Além da imunização do bebê, uma dúvida frequente das mães logo após o nascimento dos filhos é quanto a sua própria imunização. Afinal, é recomendável para o recém-nascido que a mãe tome vacina enquanto está amamentando? E para crianças maiores? Há risco de o vírus atenuado da vacina ser transmitido para bebês?

Para tirar essas dúvidas, conversamos com o Dr. Daniel Jarovsky, especialista em infectologia pediátrica que acompanha diariamente o cotidiano de mães lactantes e seus filhos, recém-nascidos ou não. Segundo ele, de modo geral, as vacinas são liberadas e recomendadas para mães lactantes, com poucas exceções.

“Independentemente da vacina, no geral, não existe nenhuma preocupação excessiva quanto à criança, inclusive porque a imunização acaba passando os anticorpos da mãe para o filho por meio do leite materno, que servem para a proteção do bebê”, disse.

“Estudos envolvendo vacinas com vírus atenuado”, continua ele, “apontam que o vírus pode ser transferido para o bebê, mas esse não é um fator preocupante. É uma quantidade tão irrelevante que costuma causar nada ou praticamente nada ao bebê”.

Você sabia?


As vacinas virais podem ser classificadas como atenuadas, inativadas ou de subunidades. As vacinas atenuadas contêm agentes infecciosos vivos, mas enfraquecidos. Já as vacinas inativadas e de subunidades usam agentes mortos ou apenas partículas deles.

A vacina atenuada é aquela em que o vírus se encontra ativo, porém, sem capacidade de produzir a doença (exemplos: caxumba, febre amarela, poliomielite oral (VOP), rubéola, sarampo, varicela). Raras vezes, esses vírus podem reverter para a forma selvagem, causando a doença. No entanto, essas vacinas são contraindicadas para imunodeprimidos e gestantes.1

Vacinação contra febre amarela


Segundo o pediatra, existe uma exceção nas indicações de vacinação em mães lactantes: a vacina da febre amarela. “Foram documentados no Brasil três casos de crianças menores de 6 meses que, após a mãe ser vacinada, acabaram adquirindo o vírus e um quadro leve de meningite decorrente do vírus da vacina da mãe”, disse.

O médico explica, no entanto, que são casos muito raros. Ao todo, apenas cinco foram registrados no mundo, mas mesmo assim houve uma mudança na recomendação para evitar a vacinação em mães que estiverem amamentando bebês com menos de seis meses.2

Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício/risco da vacinação.2

Vacinação contra sarampo e amamentação


O sarampo é uma doença que está reaparecendo pelo mundo e, em muitos países, as campanhas de vacinação estão atingindo também adultos. Jarovsky diz que esse tipo de vacina é de vírus vivo atenuado e, por isso, não é recomendado para gestantes.

No entanto, mães que estejam amamentando devem tomar a vacina, caso não estejam protegidas. “Existe o risco teórico de a vacina, de alguma maneira, infectar o feto, nem que seja de maneira leve. Como a gestante não pode tomá-la, assim que a criança nasce, a mãe deve ser imunizada, caso não tenha sido anteriormente, para que possa transferir o anticorpo via leite materno. Por isso, ela deve ser imunizada sempre que possível e assim que a criança nascer”, contou.
 

Mulher amamentando pode tomar a vacina contra gripe?


A vacina contra gripe em gestantes e lactantes é altamente recomendada, explica o médico. Segundo ele, estudos apontam que a vacinação contra a influenza (vírus que causa a gripe) durante a gestação protege a criança após o nascimento.

No entanto, essa é uma vacina sazonal e, caso não esteja na época, é recomendado tomá-la logo após o parto. “Há a recomendação de vacinação no puerpério, quando há maior risco de influenza grave”
 

COVID-19


A vacinação contra COVID-19 ainda é recente, mas análises já apontam para o efeito positivo da transmissão de anticorpos via leite materno.3 “Alguns estudos mostram que existem anticorpos no leite materno das mães que tiveram a doença na gestação, o que nos leva à interpretação de que com a vacinação funcione da mesma maneira. Novos estudos devem confirmar essa tese da vacinação, que é extremamente recente”, disse.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda a vacinação contra a COVID-19 para lactantes. A orientação segue o que preconiza a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se posiciona claramente ao afirmar que a vacinação deve ser oferecida para qualquer lactante que pertença a um grupo para o qual a vacinação seja recomendada.4
 

Vacinação salva vidas


Daniel Jarovsky reforça que, independentemente do tipo de vacinação, a imunização é fundamental para manter uma sociedade saudável. O médico não se refere apenas à vacina da COVID-19, mas a todas as vacinas do calendário nacional de imunização.

“Estamos passando por um momento crítico na história da humanidade. Além da COVID-19, estamos com taxas baixíssimas da cobertura vacinal, comparáveis à década de 1990. Ou seja, regredimos cerca de 25 anos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo”, disse.

O receio está relacionado à volta de doenças controladas, como a poliomielite.5 “Não podemos nos preocupar apenas com a COVID-19 e baixar a guarda para outras doenças infecciosas. O esforço é homérico. Toda a comunidade médica e a indústria farmacêutica estão trabalhando juntas para aumentar as coberturas vacinais, pois o objetivo é proteger aqueles que, por algum motivo, não podem se vacinar”.


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