O pâncreas secreta cerca de 30 a 50 UI de insulina por dia em adultos sadios. Existe uma secreção basal, que é a quantidade secretada continuamente, inclusive durante a fase de jejum, caracterizando assim a insulinemia basal. Por outro lado, uma parcela da insulina secretada em função do aumento da demanda de insulina após as refeições caracteriza a insulinemia prandial, ou seja, aquela quantidade de insulina que só é secretada quando o organismo se alimenta.1,2 Na média diária, o organismo secreta cerca de 40% a 50% de insulina basal e outro tanto de insulina prandial.3

 

A insulina glargina (Lantus®) está indicada como terapia de reposição de insulina basal no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 (DM1) e tipo 2 (DM2) em adultos e, também, no tratamento do DM1 em crianças com idade acima de 2 anos que necessitem de insulina basal (de longa duração) para o controle da hiperglicemia.4

O tratamento insulínico está plenamente justificado diante do diagnóstico do diabetes em pacientes com nível de A1C >9,0% e que apresentam manifestações clínicas mais intensas, conforme recomendação da Sociedade Brasileira de Diabetes em 2020.5 A prática clínica nos mostra que existe um percentual significativo de pacientes com DM2 mal controlado que deveriam ser insulinizados, mas não o são no tempo devido.

 

A dose inicial e os sucessivos ajustes no decorrer do tempo podem ser adequadamente orientados por meio de um esquema bastante simples, desenvolvido por Yki-Järvinen e colaboradores e publicado na revista Diabetes Care em 2007.6

 

Segundo essa proposta, a dose diária inicial pode ser da ordem de 10 UI de insulina glargina em dose única diária, ou então, para um cálculo mais individualizado da dose diária inicial, podemos utilizar a insulina glargina na base de 0,2 UI/kg/dia. A titulação da dose diária pode ser feita de maneira progressiva, com aumento de 2 UI a cada três dias, com base na meta terapêutica de glicemia de jejum (GJ) ≤100 mg/dL. Para confirmar a adequação do esquema terapêutico, deve-se ter em mente a manutenção da meta de A1C <7,0% em médio e longo prazo, conforme mostra a ilustração didática da figura 1.6

Dependendo das condições clínicas e do nível de controle glicêmico de cada paciente, a insulina glargina poderá ser administrada em monoterapia ou como terapia de adesão em combinação com diferentes antidiabéticos orais.4

 

Transferência de pacientes em uso de insulina NPH para Lantus®

Para aqueles pacientes que utilizam a NPH apenas 1 vez ao dia, a dose inicial de Lantus® pode ser mantida no mesmo nível. Por exemplo, se o paciente usa 20 UI de NPH por dia, passará a utilizar 20 UI de Lantus®, também em dose única diária. A titulação da dose poderá ser feita de acordo com a recomendação citada anteriormente. Por outro lado, se o paciente estiver utilizando a insulina NPH num esquema de duas aplicações diárias, a dose inicial de Lantus® deve ser 20% menor do que a dose total diária de NPH que vinha sendo utilizada. Por exemplo, se o paciente usa a NPH nas doses de 25 UI pela manhã e 15 UI à noite (dose total diária = 40 UI), então a dose inicial de Lantus® deverá ser de 32 UI, em dose única diária.4

 

Comentários finais:

 

A insulina glargina apresenta um esquema bastante facilitado de determinação da dose inicial e da titulação da dose no decorrer do período de ajuste da posologia mais eficaz.4,6,7

 

Vantagens terapêuticas:4,6,7

 

  • duração do efeito terapêutico por 24 horas em aplicação única diária;
  • ausência de picos de ação, proporcionando redução de episódios hipoglicêmicos, especialmente as hipoglicemias noturnas;
  • flexibilidade de horário e local de administração;
  • desnecessário alimentar-se em horários predeterminados;
  • melhora na qualidade de vida.