Essa página trata-se de informações sobre a Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro Crônica (DECHc), uma complicação após transplante alogênico. O reconhecimento precoce dos sinais pela equipe de enfermagem é essencial para avaliação médica oportuna e suporte contínuo ao paciente.

Reconhecer cedo é essencial

A Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro Crônica (DECHc) é uma complicação imunomediada que pode ocorrer após o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas. Suas manifestações podem envolver diferentes órgãos e sistemas, impactando a funcionalidade, a rotina e a qualidade de vida dos pacientes.1,2,6

A identificação precoce dos sinais e sintomas pela equipe de enfermagem pode contribuir para avaliação médica oportuna, monitoramento adequado da evolução clínica e suporte contínuo ao paciente.3,4

Quais órgãos podem ser afetados?
A DECHc pode acometer múltiplos órgãos ao mesmo tempo

Sinais de alerta
Encaminhar para avaliação médica quando houver:

Sintoma novo, persistente ou progressivo;

Piora de sintomas previamente conhecidos;

Alterações em pele, boca ou olhos;

Falta de ar ou tosse persistente;

Perda de peso sem causa aparente;

Diarreia persistente;

Feridas que não cicatrizam;

Dor ou rigidez com limitação funcional;

Queda importante da funcionalidade.1,3,4

Na DECHc, pequenas mudanças podem indicar atividade da doença.

O reconhecimento precoce é uma oportunidade para acompanhamento adequado e comunicação rápida com a equipe médica.1,3,4

O papel da enfermagem na jornada do paciente com DECHc

A enfermagem ocupa uma posição estratégica no acompanhamento dos pacientes após o transplante. Pela proximidade com o paciente e seus familiares, frequentemente é a primeira equipe a identificar alterações sugestivas de DECHc.3,4

Observar

Observar
Reconhecer alterações físicas e funcionais.3,4

Comunicar

Comunicar
Compartilhar prontamente informações relevantes com a equipe médica.3,4

Escutar

Escutar
Valorizar o relato do paciente.3,4

Orientar

Orientar
Reforçar adesão ao tratamento e medidas de autocuidado.3,4

Registrar

Registrar
Documentar sinais, sintomas e evolução clínica.3,4

Acompanhar

Acompanhar
Promover cuidado contínuo e acolhimento ao paciente e familiares.3,4

Muito além dos sintomas

A DECHc pode apresentar evolução prolongada e impactar diferentes aspectos da vida do paciente. Os sintomas podem variar ao longo do tempo e comprometer a funcionalidade, a independência e a qualidade de vida.5,7

Impactos possíveis

Monitoramento ativo: o que observar?

Durante consultas, retornos ou contatos de acompanhamento, investigar:

Alterações na pele¹
Sintomas na boca¹
Sintomas oculares¹
Tosse, falta de ar ou cansaço¹
Dor, rigidez ou limitação de movimentos¹
Náuseas, vômitos, diarreia ou perda de peso¹

Fadiga2
Sono3
Alimentação3
Humor5
Adesão ao tratamento3
Dificuldade para realizar atividades diárias2,3

Abordagem multiprofissional

O cuidado do paciente com DECHc é individualizado e integrado e pode envolver diferentes profissionais de saúde, incluindo hematologia, enfermagem, fisioterapia, odontologia, oftalmologia, nutrição, psicologia, pneumologia e dermatologia.3,4

Orientações práticas ao paciente

Reforçar ao paciente e familiares:

Informe sintomas novos ou piora dos sintomas.3,4
Não interrompa medicamentos sem orientação médica.3,4
Evite automedicação.3,4
Compareça às consultas e exames de acompanhamento.3,4

Siga os cuidados orientados para pele, boca e olhos.3,4
Informe febre, sinais de infecção ou feridas que não cicatrizam.3,4
Compartilhe dúvidas e dificuldades com a equipe.3,4

Identificar cedo é cuidar melhor.

O olhar atento da enfermagem é essencial para o reconhecimento precoce da DECHc, para o acompanhamento contínuo do paciente e para o fortalecimento da comunicação com a equipe multiprofissional.3,4

    Referências:

    1. Jagasia MH, Greinix HT, Arora M, et al. National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: I. The 2014 Diagnosis and Staging Working Group Report. Biology of Blood and Marrow Transplantation. 2015;21(3):389–401.e1.
    2. Lee SJ, Wolff D, Kitko C, et al. Measuring Therapeutic Response in Chronic Graft-versus-Host Disease: National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: IV. The 2014 Response Criteria Working Group Report. Biology of Blood and Marrow Transplantation. 2015;21(6):984–999.
    3. Carpenter PA, Kitko CL, Elad S, et al. National Institutes of Health Consensus Development Project on Criteria for Clinical Trials in Chronic Graft-versus-Host Disease: V. The 2014 Ancillary Therapy and Supportive Care Working Group Report. Biology of Blood and Marrow Transplantation. 2015;21(7):1167–1187.
    4. Flowers MED, Martin PJ. How we treat chronic graft-versus-host disease. Blood. 2015;125(4):606–615.
    5. Pidala J, Kurland BF, Chai X, et al. Patient-reported quality of life is associated with severity of chronic graft-versus-host disease as measured by NIH criteria. Blood. 2011;117(17):4651–4657.
    6. Zeiser R, Blazar BR. Pathophysiology of chronic graft-versus-host disease and therapeutic targets. New England Journal of Medicine. 2017;377(26):2565–2579.
    7. Cooke KR, Luznik L, Sarantopoulos S, et al. The Biology of Chronic Graft-versus-Host Disease: A Task Force Report from the NIH Consensus Development Project. Biology of Blood and Marrow Transplantation. 2017;23(2):211–234.
    8. Arai S, Arora M, Wang T, et al. Increasing incidence of chronic graft-versus-host disease in allogeneic transplantation: A report from the Center for International Blood and Marrow Transplant Research. Biology of Blood and Marrow Transplantation. 2015;21(2):266–274.