Um artigo elaborado por pesquisadores da Áustria relatou a experiência com o uso de amissulprida (50 mg) como agente potencializador para sete pacientes com depressão de difícil tratamento.1

Todos os pacientes foram inicialmente tratados como pacientes hospitalizados no Departamento de Psiquiatria do Hospital Universitário Kepler na Áustria e apresentaram alguma forma de resistência ao tratamento.

A adição de amissulprida 50 mg funcionou notavelmente bem para o tratamento da depressão, mesmo em casos com alto grau de resistência à terapia, como ocorreu em três pacientes. Além disso, um caso de depressão breve recorrente, que é tipicamente considerado de difícil tratamento, apresentou melhora após a adição de amissulprida 100 mg ao esquema terapêutico. Certamente, também há pacientes que não respondem à otimização do tratamento com amissulprida ou nos quais a resposta ao medicamento é duvidosa, como ocorreu com um dos pacientes nesse artigo.1

Uma característica especial da associação de amissulprida ao tratamento é o rápido início de ação. Os efeitos da amissulprida já eram evidentes após alguns dias e foram totalmente sentidos após uma a duas semanas em cinco pacientes. Essa resposta mostra-se mais rápida do que a resposta típica dos agentes antidepressivos.1

Apesar de sua excelente tolerabilidade, três pacientes tratados com amissulprida apresentaram aumento na prolactina, algumas vezes sintomática, com galactorreia, amenorreia e perda de libido.1 A instituição em que os relatos dos casos clínicos foram elaborados preconiza a tolerância aos níveis elevados de prolactina em pacientes assintomáticos e a intervenção apenas em pacientes que se tornam sintomáticos.1

Em conclusão, a adição de 50 mg de amissulprida à terapia antidepressiva em sete pacientes com depressão em diferentes estágios de resistência ao tratamento promoveu melhora significativa na psicopatologia da maioria dos pacientes. Os únicos efeitos colaterais foram elevação dos níveis de prolactina e ganho de peso ocasional. Na maioria dos casos, a melhora ocorreu precocemente, após apenas uma a duas semanas de tratamento. Em alguns pacientes, a redução ou a descontinuação da amissulprida causou recorrência imediata e intensa de sintomas depressivos, que se assemelhavam a uma síndrome de abstinência.1