A osteoartrite do joelho (OA) é uma doença articular degenerativa crônica, caracterizada clinicamente pelo desenvolvimento gradual de dor articular, edema, rigidez e perda de movimento.
 
A OA é uma das principais causas de incapacidade em idosos, e sua prevalência aumenta com a idade. Em todo o mundo, a prevalência entre pessoas com mais de 60 anos é estimada em 18% das mulheres e 10% dos homens. Aproximadamente 80% desses indivíduos terão algum grau de limitação de movimento e um em cada quatro apresentará restrição nas principais atividades diárias.
 
O manejo da OA pode ser cirúrgico ou não cirúrgico. A farmacoterapia inclui paracetamol, medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e corticoides intra-articulares. Outra opção de tratamento é a viscossuplementação com injeção intra-articular de ácido hialurônico (AH).

 A injeção de AH de qualidade promove a própria a produção endógena de novas moléculas de AH, reduz a inflamação, previne a degeneração da cartilagem e promove a regeneração da cartilagem. Clinicamente, o AH pode melhorar os sintomas da AO e atrasar a cirurgia de substituição total do joelho.1 

 Há literatura científica comprovando que o AH é tão eficaz ou mais que os AINEs, inibidores da ciclo-oxigenase-2 (COX-2), paracetamol ou corticoides intra-articulares em termos de melhora da dor e da função articulares.1 
 
No entanto, os viscossuplementos disponíveis diferem amplamente em termos de origem, peso molecular, estrutura molecular, método de reticulação, comportamento reológico e formulação, o que interfere no seu tempo de residência intra-articular e, por conseguinte, pode não ser adequado extrapolar os resultados clínicos de um para o outro conforme afirma mesmo um dos maiores estudiosos do assunto no mundo, Dr. Alberto Migliore.1,2 
 
Os dados de ensaios comparativos do hilano G-F 20 com AH de baixo peso molecular sugerem que o hilano G-F 20 pode agir mais rapidamente, ser mais eficaz e apresentar efeitos mais duradouros.1-4 
 
Um estudo randomizado prospectivo comparou a eficácia clínica, os resultados funcionais e a satisfação do paciente da injeção intra-articular de hilano G-F 20 (peso molecular de cerca de 6 milhões Da) com hialuronato de sódio (peso molecular 0,5-0,73 milhões Da) em 392 pacientes com OA do joelho.1-5 
 
À época, o hilano G-F 20 utilizado foi o de 2 mL administrado em três aplicações e o hialuronato de sódio, com cinco injeções semanais. A maioria dos pacientes apresentava OA grau III. No grupo hilano G-F 20, a dor no joelho avaliada pela escala visual analógica (EVA) melhorou de 6,7 para 3,1 em seis semanas (p=0,02), e a melhora foi mantida por um ano (escore no EVA 3,7, p=0,04). No grupo hialuronato de sódio, a dor melhorou de 6,6 basal para 5,7 em seis semanas (p não significativo) e 4,1 em 3 meses (p=0,04), mas a melhora não foi sustentada em 6 meses (escore EVA 5,9). Resultados semelhantes foram observados nas subescalas de dor do Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index (WOMAC). Houve melhora na subescala de atividade física do WOMAC em ambos os grupos, mas a melhora foi significativamente maior no grupo hilano G-F 20 aos 6 e 12 meses.
No geral, os pacientes estavam mais satisfeitos com o tratamento no grupo hilano G-F 20.1,5 Além disso, o hilano, com seu alto peso molecular, parece ser um medicamento mais apropriado para alguns dos sintomas, como dor, quando comparado com o hialuronato.1,4,5 

Outro estudo de um ano comprovou que o hilano G-F 20 é clinicamente eficaz e diminui custos gerais de cuidados ao paciente ao longo de um ano. Ele avaliou pacientes ambulatoriais com OA do joelho radiologicamente confirmada e um escore total de dor na escala visual analógica (EVA) >175 mm numa escala de 500 mm, apesar do tratamento com acetaminofeno ou AINEs. Todos os pacientes recebiam tratamento padrão para OA: medicamentos como analgésicos, AINEs, corticosteroides injeções, medidas de apoio como educação, aconselhamento, perda de peso, repouso articular, aplicação de calor ou gelo e uso de aparelhos e fisioterapia. Os pacientes com os critérios de inclusão e recebendo esse tratamento padrão para OA foram divididos em dois grupos, nos quais um recebia injeções de hilano G-F 20 e outro não. A conclusão é que há benefícios no joelho, saúde geral e qualidade de vida relacionada à saúde pela diminuição de coterapias e reações adversas sistêmicas no grupo com hilano G-F 20. Embora as injeções intra-articulares tenham aumentado o custo total do tratamento, a redução 
nos escores de dor (-38% vs. -13%; p<0,0001) e a porcentagem de pacientes com melhora nos escores gerais do WOMAC (62% vs. 35%; p=0,0001) foram significativamente maiores nos pacientes que receberam hilano G-F 20.1,6 (Tabela 1) 
 
Os pacientes tratados com hilano G-F 20 também demandaram menos injeções intra-articulares de corticoides, menos terapia com AINEs e menos outros medicamentos para OA do joelho, e, portanto, tiveram menos eventos adversos e menos necessidade de medicamentos para tratar os efeitos adversos gastrointestinais.1,6 

 O grupo tratado com hilano G-F 20 relatou melhorias significativamente maiores nas avaliações globais que medem a OA geral e a saúde geral e nos instrumentos de qualidade de vida relacionados à saúde, que refletem o estado de saúde de todo o paciente.1,6 
Assim, os pesquisadores concluíram que o aumento dos custos do tratamento associado ao hilano G-F 20 é compensado por uma melhor qualidade de vida relacionada à saúde.1,6,7