De acordo com a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), até os seis meses de vida, a criança deve ser alimentada exclusivamente com leite materno. Entretanto, após esse período, deve haver a inclusão de alimentos complementares à amamentação, dando início à fase de alimentação complementar.1,2,4

Durante a alimentação complementar, o principal alimento do bebê continua sendo o leite materno, porém, esse já não é mais suficiente para fornecer, isoladamente, os nutrientes em quantidades adequadas para o desenvolvimento da criança.4,5 Além das necessidades nutricionais aumentadas, aos seis meses, a criança já apresenta um grau de desenvolvimento dos órgãos e da parte neurológica que permite a introdução de alimentos com diferentes composições e texturas.5 Nessa fase, ela possui melhores reflexos e habilidades, como maior força de sucção, atenuação do reflexo de protrusão da língua e aparecimento dos movimentos voluntários e independentes da língua, que favorecem a mastigação conforme evolui, auxiliando-a no consumo de alimentos pastosos e com pedaços.2,5,6

 

A alimentação complementar deve acontecer de forma gradual, do ponto de vista de textura dos alimentos, iniciando-se com as papas, que devem ser amassadas com o auxílio de um garfo, evitando que sejam trituradas e peneiradas.2,6 Conforme a progressão da alimentação, a consistência vai mudando para os semissólidos e sólidos macios.2,5,6

 

Além do método tradicional de introdução, há uma nova abordagem para a oferta de novos alimentos que tem ganhado força, o Baby-Led Weaning (BLW). É uma forma diferente da tradicional, também conhecida como Parent-Led, que inclui alimentação sem a colher e nenhuma forma de adaptação de consistência.6,7 Nele, os adultos ofertam os alimentos em pedaços, tiras ou bastões para que as crianças se alimentem sozinhas, incentivando a independência e a exploração sensorial.6,7 (Tabela 1)

Independentemente do método e da abordagem escolhida para a alimentação complementar, a criança deve receber alimentos de todos os grupos alimentares, entre eles cereais, tubérculos, carnes, ovos, leguminosas, frutas e legumes.2,6 A oferta variada é fundamental para a nutrição adequada e para o estímulo do organismo, reduzindo o risco de futuros desfechos alérgicos, como no caso do glúten e de alimentos como peixes e ovo.2

 

No entanto, alguns alimentos devem ser evitados como: sal de adição, bebidas açucaradas, chocolates, doces e outros alimentos de baixo valor nutricional.2 Devido ao fato de o estômago da criança ter um volume reduzido, cerca de 30 a 40 ml por quilo de peso corporal, deve-se priorizar a oferta de alimentos com alto valor nutricional, para suprir suas necessidades.2 Uma alimentação inadequada durante a fase de alimentação complementar pode aumentar o risco de doenças como obesidade, diabetes e hipertensão arterial.2

 

Além dos alimentos complementares, é importante verificar a necessidade de suplementação de nutrientes, pois os dois primeiros anos de vida são caracterizados pelo rápido crescimento e desenvolvimento, com alta demanda de vitaminas e minerais.4,8 Nutrientes como ferro, zinco, iodo, vitamina A, vitamina D e ácido docosahexaenoico (DHA) estão associados às maiores deficiências nessa fase da vida e são fundamentais para o desenvolvimento adequado.8

 

Após os seis meses de idade, a necessidade de ferro e zinco, aumentam consideravelmente, porém os estoques desses nutrientes estão esgotados,4 sendo muitas vezes necessária a suplementação preventiva de ferro e outros nutrientes.8 Além desses minerais, há recomendação para a suplementação preventiva de:

  • Vitamina A: devido à sua importância na redução do risco de mortalidade por pneumonia, diarreia e sarampo;8
  • Vitamina D: devido ao seu papel na prevenção de inúmeras doenças, além do controle da homeostase do cálcio;8
  • DHA: em casos de crianças não amamentadas e que não recebam o nutriente através de sua fonte láctea complementar, devido à sua importância no desenvolvimento cerebral e da visão,8 além de sua correção por meio da suplementação estar relacionada à melhora da saúde respiratória.4
Dessa forma, a condução correta da alimentação complementar com oferta variada em texturas, sabores e grupos alimentares, junto à suplementação preventiva de determinados nutrientes é fundamental para o estímulo e desenvolvimento saudável das crianças.