Sobre o evento

Em 10 de junho de 2021, a Dra. Laura S. Ward, o Dr. José Augusto Sgarbi e a Dra. Patrícia Teixeira discutiram, em torno de casos clínicos, o impacto da COVID-19 sobre a tireoide e o manejo dos portadores de desordens tireoidianas em razão da pandemia. Confira a seguir os highlights desenvolvidos pela Dra. Laura S. Ward e veja o grande sucesso que foi o evento.

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Vírus SARS-COV-2

O vírus SARS-CoV-2, inicialmente descrito na China como causador de uma pneumonia atípica, rapidamente se espalhou por todo o mundo e já causou cerca de meio milhão de mortes no Brasil. A doença por ele causada, a COVID-19, não se limita a atingir os pulmões.1 Causa uma doença sistêmica que tem manifestações também na tireoide.1

Síndrome de T baixo

O primeiro caso clínico discutiu a conduta no paciente em estado grave que apresenta a síndrome do T3 baixo ou do doente não tireoidiano. Com valores de TSH muito baixos, T3 total e T3 livre baixos, o paciente também apresentava T4 livre (T4l) no limite inferior de normalidade. A Dra. Patrícia Teixeira mostrou que tais anormalidades não são raras, e sua severidade se correlaciona com a gravidade do quadro, mas lembrou que elas geralmente são transitórias, de modo que não se recomenda a avaliação tireoidiana em pacientes graves em que não haja suspeita específica de doença da própria glândula.2

Hipotireoidismo na pandemia

Outro aspecto da relação entre a pandemia e a tireoide decorre da prevalência relativamente elevada de hipotireoidismo e de hipertireoidismo no Brasil. Discutindo um caso de hipotireoidismo, a Dra. Patrícia Teixeira lembrou que nenhum estudo mostrou associação entre hipotireoidismo e maior risco de infecção e aumento da morbidade e da mortalidade com COVID-19. Ressaltou que as recomendações contínuas sobre diagnóstico e tratamento de hipotireoidismo devem ser mantidas, evitando-se o monitoramento regular de exames de sangue.2 Recomenda-se a manutenção da dose usual de levotiroxina no paciente que desenvolve COVID-19.2 Também destacou que a consulta via telemedicina é uma opção de ajuste da dose de LT4.2

Caso de doença de Graves na pandemia

Já na discussão sobre uma paciente com diagnóstico de hipertireoidismo por doença de Graves, o Dr. Sgarbi também sugeriu que se mantivesse a conduta habitual, com drogas antitireoidianas como primeira opção terapêutica no caso dos pacientes com diagnóstico recente, e o uso de telemedicina para acompanhamento, mas recomendou postergar o tratamento definitivo para após o fim da pandemia.2 Ressaltou o risco de efeitos colaterais das drogas antitireoidianas, especialmente a agranulocitose.2 Embora rara, a agranulocitose pode ser mais perigosa ainda durante a pandemia e obriga a suspensão de drogas antitireoidianas e a indicação de tratamento definitivo.2

Vacinas em portadores de doença tireoidiana

Nem o hipotireoidismo nem o hipertireoidismo são condições prioritárias para vacinação, e não existem evidências, até o momento, de que os portadores de doenças autoimunes, como Graves ou Hashimoto, tenham maior risco de morbidade ou de mortalidade pelo coronavírus.2 Já os pacientes com câncer de tireoide avançado e em quimioterapia são exceções, assim como os portadores de oftalmopatia de Graves severa em tratamento.2 De fato, o Plano Nacional de Imunização considera prioritários os imunossuprimidos, como os portadores de doenças que usam prednisona (>10 mg/dia) ou que recebem pulsoterapia e/ou ciclofosfamida.3 Os pacientes oncológicos que estão usando quimioterápicos ou que têm recebido radioterapia nos últimos seis meses também são qualificados como prioritários.3

Efeitos adversos da vacina

Finalmente, a Dra. Patrícia Teixeira discutiu os riscos de efeitos adversos da vacinação de portadores de doenças tireoidianas com as vacinas atualmente disponíveis. Mostrou a recente descrição de dois casos de doença de Graves desencadeados possivelmente por adjuvantes da vacina contra a COVID-19, ocorrência que também já foi registrada após a aplicação de vacinas contra HPV, influenza e hepatite B.4 Ressaltou a raridade de efeitos adversos associados à vacinação, absolutamente menos prevalentes que os riscos, por exemplo, de efeitos tromboembólicos causados por infecção por SARS-CoV-2.5

Palestrantes


 

Dra. Laura Sterian Ward (CRM-SP 37.194-0)

Professora Titular da Faculdade de Ciências Médicos da UNICAMP, formada pela UNIFESP com mestrado e doutorado em Clínica Médica Endocrinologia Clínica. Assessora da Pró-Reitoria de Graduação e da Vice-Reitoria de Relações Internacionais na gestão 2014-2017 na UNICAMP, tendo Coordenado o Programa de Mobilidade Estudantil - Ciência sem Fronteiras neste período. Entre as várias premiações recebidas destacam-se o Prêmio Zeferino Vaz de reconhecimento acadêmico concedido pela UNICAMP em 2017, o Prêmio LATS 2011, concedido pela Sociedade Latino-Americana de Tireoide aos pesquisadores que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da pesquisa cientifica na America Latina e o Prêmio de Liderança e Pesquisa do Departamento de Tireoide da SBEM 2020.

 

Dr. José Sgarbi (CRM-SP 51.291)

Endocrinologista e Metabologista graduado pela Faculdade de Medicina de Vassouras com residência Clínica Médica em Endocrinologia e Metabologia pelo Hospital do Servidor Público de SP. Mestre em fisiopatologia em Clínica Médica (Metabolismo e Nutrição) pela Faculdade de Medicina de Botucatu. Doutor em Endocrinologia Clínica pela EPM (USP). Professor Doutor e Chefe da Disciplina da SBEM e Diretor do Depto. De Tireoide da SBEM.

 

Dra. Patrícia Teixeira (CRM-RJ 52-63075)

Presidente do Departamento de Tireoide da SBEM e atual membro do comitê científico do LATS 2021. Endocrinologista com mestrado em Endocrinologia pela UFRJ. Apresenta título de especialista em Endocrinologia pela SBEM e é professora permanente da pós-graduação em endocrinologia pela UFRJ.