Em caso de suspeita clínica de sarcopenia é possível utilizar instrumentos de triagem para auxiliar no processo diagnóstico. Leia mais sobre esses instrumentos.

 

De acordo com a revisão do European Working Group on Sarcopenia in Older People, a avaliação da sarcopenia deve ser iniciada quando houver suspeita clínica de sarcopenia ou por um instrumento de triagem simples denominado SARC-F. Em seguida, deve-se medir a força da mão, que, quando baixa (<26 kg para homens e <16 kg para mulheres), indica provável sarcopenia. A sarcopenia é confirmada quando há baixa massa muscular (<7.0 kg/m2 em homens e <5.5 kg/m2 em mulheres) e considerada grave quando, além de baixa força muscular e baixa massa muscular, há baixa performance física (velocidade de caminhada ≤0.8 m/s).1

 

O SARC-F avalia a força muscular, a necessidade de ajuda para caminhar, a transferência de uma cadeira, a atividade de subir escadas e a ocorrência de quedas. O escore total varia de 0 a 10, sendo que uma pontuação ≥4 sugere a presença de sarcopenia. O SARC-F, de acordo com a literatura, tem boa confiabilidade, de baixa a moderada sensibilidade (28,9% a 55,3%) e de moderada a alta especificidade (68,9% a 88,9%) para identificar sarcopenia independentemente da definição utilizada.2

 

Recentemente, a medida da circunferência da panturrilha foi incorporada ao SARC-F, criando-se o SARC-CalF. O SARC-CalF apresentou um aumento na sensibilidade em relação ao SARC-F sem mudanças na sua especificidade. A pontuação ≥11 foi a que apresentou melhora na sensibilidade do instrumento para identificar sarcopenia (sensibilidade de 66,7% e especificidade de 82,9%).3

Há evidências de que é possível reduzir o SARC-F para 3 questões mantendo somente as perguntas relacionadas à força muscular, subir escadas e necessidade de ajuda para caminhar mantendo suas propriedades de acurácia. Entretanto, o melhor ponto de corte desse instrumento adaptado e como ele se comportaria junto com a circunferência de panturrilha ainda não foram avaliados.4

O diagnóstico da sarcopenia vem ganhando cada vez mais importância na prática clínica. Conheça mais sobre os métodos de avaliação da massa muscular.

 

O diagnóstico da sarcopenia vem ganhando cada vez mais importância na prática clínica, uma vez que ela está relacionada a muitos desfechos negativos em idosos como mortalidade, declínio funcional, quedas, fraturas, hospitalização e tempo de internação.5

 

Em todos os conceitos de sarcopenia existentes até hoje há a necessidade de avaliar a massa muscular. Entretanto, essa é a medida mais difícil de ser realizada para o diagnóstico. Atualmente, o EWGSOP2 indica que se deve medir não somente a quantidade, mas, se possível, a qualidade muscular para confirmar o diagnóstico de sarcopenia seja utilizando o DEXA, a BIA, a CT ou a MRI.5

Contudo, dentro dessas opções de avaliação, todas, incluindo o ultrassom, são capazes de avaliar a quantidade de massa muscular. Entretanto, a qualidade muscular só pode ser avaliada pela CT, MRI ou pelo ultrassom. A vantagem do uso do ultrassom é a disponibilidade da técnica, mas somente o DEXA e a BIA têm valores de referência disponíveis na literatura.6-8

 

As principais vantagens do uso do ultrassom para diagnosticar sarcopenia seriam: custo baixo, incluindo a manutenção do equipamento, e a rapidez e facilidade de execução do exame que não precisa de preparação, o equipamento é fácil de usar e o exame pode ser realizado a beira do leito, pois as máquinas são portáteis.6-8

 

Diversas são as medidas musculares obtidas pelo ultrassom que faz uma análise da quantidade muscular (tamanho e massa) e da qualidade (pela intensidade do eco). É possível analisar cinco parâmetros principais e um extra, são eles:

 

  • Espessura muscular;
  • Área de secção transversa do músculo;
  • Comprimento do fascículo;
  • Ângulo de penação;
  • Intensidade do eco ou eco intensidade;
  • Rigidez muscular, denominada de elastografia.6-8

 

A espessura muscular está altamente correlacionada com a força de contração voluntária máxima. A massa muscular esquelética total pode ser estimada usando a espessura muscular, tendo alta correlação com MRI e DEXA. Mudanças na espessura muscular puderam ser observadas depois de seis semanas de treinamento. A maior armadilha da medida da espessura muscular é que há necessidade de garantir que o paciente esteja com a musculatura relaxada enquanto a medida estiver sendo realizada. Isso serve para a avaliação da área de secção transversa do músculo.6-8

 

Quanto à área de secção transversa, a reprodutibilidade intra e inter-observador é similar àquela para o MRI e as mudanças também podem ser identificadas depois de seis meses de treinamento.6-8

 

O comprimento do fascículo e seu uso clínico ainda é um campo próspero de pesquisa, mas parece ser diferente entre sexos, idades e níveis e tipos de atividade física. O comprimento do fascículo aumenta com o treinamento (sprint versus endurance), as contrações podem ser mensuradas, mas ainda há uma dificuldade para medir a força da contração e o comprimento do fascículo quem afetam o recrutamento das unidades motoras.6-8

 

O ângulo de penação é o ângulo entre o fascículo e a aponeurose inferior. É uma linha de tração de uma fibra muscular em direção ao tendão. O ângulo de penação é associado ao potencial de geração de força de um músculo e é influenciado pelas propriedades do tendão e infiltração de gordura muscular.6-8

 

Já a eco intensidade é o primeiro parâmetro qualitativo. A eco intensidade é uma análise de escala de cinza, sendo um marcador de qualidade muscular (capaz de identificar gordura e fibrose intramuscular). Essa medida é negativamente correlacionada com a espessura muscular e com a força muscular (independente da idade ou da espessura muscular).6-8

 

A rigidez muscular é a resistência do tecido muscular contra uma pressão perpendicular correlacionada com o ângulo de penação e com a espessura muscular. Contudo, há diferentes técnicas para medir a elastografia muscular.6-8

 

Concluindo, o ultrassom tem alta concordância com DEXA, CT e MRI bem como alta sensibilidade e valor preditivo negativo em detectar sarcopenia. Entretanto, apesar de termos definições para aplicação da técnica, a definição de padrões de valores de referência ainda é necessária para que sua aplicação seja disseminada na prática clínica.6-8

A sarcopenia ainda tem conceito indefinido e essa definição gera outras dificuldades relacionadas à prevalência e a outros aspectos do transtorno.

 

Apesar de sabermos que a sarcopenia está associada a desfechos negativos, como a incapacidade, risco de mortalidade e aumento significativo dos custos com cuidados de saúde com a população idosa, não há um algoritmo consensual para seu diagnóstico.1

 

Apesar da ausência de consenso, a maioria das definições de sarcopenia é baseada em medidas de massa muscular, força de preensão manual e velocidade de caminhada, como, por exemplo, o Consenso Revisado do European Working Group on Sarcopenia in Older People e a definição do Sarcopenia Definitions and Outcomes Consortium.1

 

Recente estudo apresentado por L.D. Westbury no World Congress of Osteoporosis, que ocorreu em agosto de 2021 em Londres, examinou a concordância de diagnóstico das duas definições supracitadas bem como sua capacidade de identificar maior risco de mortalidade. Verificou-se que há uma pobre concordância entre as duas definições analisadas. Ademais, identificou-se uma baixa prevalência de baixa força de preensão manual, baixa massa muscular esquelética apendicular e baixa velocidade de caminhada na população analisada no estudo, proveniente de três grandes estudos populacionais de coorte, quando as notas de corte sugeridas pelas duas definições de sarcopenia são aplicadas. Apesar disso, as duas definições de sarcopenia foram associadas à mortalidade.9

 

Dessa forma, concluiu-se que múltiplas definições de sarcopenia com baixa concordância entre elas impede que sejam desenvolvidas intervenções para prevenir sarcopenia. Ademais, talvez, as notas de corte utilizadas para definir baixa força muscular, baixa massa muscular e baixa velocidade de caminhada tenham que ser reavaliadas para que se identifiquem melhor pessoas com sarcopenia, que a forma de diagnóstico seja ampliada na prática clínica e que seu manejo também seja adequado.9


 

Conheça a prevalência e como diagnosticar a osteosarcopenia, mas também o mais recente algoritmo clínico para o diagnóstico e manejo da osteosarcopenia na prática clínica.

 

A prevalência de osteosarcopenia em idosos da comunidade varia de 1,5 a 12,7%, dependendo da definição e população estudada. As consequências da osteosarcopenia são quedas, fraturas, imobilização, declínio funcional e mortalidade. Além dessas consequências, a osteosarcopenia tem impactos socioeconômicos, como a necessidade de prestação de cuidados em saúde para aqueles que têm a doença, bem como a necessidade de oferecer ajuda para essas pessoas na realização de atividades básicas e instrumentais de vida diária, necessidade de reabilitação e, muitas vezes, necessidade de institucionalização.10

Indivíduos com osteosarcopenia têm 146% mais chance de ter fraturas, 66% mais risco de mortalidade e 62% mais risco de quedas dos que aqueles que não apresentam osteoporose e sarcopenia. Os indivíduos com osteosarcopenia são em geral mais velhos, do sexo feminino, apresentam IMC baixo, baixa densidade mineral óssea, menor força muscular, maior nível de comorbidades, são mais frágeis e apresentam pior desempenho em atividades básicas e instrumentais de vida diária e menor nível de atividade física.11

A seguir, apresentamos o mais recente algoritmo clínico para o diagnóstico e manejo da osteosarcopenia de forma a ampliar seu uso na prática clínica.12

A saúde muscular pode ser influenciada pela dieta do mediterrâneo? Conheça alguns estudos que analisam essa relação.

A sarcopenia gera um custo estimado de 18,5 bilhões de dólares com cuidados de saúde nos EUA. Na Inglaterra, um custo extra de 2,5 bilhões de libras está associado com cuidados relacionados às pessoas que apresentam diminuição da força muscular.13

 

A atividade física e o consumo de alguns alimentos, ricos em alguns macro e micronutrientes, têm sido destacados na literatura como intervenções não farmacológicas com potencial para tratar a sarcopenia.14

 

No que tange à nutrição, o consumo de frutas, vegetais, alimentos lácteos, peixes e óleo de oliva, alguns dos componentes presentes no padrão de dieta do mediterrâneo, vêm sendo associados à melhor saúde muscular.14-17

 

O maior consumo de frutas e vegetais vem sendo associado à melhor função muscular em estudos observacionais, mas as evidências em estudos de intervenção ainda são escassas. Comidas lácteas não líquidas foram benéficas para a massa muscular em estudos observacionais e de intervenção. Há evidências moderadas acerca do papel desses alimentos sobre a força muscular e sarcopenia e limitadas ou inconclusivas evidências para os benefícios de outros alimentos como peixes e ovos para a saúde muscular em idosos saudáveis.

 

Uma dieta rica em óleo de oliva tem sido evidenciada como benéfica para reduzir as concentrações de PCR e IL-6 quando comparada com dietas com conteúdo baixo desse tipo de gordura, indicando uma atividade anti-inflamatória desse produto, o que teria impacto positivo na musculatura. O efeito dos óleos de oliva é mais pronunciado em ensaios clínicos com mais de três meses de uso, mas ainda são necessários estudos que detalhem o tipo de óleo a ser utilizado.15

 

Outras recentes evidências têm mostrado que a aderência ao padrão de dieta do mediterrâneo pode reduzir o risco de pré-fragilidade e fragilidade, mas não sarcopenia. Entretanto, os dados ainda são insipientes.16

 

Há também evidências de que a aderência ao padrão da dieta do mediterrâneo está associada ao melhor desempenho físico e cognitivo em estudos transversais. Em estudos longitudinais, a alta aderência ao padrão da dieta do mediterrâneo reduziu o risco de declínio cognitivo em pacientes sem demência na linha de base.17

 

Pode-se concluir que os estudos existentes até agora sugerem uma associação entre os componentes da dieta do mediterrâneo e melhor saúde muscular. Entretanto, mais dados são necessários, especificamente ensaios clínicos, controlados e randomizados. Os recentes avanços na definição de sarcopenia podem facilitar avanços nos estudos que analisam a relação entre a dieta do mediterrâneo e a redução do risco ou o tratamento da sarcopenia.13-17

Qual quantidade de consumo proteico seria capaz de prevenir sarcopenia?  Qual o consumo ideal de proteína para o tratamento da sarcopenia? Leia esse conteúdo que aborda o papel da ingesta proteica na sarcopenia em idosos.

A prevalência de baixo consumo de proteínas (<0.8 g/kg ajustado por peso corporal por dia) em pessoas idosas é alta. Naqueles com 70 anos e mais, a prevalência de consumo de proteína <0.8 g/kg ajustado por peso corporal por dia é de 21,5%, essa prevalência aumenta para 46,7% se considerarmos o corte em <1,0 g/kg ajustado por peso corporal por dia, atingindo 70,8% se considerarmos <1,2 g/kg ajustado por peso corporal por dia.18

 

As recomendações atuais de consumo de proteínas para prevenir sarcopenia são: 0,83 g/kg de peso corporal por dia de acordo com a European Food Safety Autority (2012), 1,1 a 1,3 g/kg de peso corporal por dia para países nórdicos (2012), 1,0 g/kg de peso corporal por dia para países do DACH (Alemanha, Áustria e Suíça) (2019).18

 

Recente revisão sistemática apresentada por Marjolein Visser no World Congress of Osteoporosis, que ocorreu em agosto de 2021 em Londres, teve como objetivo analisar qual quantidade de consumo proteico seria capaz de prevenir sarcopenia através da avaliação do efeito de diferentes volumes proteicos sobre a massa muscular, força muscular e velocidade da caminhada, todos componentes da avaliação da sarcopenia. A revisão incluiu somente estudos que apresentavam, no mínimo, quatro semanas de intervenção, que incluíram pessoas com 50 anos ou mais, da comunidade ou vivendo em instituições de longa permanência, com consumo proteico basal ≥0,8 g/kg de peso corporal por dia e estudos que haviam realizado mais do que intervenção com proteínas.18

 

Foi observado benefício do consumo ≥0,8 g/kg de peso corporal para aumento da massa muscular em 21 dos 62 estudos. Tais estudos não envolveram mudanças no peso corporal. Não houve indicação de efeito dose-resposta. Os resultados da proteína sozinha (não no contexto do exercício) não diferiram de proteína no contexto concomitante de exercício. Dessa forma, apesar dos resultados não serem fortes, há um efeito benéfico possível do consumo ≥0,8g/kg de peso corporal para aumento da massa muscular.18

 

Foi observado benefício do consumo ≥0,8 g/kg de peso corporal para aumentar a força muscular em 14 dos 83 estudos. Efeito negativo foi observado em 2 dos 83 estudos. Não houve evidências de efeito dose resposta. O efeito da proteína sozinha (encontrada em 1 dos 28 estudos) diferiram do efeito da proteína concomitante com exercício resistido (benefício em 13 de 55 estudos). Provavelmente, não há nenhum efeito para proteína isolada. Dessa forma, há um possível benefício para o efeito concomitante do exercício e consumo de proteína ≥0,8 g/kg de peso corporal quando comparado com o exercício sozinho.

 

Foi observado um efeito benéfico do consumo proteico ≥0,8 g/kg de peso corporal para aumentar a velocidade de caminhada em 3 dos 44 estudos incluídos na metanálise. Não há indicativo da existência de efeito dose-resposta. Consumo de proteína sozinho não difere da combinação exercício e consumo de proteína. Dessa forma, provavelmente não há nenhum efeito do consumo de proteína isolado ≥0,8 g/kg de peso corporal.18

 

A conclusão geral da metanálise é que não há evidência convincente proveniente de ensaios clínicos controlados randomizados de que uma ingesta proteica >0,8 g/kg de peso corporal por dia previna sarcopenia em idosos da comunidade.18

 

Outra importante pergunta que os estudos tentam responder é: qual o consumo ideal de proteína para o tratamento da sarcopenia? Responder a essa pergunta com segurança ainda não é possível. Os ensaios clínicos inseridos nas revisões sistemáticas e metanálises têm diferentes critérios de inclusão, diferentes metodologias, bem como diferentes pontos de corte são usados para determinar sarcopenia. A maioria dos estudos inclui pessoas com ingesta proteica maior ou igual a 1,0 g/kg de peso corporal por dia, as intervenções muitas vezes não são com exclusivo aumento da ingesta de proteínas, há ganho de peso substancial em alguns ensaios clínicos controlados randomizados e há poucos estudos com exercícios tanto em grupo intervenção quanto no grupo controle.18

Dessa forma, conclui-se que mais de 20% dos idosos não alcançam as recomendações mínimas de ingesta proteica (≥0,8 g/kg de peso corporal por dia). Não há evidências convincentes dos ensaios clínicos controlados randomizados de que o consumo proteico >0,8 g/kg de peso corporal por dia previna sarcopenia em idosos da comunidade e, por fim, há uma grande heterogeneidade dos ensaios clínicos que investigaram o papel da ingesta proteica no tratamento da sarcopenia em idosos, o que exige mais estudos para uma conclusão mais efetiva.18

Apesar de não haver guidelines de sociedades profissionais para prevenir e tratar a miopatia induzida por glicocorticoides, neste texto são abordadas as recomendações provenientes da literatura.

A miopatia induzida por glicocorticoides é a mais comum das miopatias induzidas por drogas. A prevalência de fraqueza muscular e miopatia em usuários prolongados de glicocorticoides é de mais de 50%, sendo maior nas mulheres do que nos homens.19

 

Há um efeito gradual da droga na musculatura que se inicia com fraqueza muscular proximal, seguida de atrofia dos grupos musculares proximais, sendo a fraqueza de membros inferiores anterior e mais severa do que a de membros superiores.19

 

É reconhecida a grande variedade no tempo de uso da droga para o início dos sintomas, variando de semanas até meses de seu uso contínuo. A dose utilizada é outro elemento importante, sendo que doses maiores (>40-60 mg/dia) podem acelerar o processo de miopatia. Contudo, a miopatia é rara em indivíduos em uso de prednisona em doses menores que 10 mg/dia (apesar de não haver dose segura de uso). Ademais, o risco de miopatia também parece ser maior quando se usam preparações fluoradas, como a dexametasona, em detrimento das preparações não fluoradas, como a prednisona.19

 

Apesar de não haver guidelines de sociedades profissionais para prevenir e tratar a miopatia induzida por glicocorticoides, as recomendações provenientes da literatura são:

  • Minimizar a dose e a duração do uso de glicocorticoides tentando alcançar dosagens menores que 10 mg/dia;
  • Tentar descontinuar o uso o mais rápido possível;
  • Estimular que os pacientes que fazem uso da droga realizem treino progressivo de resistência.19

Novas pesquisas, mesmo que ainda incertas, podem trazer importantes inovações para o tratamento da osteoporose, sarcopenia e osteosarcopenia.

A parabiose heterogênea revela um efeito de “rejuvenescimento” quando o sangue de ratos jovens é transferido para ratos velhos e uma “supressão de regeneração” quando o sangue de ratos velhos é transferido para ratos jovens. Por trás desses achados há uma teoria de que fatores de circulação teriam impacto nas células e nos tecidos para reparar as funções normais. Alguns desses fatores seriam as microvesículas e as exossomas ou vesículas extracelulares (EVs).20

 

Os exossomas são pequenas vesículas (30 a 150 nm) com conteúdo sofisticado de RNA e proteínas, que são constantemente secretados por todas as células in vitro e in vivo com muitas funções intrigantes dentro do corpo humano, incluindo comunicação e sinalização intercelular.21

Essas pequenas vesículas parecem estar relacionadas à comunicação do osso com os músculos e com o tecido adiposo. Tais vesículas são produzidas nas células e são captadas em outras células por apresentação de antígeno, interação com ligação em receptores, captadas por endocitose ou por fusão com a membrana plasmática.22

 

O músculo esquelético, assim como outros órgãos e tecidos, é uma fonte de vesículas extracelulares (EVs). Há evidências da expressão de um micro RNA associado a senescência, o MIR-34a, que está elevado em músculos e em vesículas extracelulares de ratos idosos.23

 

Além disso, espécies reativas de oxigênio estão aumentadas em músculos à medida que a idade avança e as espécies reativas de oxigênio aumentam a concentração de MIR-34a em vesículas extracelulares in vitro derivadas de mioblastos. As espécies reativas de oxigênio aumentam a senescência das células-tronco musculares que liberam mais MIR-34a em vesículas extracelulares que prejudicam a formação muscular e óssea. Dessa forma, entende-se que os microRNAs transportados pelas vesículas extracelulares seriam um caminho, até então desconhecido, de comunicação músculo-osso ainda não completamente conhecidos.24

 

Recentes evidências demonstraram que os inibidores da histona deacetilase (HDACi) são capazes de ajustar microRNAs em vesículas extracelulares de células mesenquimais de músculos distróficos. Esse efeito se daria pelo aumento da proliferação e diferenciação celular com efeitos terapêuticos como aumento da regeneração, diminuição da fibrose e diminuição da inflamação, o que seria muito promissor do ponto de vista terapêutico.25

 

Isso abre um imenso caminho para novas perguntas de pesquisas, por exemplo:

  • As vesículas extracelulares de várias populações celulares [Progenitores fibro-adipogênicos (FAPS) ou de células satélites] teriam potenciais terapêuticos diferentes?
  • Como várias modalidades de exercícios (endurance e treino resistido) alteram a carga e a biogênese das vesículas extracelulares derivadas de músculo?
  • Como as vesículas extracelulares derivadas de músculo alteram a inflamação e a degeneração articular?

 

Tudo isso ainda é incerto, mas pode trazer importantes inovações para o tratamento da osteoporose, sarcopenia e osteosarcopenia.

Estudo analisou as regiões do cérebro na dinapenia e mostrou resultados muito interessantes. Confira!

Recentemente, o EWGSOP2 revisou a definição e os critérios diagnósticos de sarcopenia colocando a avaliação da força muscular a frente da avaliação da massa muscular. A força muscular é um melhor preditor de incapacidade e desfechos negativos do que a massa muscular. A etiologia e a patologia da dinapenia (baixa força muscular) não são ainda completamente conhecidas.1

 

Vários níveis de lesões no sistema neurológico podem promover o desenvolvimento de sarcopenia. Dessa forma, emergem evidências de que fatores centrais têm um papel determinante no desenvolvimento da sarcopenia. Há evidências de que haja uma associação entre função executiva e capacidade de realizar dupla tarefa com os componentes da sarcopenia.1,26,27

 

Alguns estudos têm associado mudanças nas estruturas cerebrais como redução dos volumes de substância branca e cinzenta com os componentes da sarcopenia incluindo baixa força muscular apesar dos resultados ainda serem conflitantes.26,27

 

Entretanto, um estudo utilizando ressonância magnética funcional revelou um recrutamento diferente dos circuitos motores no cérebro durante as atividades de dupla tarefa em indivíduos dinapênicos quando comparados aos não dinapênicos. Em particular, enquanto a atividade cerebral durante as atividades de tarefas simples não diferiu entre os dois grupos, somente durante a realização de atividades de dupla tarefa ficou claro que os indivíduos não dinapênicos apresentaram aumento significativo da ativação no córtex pré-motor e na área motora suplementar quando comparados com os indivíduos dinapênicos.26

 

Isso pode ser interpretado como uma demonstração de que em indivíduos dinapênicos há um recrutamento insuficiente de atividade nas áreas motoras no cérebro, quando as tarefas ficam mais complexas. Dessa forma, os resultados apontam para um envolvimento disfuncional da atividade cerebral em indivíduos dinapênicos num paradigma multitarefa.26


Análise dos papéis morfológicos e funcionais da vitamina D no músculo, incluindo a expressão do VDR no músculo esquelético, central para a compreensão dos efeitos da vitamina D nesse tecido.

Estudos pré-clínicos sugerem que a vitamina D influencia o desenvolvimento do tamanho das células musculares e a regeneração via células-tronco musculares, ou células-satélites.28

 

Há evidências modestas do aumento da concentração de VDR intramionuclear e no tamanho da fibra muscular em biópsia de músculos de mulheres pós-menopausa que fizeram suplementação de vitamina D3 (4000 UI/d) quando comparadas a placebo.28

Estudos pré-clínicos sugerem que a vitamina D influencia o desenvolvimento do tamanho das células musculares e a regeneração via células-tronco musculares, ou células-satélites.

Entretanto, a suplementação com 25(OH)D3 resulta em um aumento maior nas concentrações séricas de 25(OH)D versus vitamina D3. Dessa forma, analisou-se se 25(OH)D3 tem um aumento mais pronunciado na expressão de VDR no músculo e no tamanho da fibra muscular do que a vitamina D3 ou placebo. Analisou-se o efeito da suplementação na concentração de VDR intramionuclear, na área de secção transversa das fibras musculares tipo I e II e na ativação de células satélites musculares por seis meses de acompanhamento.28

 

Os níveis séricos de vitamina D aumentaram muito mais no grupo que fez suplementação de 25(OH)D3 do que no que fez suplementação de D3 ou placebo. Não houve diferença entre as duas suplementações na porcentagem de receptores VDR no mionúcleo. Houve aumento na área de secção transversa das fibras tipo I nos indivíduos que suplementaram com vitamina D3 quando comparados com 25(OH)D3 e placebo. Isso pode ser explicado, pois a suplementação de vitamina D3 pode melhorar ainda mais a resistência das fibras tipo I a fadiga. Não houve diferença entre os três grupos para área de secção transversa de fibras tipo II. Não houve diferença na ativação de células satélites musculares.28

 

Contudo, mais estudos com amostras maiores precisam ser realizados uma vez que mesmo os indivíduos apresentando aumento nos níveis séricos de 25(OH)D3, ao final dos seis meses de estudo não foram vistos impactos nos indicadores de melhora de função muscular.28