Preferência dos profissionais de saúde por uma vacina hexavalente totalmente líquida e pronta para uso na Espanha1

A vacinação é uma intervenção de saúde eficaz para a prevenção de doenças infecciosas. A resposta de enfermeiros foi avaliada quanto ao uso de formulações prontas para uso (RTU) de vacinas hexavalentes e medidas para prevenir erros durante o processo de vacinação. Esse estudo observacional, descritivo e transversal ocorreu de março a maio de 2018 com 201 entrevistas com enfermeiras de centros de saúde de Madri (70), Murcia (59) e Andaluzia (72), que haviam administrado vacinas RTU nos últimos 12 meses.

Aproximadamente 91,6% dos enfermeiros forneceram feedback positivo para o uso de vacinas RTU. As preocupações mais significativas dos enfermeiros foram relacionadas à preparação e administração das vacinas; 84,1% contra 18,9% dos enfermeiros sentiram que o risco de cometer erros era menor durante o uso de vacinas RTU em comparação a vacinas não reconstituídas (liofilizadas) e 74,1% versus 22,4% dos enfermeiros sentiram facilidade em preparar vacinas RTU em comparação com vacinas liofilizadas. Um total de 66,7% dos enfermeiros acredita que existem riscos associados à preparação de vacinas liofilizadas (risco de administração [42,8%] e risco de lesão por agulha [42,3%]). Os percentuais de risco reduziram para 4% e 9,5%, respectivamente, com o uso das vacinas RTU. Portanto, os enfermeiros adotaram em média sete etapas para reduzir o risco de erros. O tempo médio economizado durante a administração das vacinas foi de 1,1 min. 

Em suma, os enfermeiros destacaram a necessidade de administrar vacinas em formulações de RTU para garantir a segurança dos receptores, evitando erros e economizando tempo durante o processo de vacinação.

Redução no autorrelato de doença semelhante à influenza em crianças em idade escolar e membros da família após a administração da vacina contra influenza – um estudo de coorte (Israel, 2016-2017)2

O estudo analisou alunos da segunda série vacinados contra a gripe desde o inverno de 2016-2017 com o objetivo de avaliar a redução da taxa de vacinação contra influenza sazonal entre crianças vacinadas e seus familiares e da coorte vacinada e seus familiares.

O estudo de coorte retrospectivo foi realizado no inverno de 2016-2017 no distrito de Tel-Aviv, Israel, e comparou alunos da segunda série que foram vacinados na escola com alunos da terceira série – que não foram vacinados na escola. Em nove escolas, os pais foram solicitados a relatar vacinação prévia contra influenza e síndrome gripal (SG) de seus filhos e outros membros da família. A redução da taxa foi definida como [(SG entre não vacinados) – (SG entre vacinados)]/(SG entre vacinados) (%).

De 527 participantes, 359 (68,1%) não foram vacinados e 168 (31,9%) foram vacinados. Crianças não vacinadas relataram mais SG em comparação a crianças vacinadas (19,5% vs. 7,7%), resultando em uma redução na taxa de 60,5%.
 
As crianças não vacinadas também tiveram um maior número de consultas médicas e faltas às aulas (35,7% vs. 14,9 e 42,9% vs. 25,6%, respectivamente). A taxa de SG entre membros da família de crianças não vacinadas foi de 34,5%, em comparação com 25,0% entre membros da família de crianças vacinadas.

A coorte vacinada (definida como todas as crianças na segunda série) relatou menos SG em comparação com a coorte não vacinada (definida como todas as crianças na terceira série), com uma redução na taxa de 44,6%. Os alunos da coorte não vacinada eram mais propensos a faltar aos dias letivos (42,1% vs. 32,0%, respectivamente), e uma taxa mais alta de SG foi relatada entre os membros da família da coorte não vacinada (35,4% vs. 27,3%, respectivamente).

A vacina contra influenza administrada em ambiente escolar reduziu a SG entre a coorte vacinada e seus familiares em 60,5 e 27,5%, respectivamente, em comparação com a coorte não vacinada. A expansão do programa de vacinação em um ambiente escolar aumentou o benefício para a saúde pública das vacinas contra a gripe entre as crianças em idade escolar e seus familiares.

Baixa hesitação da vacina contra COVID-19 no Brasil3

A pandemia de COVID-19 afetou o mundo inteiro, e a vacina surgiu como uma fonte de esperança para o retorno à vida normal. Mesmo assim, vários países relataram altos níveis de hesitação vacinal. É importante conhecer o perfil de hesitação à vacina no Brasil para ajudar a projetar estratégias de comunicação adequadas. Uma pesquisa online voluntária e anônima foi conduzida de 22 a 29 de janeiro de 2021, incluindo adultos brasileiros residentes para avaliar os fatores relacionados à hesitação à vacina. Dados sociodemográficos e epidemiológicos foram analisados.

Uma análise bivariada foi conduzida com as variáveis independentes, tendo a hesitação vacinal como variável de desfecho, e um modelo logístico multivariado foi usado para calcular razões de odds ajustadas. A amostra incluiu 173.178 respondentes, e hesitação vacinal foi encontrada em 10,5%. Os principais fatores associados à hesitação vacinal foram: atribuir importância à eficácia da vacina (AOR = 16,39), medo de reações adversas (AOR = 11,23) e atribuir importância ao país de origem da vacina (AOR = 3,72). Outros fatores de risco foram: sexo masculino (AOR = 1,62), ter filhos (AOR = 1,29), 9 anos de estudo ou menos (AOR = 1,31), residir na região Centro-Oeste (AOR = 1,19), 40 anos, (AOR = 1,17) e renda mensal <US$ 788,68 (AOR = 1,13). As duas vacinas disponíveis no Brasil, Covishield (AstraZeneca) e CoronaVac, mostraram confiança semelhante, 80,13% e 76,36%, respectivamente, apesar da maior rejeição da última vacina de origem chinesa. Essa pesquisa online confirma a baixa taxa de hesitação vacinal entre os brasileiros e permitiu a identificação de um perfil que pode auxiliar na elaboração de estratégias de comunicação para aumentar a adesão às vacinas.