O que é a doença meningocócica?


A doença meningocócica (DM) é causada pela bactéria Neisseria meningitidis (também denominada meningococo). Pode causar a meningite meningocócica (inflamação das membranas que envolvem o cérebro) e pode ser ainda mais grave quando atinge a corrente sanguínea, provocando a meningococcemia – infecção generalizada.1

Cinco tipos (sorogrupos) de meningococo causam a maioria dos casos de DM no mundo. São eles: A, B, C, W e Y. A importância de cada um varia conforme o país ou região e ao longo do tempo.1

O que é meningite?


A meningite é uma infecção que se instala quando um agente infeccioso, por alguma razão, consegue vencer as defesas do organismo e ataca as meninges, três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, a medula espinhal e outras partes do sistema nervoso central.

A meningite pode ser causada por vários agentes, dentre eles, vírus, fungos e bactérias. Os vírus causam a maioria dos casos de meningite e a infecção, em geral, se apresenta de forma menos grave – para as meningites causadas por vírus não existe vacina.2 Já a meningite causada por bactérias costuma ser mais severa. Podem ser bactérias causadoras de meningite: Pneumococo, Streptococcus sp., Haemophilus influenzae, entre outras.3


Quais são os sintomas?


A doença meningocócica invasiva é particularmente perigosa devido ao seu curto período de incubação (cerca de 3 a 4 dias), sintomas precoces inespecíficos, rápida progressão clínica e potencial para sequelas a longo prazo, incluindo surdez, convulsões, cicatrizes de pele e amputação.4

Os sintomas da meningite bacteriana incluem início súbito de febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço. Muitas vezes há outros sintomas, como:3
  • Mal-estar;
  • Náusea;
  • Vômito;
  • Fotofobia (aumento da sensibilidade à luz);
  • Status mental alterado (confusão).
Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves de meningite bacteriana podem aparecer, como:
  • Convulsões;
  • Delírio;
  • Tremores;
  • Coma.3
Em recém-nascidos e bebês, alguns dos sintomas descritos acima podem estar ausentes ou difíceis de serem percebidos. O bebê pode ficar irritado, vomitar, alimentar-se mal ou parecer letárgico ou pouco responsivo a estímulos. Também podem apresentar a fontanela (moleira) protuberante.3 Na septicemia meningocócica (também conhecida como meningococcemia), além dos sintomas descritos acima, podem aparecer outros como:3
  • Fadiga;
  • Mãos e pés frios;
  • Calafrios;
  • Dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou abdômen (barriga);
  • Respiração rápida;
  • Diarreia;
  • Manchas vermelhas pelo corpo.

Como ocorre a transmissão?


A doença meningocócica é transmitida por gotículas respiratórias ou pelo contato direto com alguém que está infectado, por meio de beijos, tosses ou espirros.5

Os adolescentes podem ser portadores assintomáticos da bactéria causadora da doença. Dessa forma, eles são transmissores em potencial porque podem transportar a bactéria sem apresentar sintomas. Além disso, os jovens mostram diversos comportamentos de risco que facilitam a disseminação do meningococo, como os hábitos de frequentar ambientes com aglomeração de pessoas, beijar e compartilhar utensílios.6,8 

Por que é importante vacinar os adolescentes?


A doença meningocócica tem maior incidência em crianças menores de 5 anos de idade, porém há um segundo pico de ocorrência da doença na adolescência.8 Além disso, os adolescentes podem ser portadores do meningococo e transmiti-lo para outras pessoas mesmo sem adoecer. Por isso, vacinar os jovens é tão importante quanto proteger as crianças.7

Qual é a situação da doença meningocócica no Brasil?


A doença meningocócica representa um importante problema de saúde pública em todo o mundo devido à sua incidência e elevadas taxas de mortalidade.9 Além da alta letalidade, a doença meningocócica apresenta grande morbidade, sendo que de 12% a 20% dos sobreviventes evoluem com sequelas, tais como: surdez, deficiência mental e amputações.10

Os seres humanos são os únicos hospedeiros da N. meningitidis e a transmissão ocorre de hospedeiro para hospedeiro por contato oral ou secreções respiratórias. Os meningococos colonizam a nasofaringe, fixando-se na superfície da mucosa onde residem por semanas ou meses até serem liberados pelo hospedeiro. O estado de portador é o habitat natural do meningococo.10

Adolescentes são potencialmente os maiores portadores e transmissores da doença meningocócica.10

A vacinação dessa faixa etária, tem como objetivo reduzir o estado de portador e, consequentemente, a transmissão entre eles e para outras faixas etárias, o que pode ajudar a controlar a doença meningocócica a nível populacional.10 Doze sorogrupos de N. meningitidis foram identificados no mundo até o momento, seis dos quais (A, B, C, W, X e Y) podem causar epidemias devastadoras. A distribuição e frequência desses sorogrupos varia de região para região.11 No Brasil, é uma doença endêmica com ocorrência periódica de surtos epidêmicos em vários municípios e é a principal causa de meningite bacteriana no país.

Atualmente o sorogrupo C é o mais frequente, seguido do B, W e Y
.O estado de Santa Catarina registrou recentemente aumento significativo do número de casos do sorogrupo W (40% até setembro de 2018), demonstrando que a distribuição dos sorogrupos apresenta importante variação geográfica ao longo dos anos.12

Qual é a letalidade da doença meningocócica?


A doença meningocócica está associada a altas taxas de letalidade. Além disso, até 20% dos sobreviventes podem ter sequelas graves de longo prazo.13

O paciente que se recuperou da infecção pela N. Meningitidis pode ficar com sequelas?


Sim, o paciente que se recuperou da doença meningocócica pode ficar com sequelas, incluindo complicações neurológicas, perda de membros, perda auditiva e paralisia, entre outras.13

Quais as principais mudanças no calendário do SUS, relacionadas à vacina meningocócica?


O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibilizava até 2019, gratuitamente nos postos de saúde, a vacina contra o sorogrupo C da doença para crianças aos 3, 5 e 12 meses e para adolescentes de 11-14 anos de idade. A grande novidade é que, a partir de 2020, o Ministério da Saúde (MS), por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), colocou à disposição da população duas vacinas contra as doenças meningocócicas, a meningocócica C para as crianças e a ACWY para adolescentes de 11 e 12 anos.13,14

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP) recomendam, em seus calendários da criança e do adolescente, sempre que possível, o uso preferencial da vacina meningocócica conjugada ACWY (MenACWY). O esquema preconiza na rotina incluir 2 doses, aos 3 e 5 meses de idade. Reforços entre 12 e 15 meses, entre 5 e 6 anos e aos 11 e 12 anos de idade.15,16

Todas as vacinas ACWY disponibilizadas no SUS possuem a mesma forma de administração? Como é o modo de preparo de cada uma delas?


Foram disponibilizadas para vacinação no SUS três vacinas ACWY de fabricantes diferentes. Cada uma possui particularidades com relação à sua apresentação e forma farmacêutica. As 3 vacinas são apresentadas das seguintes formas:
  • Uma das vacinas possui apresentação em frasco-ampola (pronta para uso);17
  • Uma das vacinas possui apresentação em pó liofilizado (oligossacarídeos conjugados do meningococo do sorogrupo A) e um diluente para solução injetável (oligossacarídeos conjugados dos meningococos dos sorogrupos C, W-135 e Y);18
  • Uma das vacinas possui apresentação em pó liofilizado para reconstituição com diluente.19

Assim, é importante ter atenção no momento da vacinação, pois uma das vacinas se apresenta de forma totalmente líquida e pronta para o uso e outras duas necessitam de reconstituição para aplicação.13

Todas as vacinas possuem uma composição por dose de 0,5 ml e devem ser conservadas em temperatura entre +2°C e +8°C ao abrigo de luz, sem congelar. As vacinas que não vêm prontas para uso devem ter um aspecto transparente e incolor para o uso imediato após o processo de reconstituição (estabilidade por 8 horas a 30°C).14


Posso administrar outras vacinas concomitantemente?


A vacina MenACWY pode ser administrada na mesma ocasião de outras vacinas do calendário nacional de vacinação do adolescente, desde que sejam administradas com seringas diferentes em locais anatômicos diferentes.13

Para demais informações, recomenda-se consultar a bula de cada fabricante.17,19

Qual é a via de administração?


A via de administração é por injeção intramuscular, observando as especificidades de cada produto.13,17,19

Existem diferenças na posologia das diferentes vacinas ACWY?


A vacina MenACWY oferece uma proteção ampla contra os 4 principais sorogrupos causadores de DMI. A presença de anticorpos funcionais circulantes contra N. meningitidis é necessária para proteção clínica contra a doença.26

As Sociedades Brasileiras de Imunizações (SBIm) e de Pediatria (SBP) recomendam, em seus calendários da criança e do adolescente, sempre que possível, o uso preferencial da vacina meningocócica conjugada ACWY (MenACWY).15,16

Estão disponibilizadas no mercado três vacinas ACWY de fabricantes diferentes. Cada uma possui particularidades com relação à sua apresentação, forma farmacêutica e indicação de uso:
  • Vacina conjugada quadrivalente ACWY-DT (toxoide diftérico): apresentação totalmente líquida com indicação dos 9 meses aos 55 anos de idade;17
  • Vacina conjugada quadrivalente ACWY-TT (toxoide tetânico): apresentação em pó liofilizado para reconstituição com diluente com indicação a partir de 6 semanas de idade;18
  • Vacina conjugada quadrivalente ACWY-CRM97: apresentação em pó liofilizado para reconstituição com diluente com indicação a partir de 2 meses de idade.27

Existem cuidados especiais antes, durante e depois da vacinação?


Não são necessários cuidados específicos para a vacinação com a vacina ACWY. Algumas recomendações gerais sugeridas pela SBIm são:20
  • Em caso de febre alta, deve-se adiar a vacinação até que ocorra a melhora.
  • A aplicação é exclusivamente intramuscular (para exceções verificar com a bula do produto).
  • Compressas frias aliviam a reação no local da aplicação. Em casos mais intensos, pode ser usada medicação para dor sob prescrição médica.
  • Qualquer sintoma grave e/ou inesperado após a vacinação deve ser notificado.
  • Sintomas de eventos adversos persistentes, que se prolongam por até 72 horas, devem ser investigados para verificação de outras causas.
Todas as vacinas ACWY apresentam contraindicações a pacientes que tenham hipersensibilidade conhecida a qualquer componente.17,19 É importante que o vacinador leve em consideração os seguintes fatores:17,20
  • Confirmação do nome do paciente e sua carteira de vacinação;
  • Preparo correto de acordo com apresentação de cada marca;
  • Validade da vacina;
  • Armazenamento correto (2°C a 8°C em refrigerador, não congelar e proteger da luz).

Quais seriam as possíveis reações e queixas após a vacinação?


As reações adversas mais frequentes após a vacinação com qualquer uma das três vacinas disponíveis são: dor no local da injeção, vermelhidão e inchaço.17,19

Também foram observadas algumas reações sistêmicas tais como dor de cabeça e fadiga e eventos gastrointestinais (náusea e vômito). Febre foi uma reação vista em menor frequência. Para demais informações, recomenda-se consultar a bula de cada fabricante.17,19

Qual é a diferença entre a vacina conjugada e a polissacarídica?


De forma geral, as vacinas polissacarídicas não estimulam imunidade celular, timo-dependente; a proteção conferida é de curta duração, pois induzem pouca ou nenhuma resposta imunológica (a imunidade não aumenta com a repetição das doses e não gera memória imunológica) e não são eficazes em crianças menores de dois anos de idade. Além disso, não eliminam o estado de portador assintomático, sendo incapazes de desencadear imunidade coletiva ou de rebanho. Essas vacinas podem ser especialmente utilizadas no controle de surtos e epidemias.21,23

Já as vacinas conjugadas, nas quais os componentes polissacarídicos são conjugados a proteínas, são T-dependentes, induzem memória imunológica, tem efeito booster em doses subsequentes e sua proteção é de longa duração. Essas vacinas devem gerar uma imunidade de maior duração que as polissacarídicas, mesmo quando administradas a crianças menores de 2 anos, e também podem acarretar proteção de rebanho através da proteção contra o estado de portador.21,23

Os adolescentes de 13 e 14 anos, antes contemplados na vacinação com MenC, continuarão sendo vacinados com MenC (uma vez que a ACWY irá contemplar apenas adolescentes de 11 e 12 anos)?


O documento disponibilizado pelo Ministério da Saúde sobre a vacinação dos adolescentes com a vacina meningocócica ACWY (conjugada) cita que a vacina MenACWY está disponível para 11 e 12 anos somente. Não há menção sobre a disponibilização da vacina MenC para faixas etárias fora da rotina de crianças menores de 5 anos.13

Há planos para substituição da vacina MenC pela MenACWY as crianças menores de 1 ano ou ela ficará restrita a adolescentes?


O documento não cita novas alterações de indicações e grupos-alvo neste momento. A vacina MenC faz parte da rotina para crianças no calendário nacional de imunizações desde 2010, enquanto a vacina MenACWY foi recentemente disponibilizada para adolescentes de 11 e 12 anos de idade com o objetivo de alcançar cobertura vacinal maior ou igual a 80% do público-alvo da vacinação, que corresponde a 5.621.137 milhões de pessoas.13

As vacinas contra meningite estão disponíveis nos centros de referência em imunobiológicos (CRIEs)? Para qual indicação?


Sim. No Brasil, a vacina meningococo C conjugada tem sido utilizada nos CRIEs para subgrupos especiais desde 2003.23 A vacina meningocócica C conjugada (Meningo C) está disponível no CRIE para as seguintes indicações:23
  • Asplenia anatômica ou funcional e doenças relacionadas; 
  • Deficiência de complemento e frações; 
  • Terapia com eculizumabe; 
  • Pessoas com HIV/Aids; 
  • Imunodeficiências congênitas e adquiridas; 
  • Transplantados de células-tronco hematopoiéticas (TMO); 
  • Transplantados de órgãos sólidos; 
  • Fístula liquórica e derivação ventrículo-peritoneal (DVP); 
  • Implante de cóclea; 
  • Microbiologistas; 
  • Trissomias;
  • Doenças de depósito; 
  • Hepatopatia crônica; 
  • Doença neurológica incapacitante.

A vacina meningocócica ACWY conjugada (MenACWY) foi incluída em 2019 para portadores de hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) que irão iniciar o tratamento com eculizumabe.23

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