As terapias contra o câncer podem levar a amplo espectro de complicações cardiovasculares.1,2 Dentre as manifestações cardiovasculares das toxicidades do tratamento oncológico, o tromboembolismo venoso é uma das mais importantes.1,2 As drogas utilizadas no tratamento do câncer e os agentes utilizados como terapia de apoio ao tratamento oncológico (como agentes estimuladores da eritropoiese) são fatores de risco de tromboembolismo venoso (TEV).1

 

Observa-se aumento importante da incidência de TEV associado ao câncer nas últimas duas décadas: a incidência de TEV aumentou três vezes entre os pacientes com câncer e seis vezes entre aqueles que receberam quimioterapia ou terapia-alvo.3 Dados recentes mostram que o risco de TEV em seis meses entre os pacientes com câncer é atualmente 12 vezes maior que na população geral e até 23 vezes maior em pacientes com câncer que recebem quimioterapia ou terapia-alvo.3

 

O uso de quimioterapia sistêmica aumenta de seis a sete vezes o risco de TEV.4 Dentre os agentes quimioterápicos tradicionais, o efeito trombogênico da cisplatina é bem documentado.5 Em pacientes com câncer do trato gastrointestinal, o uso de regimes de quimioterapia à base de cisplatina se associou ao dobro do risco de complicações tromboembólicas em comparação com a oxiliplatina.5

O uso de quimioterapia sistêmica aumenta de seis a sete vezes o risco de TEV. Dentre os agentes quimioterápicos tradicionais, o efeito trombogênico da cisplatina é bem documentado. Em pacientes com câncer do trato gastrointestinal, o uso de regimes de quimioterapia à base de cisplatina se associou ao dobro do risco de complicações tromboembólicas em comparação com a oxiliplatina.

As drogas imunomoduladoras usadas no tratamento do mieloma múltiplo (talidomida, lenalidomida e pomalidomida) aumentam substancialmente o risco de TEV.6

 

Os anticorpos monoclonais como o bevacizumabe, anticorpo monoclonal contra o receptor do fator de crescimento endotelial vascular, aumentam o risco de TEV,7 assim como os inibidores de tirosina quinase sorafenibe e sunitinibe8

 

Recentemente, estudos sobre inibidores de check-point imunológico sugerem risco elevado de TEV potencialmente devido a respostas imunes celulares, além da ação inflamatória das citocinas e da inflamação mediada por complemento.9

 

Em pacientes com câncer de mama, a prevalência de TEV varia de 3% a 15%.10-12 A terapia endócrina adjuvante pode aumentar a tendência pró-trombótica independentemente de outros tratamentos oncológicos.13 Um estudo recente avaliou prospectivamente 12.904 pacientes com câncer de mama na pós-menopausa e sem histórico de TEV nem de doença cardiovascular prévia que faziam uso de terapia endócrina com inibidores de aromatase e tamoxifeno.14 O uso dos inibidores de aromatase foi associado à redução de 41% do risco de desenvolvimento de eventos tromboembólicos em comparação com o tamoxifeno durante uma mediana de 5,4 anos de acompanhamento.14

 

O maior risco de TEV em mulheres que receberam tamoxifeno pode ser explicado pela inibição de fatores anticoagulantes induzida pelo tamoxifeno, como redução dos níveis de antitrombina III e dos níveis de proteína C e de proteína S.12,13 As terapias de suporte com agentes estimuladores da eritropoiese, como a eritropoetina, também contribuem para o aumento do risco de TEV em pacientes com câncer.15

 

Na tabela 1 estão listadas as principais terapias anticâncer com drogas associadas a risco de TEV em pacientes com câncer.1


Conclusão

O tromboembolismo venoso representa uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes com câncer.1

 

O risco difere nos subgrupos, com taxas mais altas observadas em cânceres específicos, inclusive de pâncreas, estômago e mieloma múltiplo.2 A quimioterapia tradicional com cisplatina, as terapias-alvo e mais recentemente a imunoterapia são consideradas fatores de risco de TEV.2 Apesar de a tromboprofilaxia ambulatorial não ser recomendada rotineiramente, o uso de escores de risco de TEV pode ajudar a identificar uma população de alto risco que se beneficiaria da tromboprofilaxia farmacológica.16