Definição de Asma Grave:  
A asma grave não controlada é definida como aquela que persiste apesar da adesão à terapia com
apesar do uso otimizado de CI-LABA em dose alta, ou que exige esse nível de tratamento para evitar a perda de controle1. 

Essa realidade é mais comum do que parece:

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dos casos de asma são classificados como graves e esses pacientes frequentemente permanecem sintomáticos apesar da terapia otimizada.1

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Você já se deparou com pacientes que, mesmo em uso de corticoides inalatórios (CI) em altas doses associados a LABA, continuam sem controle adequado da asma?

Impacto Clínico 

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes do mundo. Globalmente, afeta cerca de 262 milhões de indivíduos22. No Brasil, a doença é responsável por 6 mortes por dia, um número que evidencia a gravidade do problema e a urgência de uma abordagem terapêutica mais precisa.23

Além da mortalidade, a asma grave impõe uma carga significativa ao sistema de saúde, é a principal causa de absenteísmo escolar e laboral no país, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.2

Asma grave não controlada: 5 domínios de impacto que seu paciente pode enfrentar: 

A asma grave não controlada impacta profundamente a vida dos pacientes em cinco domínios principais1:

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O uso de corticoides orais é uma prática comum no manejo da asma grave, mas seus riscos são frequentemente subestimados3.

    Eventos adversos de curto prazo do uso de CO3,10:

    • Distúrbios comportamentais: depressão, ansiedade, vertigem, psicose, distúrbios do sono 
    • Efeitos metabólicos: hiperglicemia, alterações no peso corporal 
    • Efeitos infecciosos: aumento do risco de infecções oportunistas 
    • Efeitos vasculares: aumento do risco de tromboembolismo 

    Eventos adversos de longo prazo do uso de CO3,10:

    • Efeitos ósseos: osteoporose, aumento do risco de fraturas 
    • Efeitos endócrinos: diabetes mellitus, supressão adrenal 
    • Efeitos cardiovasculares: hipertensão arterial sistêmica 
    • Efeitos gastrintestinais: úlcera péptica 
    • Efeitos oftalmológicos: catarata 

O controle da asma envolve dois aspectos: o controle dos sintomas e a redução do risco de eventos futuros relacionados à doença. Uma pessoa pode apresentar poucos sintomas e ainda assim estar em risco de exacerbações.

O GINA (Global Initiative for Asthma) recomenda que o corticoide oral de manutenção seja utilizado apenas como último recurso¹. Diante desse cenário, a identificação precoce de pacientes elegíveis a terapias biológicas torna-se fundamental para reduzir a exposição desnecessária ao CO e seus efeitos adversos14*

A Importância de Identificar a Inflamação Tipo 2 

A inflamação tipo 2 (IT2) está presente na grande maioria dos pacientes com asma grave, aproximadamente em 9 a cada 10 pacientes.4 No entanto, essa condição pode passar despercebida na prática clínica, especialmente quando não se realiza a fenotipagem adequada.

A inflamação tipo 2 é definida pela presença de pelo menos um dos seguintes fenótipos4:

  • EOS sanguíneo ≥150 células/µL

  • EOS no escarro ≥2%

  • FeNO ≥20 ppb

  • IgE: Asma clinicamente causada por alérgenos

Dados da coorte ISAR (N=1.175) mostram que 88% dos pacientes adultos com asma grave expressam pelo menos 1 biomarcador T2 elevado, e 59% expressam 2 ou mais4. Reconhecer essa lacuna diagnóstica é o primeiro passo para uma abordagem terapêutica mais precisa.

Biomarcadores e Fenotipagem na Asma Grave com Inflamação Tipo 2 

A fenotipagem da asma grave com base em biomarcadores é essencial para guiar a escolha terapêutica. Os principais biomarcadores da inflamação tipo 2 e seus significados clínicos são5:

    O FeNO (Fração Exalada de Óxido Nítrico), em particular, tem 5 aplicações práticas relevantes5:

    1. Monitoramento da resposta à terapia anti-inflamatória 
    2. Correlação com inflamação eosinofílica e perda de função pulmonar 
    3. Método não invasivo para acessar a IT2 
    4. Auxílio na decisão sobre início de imunobiológicos 
    5. Potencial ferramenta diagnóstica da asma 

A combinação de FeNO elevado e EOS elevado aumenta significativamente a probabilidade de asma não controlada, exacerbações e obstrução das vias aéreas, reforçando a importância de avaliar múltiplos biomarcadores em conjunto. 6

Mudança de Abordagem: Substituindo o controle sintomático pela remissão clínica

A abordagem tradicional da asma grave, baseada no escalonamento progressivo de medicamentos até alcançar controle sintomático ("treat to failure"), está sendo substituída por um novo paradigma: o Treat to Target (T2T)7.  
 
Enquanto a estratégia antiga era reativa e não utilizava fenotipagem, o T2T é proativo, direcionado por biomarcadores e tem como objetivo final a remissão da doença, não apenas o controle de sintomas.7 

O conceito de remissão em asma inclui ausência de exacerbações, melhora da função pulmonar, controle dos sintomas e redução dos biomarcadores de inflamação.1  
 
Essa abordagem representa uma evolução significativa no manejo da asma grave e posiciona os imunobiológicos como uma das ferramentas centrais no tratamento para os pacientes com asma grave.1 

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    Veja as referências (21)

    Referências:

    1. Global Initiative for Asthma (GINA). Global strategy for asthma management and prevention. Updated 2026 [Internet]. Available from: https://ginasthma.org/gina-2026-severe-asthma-guide-now-available/ 
    2. Santos M, et al. Linha de cuidados no tratamento da asma: informações úteis para o gestor. J bras econ saúde. 2021;13(2):221–8. 
    3. Price DB, et al. J Asthma Allergy. 2018;11:193-204. 
    4. Buhl R, et al. J Allergy Clin Immunol Pract. 2020;8(8):2630-2639.e6. 
    5. Khatri SB, et al. Use of Fractional Exhaled Nitric Oxide to Guide the Treatment of Asthma: An Official American Thoracic Society Clinical Practice Guideline. Am J Respir Crit Care Med. 2021;204(10):e97–e109. 
    6. Malinovschi A, et al. J Allergy Clin Immunol. 2016;138(5):1301-1308. 
    7. Lommatzsch M, et al. EClinicalMedicine. 2025 Jan 8;80:103050. 
    8. Dupixent (dupilumabe) [Bula]. Sanofi; 2024. 
    9. Castro M, et al. N Engl J Med. 2018;378(26):2486-2496. 
    10. Busse WW, et al. Lancet Respir Med. 2022;10(1):11-25. 
    11. Rabe KF, et al. N Engl J Med. 2018;378(26):2475-2485. 
    12. Sher LD, et al. Chest. 2022;162(1):46-55. 
    13. Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). DUT 65.9 e DUT 65.10 — Tratamento Complementar de Asma Eosinofílica Grave e Asma Alérgica Grave. Brasília: ANS; 2022. 
    14. Pavord ID, et al. Dupilumab Induces Long-Term On-Treatment Clinical Remission in Patients With Type 2 Asthma. J Allergy Clin Immunol Pract. 2025;13(1):132-142. 
    15. Busse WW, Kraft M, Rabe KF, et al. Understanding the key issues in the treatment of uncontrolled persistent asthma with type 2 inflammation. Eur Respir J. 2021;58(2):2003393. 
    16. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Asma. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, 24 mar. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/2026/pcdt-da-asma. Acesso em: 16 jul. 2026. 
    17. Bacharier LB, Maspero JF, Katelaris CH, et al. 
    18. The Liberty Asthma VOYAGE Investigators. Dupilumab in children with uncontrolled moderate-to-severe asthma.  
    19. N Engl J Med. 2021;385(24):2230-40. doi:10.1056/NEJMoa2106567.   
    20. Bacharier L, Maspero J, Katelaris C, Fiocchi A, Gagnon R, de Mir I, et al. Assessment of long-term safety and efficacy of dupilumab in children with asthma (LIBERTY ASTHMA EXCURSION): an open-label extension study. 
    21. Lancet Resp Med. 2024a;12:45-54. 
    22. GBD 2019 Chronic Respiratory Diseases Collaborators. Global burden of chronic respiratory diseases and risk factors, 1990-2019: an update from the Global Burden of Disease Study 2019. EClinicalMedicine. 2023 May;59:101936. doi: 10.1016/j.eclinm.2023.101936. PMID: 37229504; PMCID: PMC7614570.
    23. Brum1 M, Henz1 J, Boeira1 M, Soares1 S, Friedrich1 F, Márcio Pitrez2 P. Recent increase in asthma mortality in Brazil: a warning sign for the public health system. Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2024 Nov 21;e20240138.