Diarreia


A diarreia é descrita como três ou mais fezes moles ou aquosas por dia, podendo ser classificada como aguda ou crônica e infecciosa ou não infecciosa com base na duração e tipo de sintomas.1,2

Os sinais e sintomas comumente associados à diarreia são:1-3
  • Desidratação;
  • Febre;
  • Náuseas e vômitos;
  • Cólicas abdominais;
  • Sangramento.

Um quadro agudo (<2 semanas) é comumente causado por infecções, enquanto quadros crônicos (>4 semanas) estão mais relacionados a etiologias não infecciosas.1,2 As causas infecciosas de diarreia aguda incluem vírus, bactérias e, com menos frequência, parasitas. As causas não infecciosas incluem efeitos adversos de medicamentos, doenças gastroenterológicas e doenças endócrinas.2 

Assim, o tratamento e o manejo são baseados na duração e na etiologia específica, sendo que a terapia de reidratação é importante no manejo de qualquer paciente com diarreia.1,2


Diarreia causada por antibióticos


Entre os medicamentos, os antibióticos estão entre a classe com maior prevalência de diarreia e outras complicações gastrointestinais.2,3

Isso acontece porque o uso de antibióticos altera a distribuição e diversidade dos microrganismos do trato gastrointestinal, facilitando o crescimento excessivo de microrganismos oportunistas e causando um desequilíbrio no sinergismo entre a microbiota e o organismo hospedeiro, o que recebe o nome de disbiose.3  

Após a interrupção da antibioticoterapia, a microbiota intestinal pode se restabelecer de forma instável e, assim, os pacientes podem ficar mais suscetíveis a novos episódios de diarreia e infecções secundárias.3  

Dessa forma, a restauração da microbiota intestinal durante e após o uso de antibióticos é fundamental. Isso pode ser feito com o uso de probióticos, mantendo a microbiota saudável durante ou após a antibioticoterapia.3


Uso de probióticos para o manejo da diarreia aguda


Os probióticos são micróbios vivos que, quando administrados em quantidade adequada, conferem um benefício à saúde do hospedeiro.4 

Essa suplementação tem sido usada há muitos anos no manejo da diarreia, devido à capacidade de preservar a integridade da mucosa intestinal e aumentar o equilíbrio hidroeletrolítico.5

Os probióticos atuais incluem principalmente bactérias do gênero Bacillus,5 capazes de formar esporos. Na fase esporulada, os bacilos podem ser armazenados à temperatura ambiente sem qualquer perda de viabilidade, além de serem resistentes às condições ácidas do estômago (baixo pH), o que permite sua sobrevivência ao trânsito gástrico para chegar ao intestino.Por exemplo, dados experimentais sugerem que os esporos de Bacillus clausii (presentes na Enterogermina®) são extremamente estáveis a condições ácidas e toda a dose de bactéria ingerida chega ao intestino delgado intacta.4 

E como os probióticos podem contribuir em quadros de diarreia aguda? Os principais mecanismos para isso incluem (Figura 1):5 
  • Estimulação do sistema imunológico;
  • Síntese de substâncias antimicrobianas;
  • Modulação da composição da microbiota intestinal. 
Figura 1. Possíveis mecanismos que conferem os benefícios oferecidos pela suplementação de Bacillus probióticos formadores de esporos (como o B. clausii, da Enterogermina®), resistentes às condições ácidas do estômago (baixo pH) e, portanto, capazes de sobreviver ao trânsito gástrico para chegar ao intestino. A ingestão diária resulta no aumento de sua colonização no intestino, com consequente aumento de população microbiana benéfica e diminuição do número de cepas patogênicas. Além disso, os Bacillus podem estimular diferentes células imunes para a produção de citocinas anti-inflamatórias, contribuindo para a homeostase imune. (Adaptado de: Elshaghabee FMF et al. Front Microbiol 2017;8:1490.6)

Bacillus clausii


Como já comentamos, o Bacillus clausii é uma bactéria probiótica formadora de esporos, que mantém a saúde intestinal melhorando o microambiente digestivo, reprogramando a microbiota intestinal e regulando a imunidade do hospedeiro.Por ser uma bactéria altamente resistente à maioria dos antibióticos, sua eficácia não é alterada pela antibioterapia concomitante. Além disso, Bacillus clausii é único por seu rápido crescimento em ambientes aeróbicos e anaeróbicose por sua capacidade de inibir o crescimento de patógenos no trato gastrointestinal.4

Um estudo clínico randomizado observou que a administração de B. clausii foi eficaz na melhora da diarreia associada a antibióticos, reduzindo o número total de fezes não formadas em crianças, adolescentes e adultos (Figura 2).3 
Figura 2. Número total de fezes não formadas (induzidas por diarreia associada ao uso de antibióticos) registrado no grupo pediátrico e adolescente/adulto entre o primeiro dia de administração de B. clausii até o final do tratamento. (Adaptado de: Maity C, et al. Heliyon 2021;7(9):e07993.3)
Também foi observado, através da escala visual analógica (0 a 10) realizada antes e ao final do tratamento, que pacientes que receberam B. clausii apresentaram menos sintomas de vômitos e náuseas nos grupos pediátricos, adultos e adolescentes em comparação com placebo (p<0,0001) (Figura 3).3
Figura 3. Pontuações comparativas da escala analógica visual avaliadas para náusea decorrente da diarreia associada a antibióticos no início e ao final do estudo. (Adaptado de: Maity C, et al. Heliyon 2021;7(9):e07993.3)
Além disso, B. clausii foi bem tolerado pelos participantes do estudo e não houve relatos de eventos adversos ou eventos adversos graves ou reações adversas ao medicamento durante o período do estudo.3 

Outro estudo realizado em 3.178 crianças avaliou a segurança, tolerabilidade e eficácia do Bacillus clausii como uma terapia adjuvante para o tratamento de diarreia aguda adquirida na comunidade de origem viral ou associada à administração de antibióticos. O número de episódios de diarreia diminuiu significativamente (p<0,001) em cada dia de tratamento, de uma mediana de 5 episódios por dia no início do estudo para 1 episódio por dia a partir do quinto dia de tratamento. Não houve diferença significativa (p=0,297) na duração média entre pacientes com diarreia associada a antibióticos (3,3 ± 1,3 dias) ou diarreia viral (3,4 ± 1,3 dias) (Figura 4).5
Figura 4. Número médio de fezes por dia de tratamento, de acordo com a causa da diarreia: viral ou associada ao uso de antibiótico. (Adaptado de: de Castro J-AA, et al. Trop Dis Travel Med Vaccines 2019;5:14.5)
A incidência de náuseas e vômitos diminuiu significativamente desde o início até o final do estudo (Figura 5).5
Figura 5. A porcentagem de pacientes com sintomas gastrointestinais após o tratamento com Bacillus clausii foi significativamente menor em relação ao início do estudo. (Adaptado de: de Castro J-AA, et al. Trop Dis Travel Med Vaccines 2019;5:14.5)
A duração média do tratamento com Bacillus clausii foi de 5,8 ± 1,3 dias, com uma dose média total de 10 frascos ou 2 frascos por dia.5

Durante o estudo, foram observados um total de 3 eventos adversos relatados por 3 de 3178 pacientes (0,09%), incluindo:5
  • Vômito, cuja relação com a medicação do estudo não pode ser determinada;
  • Erupções cutâneas eritematosas consideradas não relacionadas com Bacillus clausii;
  • Mudança de cor das fezes (fezes verdes), julgado como possivelmente relacionado a Bacillus clausii

Esses eventos adversos foram de gravidade leve a moderada, e todos os pacientes se recuperaram sem sequelas ao final do estudo, indicando que a terapia com Bacillus clausii foi bem tolerada e a taxa de eventos adversos relatados foi muito baixa, o que está de acordo com outros dados que mostram que os probióticos são seguros.5

Além disso, a aceitação geral do Bacilo foi classificada como "boa" a "excelente" pela maioria das pessoas que participaram do estudo (>95%). Esse alto nível de aceitação pode ser parcialmente explicado pelas propriedades insípidas e inodoras da Enterogermina®, o probiótico administrado no estudo.5
figura 6


Em resumo, os probióticos, como o Bacillus clausii, promovem o crescimento de outros micróbios benéficos, além da supressão de patógenos e da resposta inflamatória induzida por patógenos na mucosa intestinal.5 

Conclusões


As conclusões que se podem tirar dos estudos mencionados é que B. clausii é um probiótico eficaz no manejo da diarreia, independentemente da causa, apresentando também a vantagem adicional de ser um formador de esporos, tornando-o um probiótico estável e muito resistente, que pode ser armazenado à temperatura ambiente.4 

Além disso, B. clausii apresenta propriedades insípidas e inodoras, que contribuem com seu alto nível de aceitação.5