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O que é a DECH?

A Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH) é uma complicação que pode ocorrer após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas, incluindo o transplante de medula óssea. Ela acontece quando células imunológicas provenientes do doador reconhecem os tecidos do receptor como estranhos e passam a atacá-los.1 A DECH pode apresentar manifestações agudas ou crônicas.2

A DECH crônica é uma das principais causas de morbidade tardia e uma importante causa de mortalidade não relacionada à recaída após o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas.3,4

continuidade da DECH crônica

A doença pode acometer múltiplos órgãos e comprometer significativamente a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes.2,5,6

Mecanismos inflamatórios e profibróticos fazem parte da fisiopatologia da DECH crônica e podem contribuir simultaneamente para o dano tecidual, o remodelamento dos órgãos e a perda progressiva da função.3,6

O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é essencial para possibilitar avaliação e manejo oportunos, antes da progressão para manifestações graves e danos orgânicos potencialmente irreversíveis.7


Qual é a diferença entre DECH aguda e DECH crônica?

Historicamente, o marco de 100 dias após o transplante, conhecido como dia +100, era utilizado para diferenciar a DECH aguda da crônica. Hoje, a classificação considera principalmente as manifestações clínicas, pois ambas podem ocorrer antes ou depois desse período.2

    Apresenta manifestações predominantemente 
inflamatórias e afeta principalmente8:

    • Pele — eritema e erupções cutâneas
    • Trato gastrointestinal — diarreia, náuseas, vômitos e dor abdominal
    • Fígado — alterações da função hepática e aumento da bilirrubina

    É uma doença multissistêmica, com manifestações inflamatórias e fibróticas, que pode acometer diferentes órgãos e tecidos e comprometer progressivamente sua função.2,3

As manifestações podem se sobrepor2


Alguns pacientes apresentam, ao mesmo tempo, características de DECH aguda e crônica. Esse quadro é denominado síndrome de sobreposição e integra o espectro da DECH crônica. 2


Reconheça os principais sinais e sintomas da DECH crônica:

Como a DECH impacta a vida dos pacientes?5,9

Os impactos da DECH crônica não são apenas observados em achados laboratoriais.5,9 O impacto físico e emocional da doença pode também afetar amplamente os pacientes5,9. A doença pode comprometer a autonomia, a rotina, o trabalho, as relações e o bem-estar emocional dos pacientes.5,9,10

Autonomia e rotina
Atividades simples, como caminhar, vestir-se, cuidar da casa ou sair sozinho, podem se tornar mais difíceis.10

Trabalho e vida financeira
Os sintomas podem levar à redução da jornada, mudança de função ou afastamento do trabalho.11

Convívio e bem-estar emocional
As limitações podem reduzir a participação social e contribuir para ansiedade, depressão e isolamento.9,10

Intimidade e relacionamentos
O acometimento genital pode afetar o conforto, a vida sexual e a intimidade do paciente.1

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Como é feito o diagnóstico da DECH crônica?

O diagnóstico da DECH crônica é baseado na identificação de manifestações clínicas características e não depende apenas do tempo após o transplante. Quando necessário, avaliações complementares auxiliam na confirmação e outras possíveis causas também devem ser excluídas.2,7



RECONHECER

Manifestações clínicas



CONFIRMAR

Avaliações complementares
 



 AVALIAR

Órgãos acometidos e gravidade


Avaliação da gravidade2
A avaliação sistemática dos órgãos acometidos contribui para determinar a gravidade da doença e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.2,7

O que o tratamento da DECH crônica busca alcançar?

Controlar a atividade da doença e reduzir os sintomas.13,14

Preservar a função dos órgãos e evitar a progressão do dano.13,14

Melhorar a capacidade funcional e a qualidade de vida.13,14

Reduzir gradualmente a imunossupressão, quando a doença estiver controlada.14

Reconhecer cedo pode fazer diferença!

Fique atento aos sinais!

    Referências

    1. Moreno DF, Cid J. Graft-versus-host disease. Med Clin (Barc). 2019;152(1):22-28. doi:10.1016/j.medcli.2018.07.012.
    2. Jagasia MH, Greinix HT, Arora M, et al. National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: I. The 2014 Diagnosis and Staging Working Group Report. Biol Blood Marrow Transplant. 2015;21(3):389-401.e1. doi:10.1016/j.bbmt.2014.12.001.
    3. 3Cooke KR, Luznik L, Sarantopoulos S, et al. The biology of chronic graft-versus-host disease: a task force report from the National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease. Biol Blood Marrow Transplant. 2017;23(2):211-234. doi:10.1016/j.bbmt.2016.09.023.
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    5. Pidala J, Kurland B, Chai X, et al. Patient-reported quality of life is associated with severity of chronic graft-versus-host disease as measured by NIH criteria: report on baseline data from the Chronic GVHD Consortium. Blood. 2011;117(17):4651-4657. doi:10.1182/blood-2010-11-319509.
    6. Wolff D, Radojcic V, Lafyatis R, et al. National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: IV. The 2020 Highly Morbid Forms Report. Transplant Cell Ther. 2021;27(10):817-835. doi:10.1016/j.jtct.2021.06.001.
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    9. El-Jawahri A, Pidala J, Khera N, et al. Impact of psychological distress on quality of life, functional status, and survival in patients with chronic graft-versus-host disease. Biol Blood Marrow Transplant. 2018;24(11):2285-2292. doi:10.1016/j.bbmt.2018.07.020.
    10. Yu J, Hamilton BK, Turnbull J, et al. Patient-reported symptom burden and impact on daily activities in chronic graft-versus-host disease. Cancer Med. 2023;12(3):3623-3633. doi:10.1002/cam4.5209.
    11. Yu J, Khera N, Turnbull J, et al. Impact of chronic graft-versus-host disease on patient employment, income, and informal caregiver burden: findings from the Living With Chronic GVHD Patient Survey. Transplant Cell Ther. 2023;29(7):470.e1-470.e9. doi:10.1016/j.jtct.2023.04.004.
    12. Martínez-Maestre MÁ, Castelo-Branco C, Calderón AM, Espigado I, Pérez-Simón JA, González-Cejudo C. Genital chronic graft-versus-host disease: an unmet need that requires trained gynecologists. Climacteric. 2024;27(3):275-281. doi:10.1080/13697137.2024.2314521.
    13. DeFilipp Z, Couriel DR, Lazaryan A, et al. National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: III. The 2020 Treatment of Chronic GVHD Report. Transplant Cell Ther. 2021;27(9):729-737. doi:10.1016/j.jtct.2021.05.004.
    14. Flowers MED, Martin PJ. How we treat chronic graft-versus-host disease. Blood. 2015;125(4):606-615. doi:10.1182/blood-2014-08-551994.