Pode ser Fabry? Saiba mais sobre a doença e como fazer o diagnóstico diferencial

O que é a doença de Fabry?

A doença de Fabry é uma doença de depósito lisossômico ligada ao cromossomo X que afeta homens, mulheres e crianças de todas as etnias.1,2 Estima-se que a prevalência da doença de Fabry seja entre 1:40.000 em homens e 1:20.000 em mulheres.1

Fisiopatologia

Na doença de Fabry, mutações no gene GLA, localizado no cromossomo X, resultam em defeitos na síntese e/ou função da alfagalactosidase A (alfa-gal-A), enzima lisossômica que metaboliza a globotriaosilceramida (também conhecida como GL-3 ou Gb-3) e impede seu acúmulo. A deficiência total ou parcial de alfa-gal-A leva ao depósito progressivo de glicoesfingolipídeos, sobretudo GL-3, em lisossomos de vários tipos celulares.2

O acúmulo de GL-3 se inicia no período pré-natal, ou no útero, e continua ao longo da vida.3 Com o avanço da idade, o acúmulo lisossômico progressivo de GL-3 – em especial na microvasculatura – causa insuficiência renal, doenças cardíacas, AVC e morte prematura, geralmente na terceira ou quarta década de vida.1-3

Quem é afetado? Padrão genético

imag 1 mobile

Por estar ligada ao cromossomo X, a alteração genética que causa a doença de Fabry pode ser transmitida por homens e mulheres.2

icone homens
Homens


Os homens têm 100% de chance de transmitir o gene alterado às suas filhas e 0% de chance de transmiti-lo aos filhos, enquanto as mulheres com doença de Fabry têm 50% de chance de transmitir o gene alterado para cada filha e filho, independentemente do gênero.2

icone mulheres
Mulheres


Mulheres com o gene GLA alterado desenvolvem Fabry, porém as manifestações podem ser bastante variáveis, devido à inativação do cromossomo X específica de órgão e tecido.2

icone familia

Família


Devido ao padrão genético da doença, a cada paciente diagnosticado, podem-se identificar, em média, mais 15 membros da família afetados a partir da triagem familiar.4

A importância do diagnóstico precoce

A doença de Fabry não apresenta sintomas específicos, demonstrando semelhança com outras patologias.Por isso, é comum a demora no diagnóstico final.A doença de Fabry pode ser confundida e diagnosticada como:
  • Artrite reumatoide ou juvenil; 2,4 
  • Febre reumática; 2,4
  • Síndrome de Raynaud; 2,4 
  • Neurose; 2,4 
  • Lúpus; 2,4
  • Apendicite aguda; 2,4 
  • Esclerose múltipla.2,4 
Quando diagnosticado precocemente, o paciente tem a possibilidade de tratamento e acompanhamento adequados e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida.2

Em alguns casos mais avançados, o paciente pode até não se beneficiar tanto com a terapia por possíveis complicações irreversíveis, mas terá informações sobre a sua doença e a possibilidade de diagnóstico para outros familiares, muitas vezes precoce, evitando complicações graves.


Conforme a doença de Fabry progride, podem ocorrer declínio da função renal e cardiomiopatia hipertrófica (CMH), havendo risco de desenvolvimento de complicações fatais, como:

  • Doença renal em estágio terminal (DRET); 2
  • Acidente vascular cerebral (AVC); 2
  • Fibrose cardíaca; 2
  • Arritmias;2
  • Morte prematura.2

Os sinais e sintomas apresentam variações de acordo com a fase da vida em que o paciente se encontra.Devido à manifestação clínica heterogênea da doença, é possível um paciente ter doença de Fabry e estar assintomático.2 Nesse caso, é fundamental o acompanhamento médico, pois o acúmulo de substratos da doença ocorre silenciosamente e contribui para danos irreversíveis e de longo prazo em órgãos e tecidos.

Como diagnosticar


icone homens

Homens

Para os homens, o diagnóstico é feito pela análise da atividade da enzima alfa-gal-A em amostras de sangue. Se o ensaio enzimático de alfa-GAL revelar atividade enzimática abaixo do valor de referência, o paciente tem doença de Fabry.É importante ressaltar que com essa identificação, o ideal é que a amostra de sangue seja encaminhada para teste de DNA para identificação da alteração genética do paciente.2

icone mulheres

Mulheres

Para as mulheres, é necessário realizar o teste de DNA diretamente, com amostra de sangue ou saliva.2 Isso porque os níveis da enzima alfa-GAL podem ser baixos ou quase normais em mulheres.

icone familia

Histórico familiar

Em razão do padrão genético da doença, o diagnóstico de qualquer paciente com Fabry deve ser seguido da análise da história familiar e construção de heredograma, visando a triagem de outros familiares em risco.1,2 O histórico familiar positivo é um forte indicador da doença, entretanto há relatos de mutações espontâneas ou novas.1,2 


Seta 04

Assintomáticos

Para os casos de pacientes assintomáticos, o processo de diagnóstico é o mesmo, mas é essencial monitorar a progressão da doença a fim de garantir que o paciente receba o manejo adequado.2


O biomarcador Lyso-Gb3 somado à medição da atividade enzimática pode ser uma ferramenta de diagnóstico.Além disso, os níveis de Lyso-Gb3 no corpo são um importante marcador da gravidade e progressão da doença, sendo um exame bastante útil no monitoramento e estadiamento da doença, inclusive para determinar o início e avaliar a resposta ao tratamento.2,3


A doença de Fabry possui manifestação clínica heterogênea, as quais são observadas desde em pacientes assintomáticos até nos gravemente afetados.2


O impacto da doença de Fabry nos demais órgãos 

Manejo e tratamento

A doença de Fabry não tem cura, mas, apesar de grave, tem tratamento que, quando iniciado precocemente, possibilita melhor qualidade de vida.2 Atualmente, uma opção é a TRE (terapia de reposição enzimática).2,49 Ela é feita por meio de uma infusão sanguínea e o objetivo é repor a falta completa ou parcial da enzima, independente de qual mutação levou à doença de Fabry.2,49,50

 

O tratamento engloba uma abordagem multidisciplinar2,4 que pode incluir:

  • Geneticista;
  • Conselheiro genético;
  • Nefrologista;
  • Neurologista;
  • Cardiologista;
  • Outros profissionais de saúde.

 

icone estetoscopio 
É importante que cada especialista monitore os pacientes com doença de Fabry quanto à emergência de novos sintomas, bem como a triagem dos sintomas existentes.



Para continuar lendo confirme que você é um profissional da saúde.