Sobre o evento

No evento do dia 29 de julho de 2021, a Dra. Laura S. Ward (CRM-SP 37194) e o Dr. Francisco Fonseca (CRM-SP 28613) responderam às perguntas de uma paciente para discutir a relação entre o hipotireoidismo e a insuficiência cardíaca congestiva (ICC).

O Evento em números

  • 2

    PALESTRANTES

  • 1h30min

    DURAÇÃO DO EVENTO

  • +100

    médicos participaram do evento

Apresentação do highlight

A Dra. Laura apresenta o caso de paciente de 44 anos, hipertensa, diabética e dislipidêmica, com histórico familiar de doença cardíaca e morte precoce do pai aos 45 anos. Queixa principal é de dispneia progressiva que piorou após infecção por COVID-19. Em relação à função tireoidiana, ela apresenta TSH e anticorpos em níveis mais altos que o normal, mas com T4 normal. Ela também discute a ocorrência de hipotireoidismo subclínico na população brasileira.

O Brasil é um dos países que tem maior prevalência de hipotireoidismo.1 Em uma metanálise europeia, relatou-se uma prevalência de 4,94% da população, com a maioria desses indivíduos apresentando hipotireoidismo subclínico.2 O Estudo ELSA, no Brasil, mostrou que a população na faixa entre 65 e 74 anos apresenta cerca de 6% de hipotireoidismo subclínico e mais de 3% de hipotireoidismo clínico.1

Pacientes com problemas de coração

O Dr. Francisco faz considerações sobre a dispneia da paciente, direcionando a discussão para os achados recentes sobre os efeitos cardiovasculares do SARS-CoV-2 em pacientes infectados.

O vírus SARS-CoV-2 pode induzir e/ou exacerbar desordens cardiovasculares subjacentes pelo alto nível de inflamação gerado pela infecção.3 Além disso, a tempestade de citocinas também induz alterações no perfil lipídico dos pacientes, produzindo uma dislipoproteinemia inflamatória, diminuição dos níveis de HDL-C e LDL-C, aumento dos triglicérides e da oxidação de lipoproteínas, baixos níveis de ApoE e efeitos negativos na resolução da inflamação.4

Tireoide e COVID-19

A Dra. Laura aprofunda a discussão sobre os efeitos da COVID-19 na função tireoidiana.

As vias de ativação do sistema imune pelo SARS-CoV-2 são, em parte, similares àquela observada em doenças tireoidianas imunomediadas.5 Já foram detectadas na COVID-19 alterações nos testes de função tireoidiana, o que pode mostrar um envolvimento da tireoide na resposta hiper inflamatória ao vírus, ou uma ação direta do vírus na glândula, por meio do receptor ACE2, encontrado em grande quantidade na tireoide.5 Em um estudo prospectivo, os níveis plasmáticos de hormônios tireoidianos foram correlacionados com a gravidade e mortalidade pela COVID-19, mostrando que os marcadores de função tireoidiana podem ter um valor prognóstico na infecção, embora esse achado ainda deva ser confirmado por outros estudos.6

Tratamento da ICC

O Dr. Francisco discute a insuficiência cardíaca e seu tratamento.

A insuficiência cardíaca é uma doença frequente e um grave problema de saúde pública.7 Uma vez estabelecida, o prognóstico tende a ser ruim, com limitações na qualidade de vida dos pacientes.7 Avanços no tratamento - tendo como base o uso de inibidor da SGLT-2, bloqueador de sistema renina-angiotensina, inibidor da neprilisina e antagonista do receptor mineralocorticoide – levaram à redução da mortalidade.7

Amiodarona

A Dra. Laura discute a necessidade de se estabelecer o diagnóstico definitivo do hipotireoidismo subclínico, além dos prós e contras de se implementar o tratamento com levotiroxina nesses pacientes.

Para o diagnóstico definitivo do hipotireoidismo subclínico, devem ser excluídas as causas de elevação transitória dos níveis de TSH, como o hipotireoidismo induzido por amiodarona.8 Em relação ao tratamento com levotiroxina, pacientes com menos de 65 anos são aqueles que se beneficiam mais fortemente, com diminuição do risco de morte por doença cardiovascular. Entretanto, sabe-se que cerca de metade dos pacientes mantém-se fora das metas terapêuticas,9 e tanto níveis muito altos quanto muito baixos de TSH aumentam o risco cardiovascular.10

Amiodarona e tireoide

A Dra. Laura mostra evolução do caso, com a paciente apresentando fibrilação atrial além da dispneia e discute a tirotoxicose induzida por amiodarona. Ela e o Dr. Francisco consideram a adequação da medicação no caso.

O tratamento com a amiodarona está associado a hipotireoidismo e tirotoxicose induzidos pela droga.11 No hipotireoidismo clínico induzido pela droga, pode-se estabelecer o tratamento com levotiroxina e, nos casos subclínicos, apenas se fazer o acompanhamento.11 Para a tirotoxicose induzida pela droga, o tratamento com corticoides orais/tionamida podem levar à resolução. Em casos específicos, a tireoidectomia de emergência pode ser necessária.11

Função tireoidiana dos pacientes internados por COVID-19

O Dr. Francisco discute a função tireoidiana de pacientes internados por COVID-19.

Demonstrou-se uma correlação prognóstica entre a COVID-19 e a disfunção tireoidiana, sendo que pacientes afetados por ambas apresentaram um risco mais alto de mortalidade e de desfechos clínicos ruins durante a hospitalização.12