As vacinas são uma invenção relativamente recente na história e provocaram uma mudança na qualidade de vida de maneira tão significativa, que acabou controlando doenças que assombraram o mundo em séculos anteriores, como tuberculose, varíola, gripe e sarampo.1

Hoje, somos imunizados já nas primeiras horas de vida e, o que começou como uma prática quase amadora, na atualidade, conta com o que há de mais moderno na ciência e nos possibilita combater vírus e bactérias diferentes em uma mesma picada.2

Como surgiu a primeira vacina?


A primeira vacina surgiu no século 18, em uma tentativa de frear o avanço da varíola. Apesar de ser uma doença milenar, surtos da doença foram apontados como fatores prejudiciais ao desenvolvimento da Europa e por dizimar populações nativas nas Américas.3

A proliferação da doença foi o fator essencial para o surgimento da primeira vacina. O médico inglês Edward Jenner, utilizando os conhecimentos da época, percebeu que pessoas infectadas com o vírus vaccinia (varíola bovina), ficavam imunes e tinham sintomas mais leves do que os infectados com a varíola humana. Foi então que começou a inoculação de vírus vivo em pessoas saudáveis para o surgimento de anticorpos. Foi o início rudimentar da vacina que conhecemos hoje.3


Avanço tecnológico


Entre as tecnologias mais modernas em imunização hoje em dia, sem dúvida, temos as vacinas combinadas. Como vimos, a primeira vacina aplicada foi contra a varíola e, com o passar dos anos, os cientistas começaram a desenvolver os imunizantes para as doenças mais perigosas de suas épocas. 

Ainda nos anos 1930, foi criada a vacina tríplice bacteriana (DTP), contra tétano, difteria e coqueluche. Ou seja, foi possível combater três doenças com uma vacina dose única. Esse foi um grande avanço para a ciência na época, mas demorou mais algumas décadas para surgir a versão viral da tríplice. Ela veio no ano de 1971, quando o microbiologista americano Maurice Hilleman elaborou uma fórmula com vírus atenuados capaz de imunizar contra três tipos de infecções virais graves: caxumba, rubéola e sarampo.1

Com esse conhecimento acumulado pela sociedade científica ao longo dos anos, foi possível desenvolver vacinas inovadoras com dose única contra várias doenças. Com essa tecnologia, o estresse no bebê poderia ser menor, já que passariam por menos picadas.1

Em 2013, o Sistema Único de Saúde começou a aplicar a vacina tetraviral. Além de combater o sarampo, caxumba e rubéola, esse imunizante também combate a varicela (catapora).4

Um ano antes, em 2012, o calendário nacional de vacinação adotou a vacina pentavalente. A vacina pentavalente garante a proteção contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria Haemophilus influenzae tipo b, responsável por infecções no nariz, meninge e na garganta.5

A vacina DPT (contra difteria, tétano e coqueluche) foi, assim, sendo substituída progressivamente pelas vacinas tetravalente, pentavalente e, mais recentemente, no CRIE para prematuros extremos, pela vacina hexavalente, que incorpora as vacinas contra doenças causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b, inativada contra poliomielite e hepatite B.6



Vacina combinada: menos estresse para o bebê

Até bem pouco tempo atrás, para o bebê completar o esquema básico de vacinação, o esquema de vacina era em 3 doses, com imunizantes diferentes. Mas isso mudou com as vacinas combinadas.6

É muito comum as crianças terem que tomar muitas vacinas, principalmente nos primeiros anos de vida. Depende da participação dos pais o controle vacinal, pois a atualização e manutenção periódica da carteira de vacinação são fundamentais para proteção do organismo e a prevenção de doenças. Mas, apesar de trazerem muitos benefícios, as vacinas são muitas, o que acaba trazendo mais estresse para o bebê e para a família.7

Com o intuito de diminuir o número de injeções em um mesmo momento, foram desenvolvidas as vacinas combinadas, ou seja, uma vacina dose única, com reforços posteriores, contra mais de uma doença. Produtos que, numa única apresentação, contêm um número maior de antígenos capazes de estimular a resposta imunológica contra mais de um agente infeccioso, vírus ou bactéria.7

Mas é importante lembrar que, mesmo que sejam reduzidas as picadas, algumas vacinas combinadas necessitam, sim, de doses de reforço.7

O uso das vacinas combinadas traz benefícios como a facilidade de administração, diminuição da dor de vacina em bebês, assim como o medo das crianças. Diminui ainda o número de idas aos serviços de saúde, contribuindo para o alcance de elevadas coberturas vacinais.7 Devido a essas vantagens, a maioria dos países prefere utilizar vacinas combinadas e muitos têm aprovado sua introdução.7

Outro aspecto importante é a redução dos custos dos imunobiológicos, bem como da logística operacional (armazenamento, transporte, seringas e agulhas).7

Onde encontrar a vacina hexavalente?


A vacina hexavalente acelular também está disponível, desde 2021, para prematuros extremos no CRIE,7 além de poder ser adquirida em clínicas particulares. 

O Plano Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza para toda a população as vacinas contra doenças que a vacina hexavalente protege.

O CRIE foi implantado em 1993 com o objetivo de facilitar o acesso da população, de maneira gratuita, a produtos especiais, de alta tecnologia e de alto custo, adquiridos pelo PNI.7

Encontre o CRIE mais próximo de você


O CRIE oferece vacina gratuita para um perfil específico de bebês prematuros e outros públicos. As unidades atendem de forma personalizada o público que necessita de produtos especiais, de alta tecnologia e alto custo adquiridos pelo PNI. Porém, para fazer uso desses imunobiológicos, é necessário apresentar a prescrição com indicação médica (com CID10) e relatório clínico do seu caso (em receituário ou outro documento, cópia de resultado de exame que comprove o laudo, se for o caso).8

Nos municípios onde não há CRIE, basta procurar a Secretaria Municipal de Saúde – Programa Municipal.8

Confira aqui os endereços dos CRIEs, segundo o Ministério da Saúde.9

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