Bom, o surgimento de uma variante do já conhecido coronavírus em 2019 nos deu um pouco de noção de como a vacinação é fundamental para a proteção de todos os seres humanos.10

As epidemias, ou pandemias, quando ocorrem em escalas globais, podem surgir de diversas formas, seja por vírus, como o SARS-COV-2, que causa a COVID-19,10 ou bactérias, como ocorreu com a peste bubônica, ainda no século 14. A doença levou à morte cerca de um quarto da população europeia, onde se concentrava boa parte da população global na época.1
 
Mas nosso assunto são doenças bem mais presentes e outras que, felizmente, foram controladas nas últimas décadas graças à vacinação. Com a humanidade se locomovendo cada vez mais entre os cinco continentes, as doenças transmissíveis viraram foco de preocupação da comunidade médica, o que fez surgir a epidemiologia.

A história da vacinação no Brasil, sempre viveu de altos e baixos, relembra o especialista Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações. Criadas como política governamental ainda no tempo imperial, as vacinações compulsórias motivaram revoltas populares, mas década após década, o Brasil foi ganhando espaço como um dos países mais preparados para campanhas vacinais. Vamos conhecer essa história.

Conheça a história da vacinação no Brasil

Em 1837, no Brasil Império, foi estabelecida a imunização compulsória contra a varíola nas crianças. No ano de 1846, foi criado o Instituto Vacínico do Império e, em 1900, foi criado o Instituto Soroterápico Federal, com o objetivo de fabricar soros e vacinas.2
Em 1903, o diretor-geral de saúde pública do Brasil, Oswaldo Cruz, estruturou a campanha contra a febre amarela em moldes militares, dividindo o Rio de Janeiro em dez distritos sanitários.

Em seguida, Oswaldo Cruz iniciou sua luta contra a peste bubônica. No ano seguinte, 1904, a vacinação e revacinação contra a varíola virou obrigatória, mas o processo gerou um movimento popular conhecido como Revolta da Vacina.

Em 1908, um novo surto de varíola e o reconhecimento internacional de Oswaldo Cruz fez a população aderir em massa à vacinação. Nas décadas seguintes, a ciência evoluiu consideravelmente e a população, por sua vez, passou a assimilar a importância das campanhas vacinais.2
O trabalho de Oswaldo Cruz e outros sanitaristas, como Carlos Chagas, fizeram o Brasil avançar significativamente no controle das doenças. Mas foi no ano 1960 que o país deu um salto nas mobilizações nacionais.

Em 1961, foi realizada a primeira campanha de vacina contra a poliomielite. No mesmo ano, o Instituto Oswaldo Cruz iniciou a técnica de diagnóstico laboratorial da doença.

No ano seguinte, foi feita a Campanha Nacional Contra a Varíola, com vacinação em diversos estados. Ainda em 1962, foi feito o primeiro ensaio para a administração da vacina BCG Intradérmica no Brasil.

Em 1966, foi criada a Campanha de Erradicação da Varíola. Quase 200 anos após a catalogação da primeira vacina contra a doença.2
O Brasil criou, em 1971, o Plano Nacional de Controle da Poliomielite. Em 1975, realizou a Campanha Nacional Contra a Meningite Meningocócica  e, em 1977, criou a caderneta de vacinação, mesmo ano em que o mundo viu os últimos casos de varíola. Foi também em 1977 que o Brasil definiu as vacinas obrigatórias para menores de 1 ano.2
Foi criado, em 1981, o Plano de Ação Contra o Sarampo. Em 1984, o governo utilizou a estratégia de multivacinação com a aplicação seletiva das vacinas DPT e contra o sarampo. O mesmo ocorreu com o Dia D da vacina contra poliomielite.

Em 1986, nasceu o personagem Zé Gotinha, um símbolo da vacinação infantil e incentivo para as crianças irem acompanhadas pelos pais aos postos de vacinação. Por fim, em 1989, a poliomielite tornou-se uma doença eliminada pela vacina no Brasil.2
Em 1991, a preocupação foi com a vacina contra o tétano em gestantes, com o Plano de Eliminação do Tétano Neonatal e vacinação de mulheres em idade fértil nos municípios de risco. 

No ano seguinte, foi colocado em ação o Plano Nacional de Eliminação do Sarampo, com campanhas nacionais. A doença, no entanto, ainda não foi eliminada no país.

Em 1997 foi implantada a vacina contra a rubéola no pós-parto. No ano seguinte, foi implantada a vacina contra Haemophilus influenzae tipo B para menores de 1 ano.2

No ano de 1998, foi realizada a substituição da vacina isolada contra o tétano pela vacina dupla bacteriana, tipo adulto (dT), contendo também o toxoide diftérico.3

Em 1999, o Brasil realizou a Campanha Nacional Contra a Gripe  na população acima de 65 anos e incorporou a vacina contra a febre amarela no calendário, além de incluir a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib).3
O novo milênio começou com a introdução da vacina tetravalente no calendário (difteria, tétano, coqueluche e Hib), no ano de 2002. Em 2006, foi introduzida no calendário a vacina contra o rotavírus e constatada a eliminação do tétano neonatal como problema de saúde pública no Brasil.3

Em 2008, o Brasil realizou a Campanha Nacional de Vacinação para Eliminação da Rubéola. Três anos depois, a vacinação contra Influenza passou a abranger também os indígenas, gestantes, crianças de 6 meses a 2 anos e trabalhadores da saúde, além dos idosos.3
No ano de 2012, o calendário passou a incluir a vacina pentavalente (DTP, Hib e hepatite B) e a VIP (pólio com vírus inativado). No ano seguinte, a varicela (catapora) foi incluída na vacina tetra viral (tríplice viral + varicela).3

Já em 2014, outras três vacinas foram introduzidas no calendário: a contra a hepatite A para crianças até 15 meses, a contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) para meninas de 9 a 13 anos e a dTpa (tétano, difteria e coqueluche acelular) para gestantes.3

Em 2018, a vacina contra o HPV foi ampliada para meninos de 11 a 15 anos.3
 
Em 2020, o Ministério da Saúde passou a recomendar uma segunda dose da vacina contra a febre amarela para crianças de 4 anos.4 Já a vacina contra a influenza passou a ser indicada para adultos a partir dos 55 anos, e não apenas após os 65.

Por fim, foi incluída a meningocócica ACWY conjugada, que substituiu o reforço da meningocócica C para os adolescentes de 11 e 12 anos de idade, e previne os quatro sorogrupos de meningite bacteriana: A, C, W e Y.6

Em 2021, o grupo prioritário entre os idosos para a vacina da gripe mudou novamente, passando agora a ser a partir dos 60 anos.7

Ainda em 2021, o Ministério da Saúde anunciou a aquisição de doses da vacina hexavalente acelular (contra difteria, tétano, pertussis acelular, inativada contra a poliomielite [VIP], Haemophilus influenzae tipo b e Hepatite B recombinante) em substituição à vacina DTPa para ser utilizada nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs) para prematuros extremos e grupos especiais.8

Segundo Juarez, são anos de luta para eliminar uma doença de determinada comunidade, mas o tempo para que ela retorne é expressivamente menor. “Levamos quase 50 anos para eliminar o sarampo e, rapidamente, com baixas coberturas vacinais, tivemos essa volta. A coqueluche é uma doença que está controlada e, sim, pode voltar se as coberturas continuarem baixas como estão. O mesmo ocorre com a rubéola e a pólio, que são doenças erradicadas no Brasil e podem voltar, já que existem de forma endêmica em países como Afeganistão e Paquistão”, disse.

Fique por dentro das vacinas que seu filho precisa tomar

Todos os anos o PNI (Programa Nacional de Imunizações), que disponibiliza a vacinação gratuita para toda a população, divulga o calendário vacinal atualizado para todas as idades.9

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