Sobre o evento

No recente encontro da American Thyroid Association, que ocorreu virtualmente entre os dias 29 de setembro e 3 outubro de 2021, foram debatidos distúrbios da tireoide, através de palestras, discussões interativas e sessões de encontros com especialistas. Confira, então, os principais pontos em resumo com os doutores Laura Ward e Danilo Vilagellin.

O Evento em números
  • 5

    dias de CONGRESSO

  • 3

    grandes speakers falando sobre o highlights

Alternativas não cirúrgicas para o manejo de nódulos de tireoide

No recente encontro da American Thyroid Association, foram abordadas novas metodologias não cirúrgicas no manejo de nódulos de tireoide,1 uma vez que o uso de métodos cada vez mais sensíveis e disponíveis, aliados ao envelhecimento da população, tem aumentado o número de nódulos diagnosticados.2 Foram abordadas  várias técnicas de ablação térmica para nódulos tireoidianos, como ultrassom de alta intensidade, laser, radiofrequência e ablação por micro-ondas.3 Todas são técnicas efetivas, seguras, com a vantagem adicional de serem técnicas ambulatoriais e menos invasivas.3 Entretanto, antes da indicação dessas técnicas, é importante selecionar o paciente adequado para a técnica adequada, porque diferentes pacientes se beneficiam de diferentes procedimentos: vigilância ativa, cirurgia ou técnicas ablativas não cirúrgicas.4 Apesar dos benefícios, esses procedimentos também apresentam riscos, e esses riscos devem ser abordados no termo de consentimento esclarecido.4 As terapias ablativas não cirúrgicas são alternativa novas e viáveis para tratamento dos nódulos da tiroide, mas seus riscos e benefícios ainda precisam ser mais profundamente estudados.

A necessidade de mais evidências para o uso da combinação T3/T4 no tratamento do hipotireoidismo

No último Congresso da American Thyroid Association (ATA), foram discutidos os paradigmas de tratamento do hipotireoidismo, principalmente a associação de T3 e T4.1 Os estudos existentes sobre combinações trouxeram resultados incertos5 e 10 a 15% dos pacientes com levotiroxina têm queixas crônicas de má qualidade de vida relacionadas ao tratamento.6 Em futuros estudos, a comparação do uso da terapia com T3 e T4 com a levotiroxina deve ser feita em populações de pacientes que têm mais queixas, que usam T4 >1,μg/kg/dia e que apresentam baixos níveis de T3,  incluindo genotipagem de polimorfismos de deiodinases.5 Novos estudos serão realizados nos próximos anos, levando a maior segurança e benefício aos pacientes com queixas crônicas.5

Função tireoidiana e câncer de mama

No último Congresso da American Thyroid Association (ATA),1 aprofundou-se a discussão sobre a já conhecida relação entre os hormônios tireoidianos e carcinogênese.7 A relação da disfunção tireoidiana e câncer de mama é bidirecional: a presença de câncer de mama aumenta a chance de carcinoma de tireoide e vice-versa.7 Em um estudo com mulheres com câncer de mama, observou-se que e as mulheres que tinham valores de TSH dentro da normalidade tinham, de um modo geral, cânceres menos agressivos, e o oposto foi observado nas mulheres com TSH mais alto ao diagnóstico.8 No seguimento dessas pacientes, aquelas com TSH mais elevado apresentaram maior chance de recorrência.8 É importante, portanto, priorizar a avaliação da função tireoidiana em pacientes com risco de câncer de mama.8 Novas vias de sinalização que envolvam hormônios tireoidianos talvez sejam novos alvos terapêuticos nesse tipo de câncer.

Palestrantes

 

Dra. Laura Sterian Ward

(CRM-SP 37194 - RQE 2139 Endocrinologia e Metabologia).
Professora titular e chefe do Laboratório de Genética Molecular do Câncer da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Dr. Danilo Villagelin

MD, PhD (CRM–SP 109461 | RQE 46369 Endocrinologia e Metabologia)
Professor de Endocrinologia e Metabologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC–Campinas). Professor de pós-graduação em Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Diretor do Centro de Pesquisa do Hospital da PUC-Campinas.