Dentre os nutrientes fundamentais, pode-se destacar o zinco, que apresenta papel essencial em diversos processos bioquímicos e fisiológicos relacionados ao crescimento e função cerebral,1 além de atuar como fator de sinalização, catalizador de enzimas e regulador do estado inflamatório do corpo.3 

No que tange à ação do zinco no sistema nervoso, estudos mostram uma possível associação com a depressão, por meio de diferentes atuações. Uma delas seria o papel antioxidante e anti-inflamatório da suplementação de zinco, relacionado à redução dos níveis de proteína C reativa (PCR), que foi associada à depressão.1 

Outro possível mecanismo avaliado seria pelo aumento dos níveis de cortisol em ratos, quando submetidos a uma dieta deficiente em zinco. Esse nível de cortisol, constantemente elevado, tem sido implicado no desenvolvimento de depressão por meio da hiperatividade do eixo hipotálamo hipófise adrenal (HPA).

Além disso, altas concentrações de zinco podem afetar a função dos linfócitos, causar deficiência de cobre, induzir a morte neuronal e aumentar a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs), que podem levar a importantes consequências fisiopatológicas, como a neurodegeneração.4 

Devido ao crescente aumento da obesidade no mundo, outro importante aspecto do zinco que vem sendo estudado é sua atuação na fisiopatologia de doenças metabólicas, como obesidade e diabetes mellitus tipo II.2,3 Por desempenhar um importante papel antioxidante, ele auxilia na melhora do estresse oxidativo do corpo, um relevante componente da síndrome metabólica.3 Além disso, o mineral é essencial para a síntese adequada da insulina, para seu armazenamento e sua estabilidade estrutural, tendo ainda efeito mimético ao da insulina, estimulando a lipogênese e a captação de glicose em adipócitos isolados.

Afora sua ação no sistema nervoso e na fisiopatologia das doenças metabólicas, a ação do zinco no sistema imune é amplamente estudada. Sua homeostase é essencial no controle de doenças autoimunes e doenças inflamatórias, como esclerose múltipla e diabetes mellitus tipo I,5 além de atuar nas principais atividades anticâncer do organismo.6 Ele é responsável por regular diferentes aspectos do sistema imunológico, atuando na resposta imune inata, na resposta imune adaptativa, na progressão do ciclo celular, na maturação e na diferenciação celular.5 

Sua deficiência está associada a alterações como: redução da adesão de monócitos ao endotélio e da fagocitose de macrófagos; diminuição da atividade de citocinas secretadas por células T e por macrófagos e da liberação de interleucinas e anticorpos; função incorreta das células T e B; desequilíbrio entre a proporção de Th1 e Th2 e entre células T reguladoras e próinflamatórias; e ao enfraquecimento da função das células NK,5,6 além da possível inibição dos linfócitos Th17, que conferem suscetibilidade a doenças autoimunes devido às suas fortes propriedades inflamatórias.

Recentemente, com o impacto da pandemia de COVID-19 em todo o mundo, aumentou-se o interesse por alternativas terapêuticas. Nesse contexto, o zinco ganha destaque também pela sua importância nas infecções virais, como infecções por SARS-CoV-2.7 Sabe-se que a suplementação de zinco melhora a depuração mucociliar, fortalece a integridade do epitélio, diminui a replicação viral, preserva a imunidade antiviral, atenua o risco de hiperinflamação, suporta os efeitos antioxidantes, reduz riscos de danos pulmonares e minimiza infecções secundárias.7 Devido à sua importância nos processos biológicos, a ingestão de alimentos fontes de zinco, como carnes bovinas, peixes, aves, queijos, frutos do mar, cereais de grãos integrais e sementes (Tabela 1), é fundamental. Porém, a ingestão alimentar não garante os níveis adequados do mineral no corpo, devido à sua biodisponibilidade que pode ser prejudicada pela presença de fitato e oxalato nos alimentos, além da presença de cálcio na refeição.8
A deficiência de zinco afeta de 20 a 25% da população mundial, sendo o quinto maior fator de risco à saúde nos países em desenvolvimento e o décimo primeiro no mundo.5 Por isso, a suplementação de zinco deve ser realizada sempre que necessário a fim de evitar desfechos negativos em saúde.