportunidades de vacinar são menores,4 principalmente em países que não têm consultas preventivas de rotina em adolescentes. Em países com taxas de frequência escolar maiores, as escolas se tornam um ambiente ideal para a vacinação.4

No cenário pandêmico em que vivemos, a retomada da vacinação é essencial. Isso evita que doenças antigas, porém altamente contagiosas e letais, voltem a circular no território brasileiro. Equipes de alguns municípios brasileiros, por exemplo, adotaram a estratégia de ir até escolas e instituições socioeducativas para vacinar seus adolescentes contra a COVID-19.

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