O nascimento prematuro de um bebê pode ser motivo de muita preocupação. Mesmo com os avanços da medicina, é preciso muito cuidado no tratamento dessas crianças e se atentar ao processo de imunização, que é diferente do que é praticado com crianças nascidas no tempo esperado.1

Muitos pais são pegos de surpresa e se perguntam onde é possível vacinar o bebê prematuro. Um dos grandes aliados quando falamos em vacinas para bebês prematuros é o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), um serviço gratuito constituído de infraestrutura e logística específicas, destinado ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais, ou seja, que possuem contraindicação à utilização dos imunobiológicos disponíveis no SUS, indivíduos imunocompetentes e imunodeprimidos, e aqueles que apresentam outras condições de risco e outros grupos especiais.2

Os CRIEs foram criados em 1993, justamente com o objetivo de beneficiar uma parcela especial da população brasileira que, por motivos biológicos, necessita de outros imunobiológicos especiais, tais como bebês prematuros, pessoas portadoras de imunodeficiência congênita, infectados pelo HIV, portadores de doenças neurológicas, cardiopatas, pneumopatas, doenças hematológicas, dentre outros. Além disso, o centro apoia a investigação de casos suspeitos de eventos adversos pós-vacinação.3

Imunobiológicos especiais


O Plano Nacional de Imunização é considerado uma política pública eficiente, reconhecida nacional e internacionalmente e fortalecida por seguir os princípios básicos de universalidade e equidade do Sistema Único de Saúde (SUS). A universalidade da atenção é garantida pela oferta de 45 imunobiológicos para todos os grupos selecionados.4

A existência dos CRIEs é fundamental para a vacinação gratuita de bebês prematuros, que acabam sendo mais suscetíveis a infecções. Lilian Sadeck, pediatra neonatologista e membro da Diretoria Executiva da Sociedade de Pediatria de São Paulo, explica que os bebês que nascem prematuros acabam não recebendo os anticorpos da mãe que iriam protegê-lo contra várias infecções. “Esses anticorpos passam da mãe para o feto a partir da 30ª ou 32ª semana e vão aumentando progressivamente. Então, aqueles que nascem antes das 34 semanas já nascem com quantidade menor de anticorpos protetores”.

A especialista explica que existe uma diferença tecnológica em vacina para bebê prematuro. “As vacinas dadas em unidades básicas de saúde para bebês de termo são vacinas combinadas de células inteiras. Essas podem, por exemplo, causar reação no bebê prematuro, especialmente aqueles abaixo das 31 semanas ou menos de 1 kg. Então, para essas crianças, especificamente, recomendamos vacinas combinadas acelulares”, explicou.

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Vacinas disponibilizadas no CRIE e nas maternidades para prematuros


Com o aumento da eficiência das unidades de terapia intensiva neonatal, há um número crescente de bebês prematuros de idade gestacional menor que 31 semanas sobrevivendo e necessitando de maiores cuidados em sua imunização. Assim, alguns imunobiológicos podem ser administrados na própria unidade.4

Conheça os imunobiológicos especiais indicados para prematuros e em quais situações aplicar:


Imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB)

A imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB) deve ser aplicada preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida para recém-nascido de qualquer peso ou idade gestacional, filhos de mães AgHBs positivas.4


Imunoglobulina humana antivaricela-zoster (IGHAVZ)

Para bebê cuja mãe tenha apresentado quadro clínico de varicela de cinco dias antes até dois dias depois do parto; para prematuros nascidos entre 28 semanas e 36 semanas de gestação expostos à varicela, quando a mãe tiver história negativa para varicela; vacina para bebê prematuro nascido com menos de 28 semanas de gestação ou com menos de 1 kg de peso expostos à varicela, independentemente da história materna de varicela.4


Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT)

Vacina para bebê prematuro que apresenta situação de risco para tétano e cujas mães sejam desconhecidas ou com história vacinal desconhecida ou que não tenham história vacinal que garanta proteção contra o tétano neonatal e para prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas, independentemente da história vacinal da mãe.4


Outras situações

As vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI) poderão ser aplicadas na unidade neonatal se o recém-nascido atingir a idade cronológica apropriada para a vacinação, segundo o Calendário Nacional de Imunizações.4

Constitui exceção a vacina rotavírus atenuada. A vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis acelular (DTPa), a vacina Haemophilus influenzae tipo b (Hib), a vacina hepatite B recombinante (HB) e a vacina poliomielite inativada (VIP) deverão ser usadas preferencialmente para essas crianças ainda internadas na unidade neonatal, voltando ao esquema habitual do Plano Nacional de Imunização após a alta.4


Vacina para prematuro ou bebê com pouco peso


A idade gestacional ou o peso de nascimento não são, isoladamente, indicativos de tolerância ou resposta imunológica adequada à vacinação. Espera-se menor resposta imunológica em crianças nascidas com menos de 1,5 kg ou 29 semanas de gestação, mas a maioria dos prematuros produz resposta suficiente para proteção contra as doenças. Crianças nascidas com menos de 1 kg podem apresentar mais episódios de apneia quando vacinadas com vacina adsorvida difteria, tétano e pertússis (DTP), mas isso acontece com menor frequência com a administração de vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis acelular (DTPa).4

O uso simultâneo de múltiplas doses injetáveis também pode associar-se à apneia, devendo-se dar preferência à administração de menor número de injeções em cada visita.4

Em crianças nascidas com menos de 1 kg ou menos de 31 semanas de gestação (prematuro extremo), a primeira dose pode ser feita a partir de dois meses de idade, como segue:

1. DTP acelular, de preferência isoladamente e, posteriormente, Hib, HB.4
2. VIP.4

As demais doses devem ser preferencialmente feitas com a vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis acelular, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b e VIP na rotina conforme a idade.4

Em crianças nascidas com menos de 2 Kg ou 33 semanas de idade gestacional, administrar pelo menos quatro doses de vacina hepatite B recombinante. O atual esquema de vacinação contra a hepatite B já inclui quatro doses para todas as crianças (uma HB monovalente e três penta), não sendo necessário o acréscimo de mais doses.4


Diferença entre as vacinas


As vacinas bacterianas podem ser constituídas por células inteiras inativadas ou por subunidades que se caracterizam por estruturas que fazem parte da célula bacteriana. Elas são conhecidas como vacinas de célula inteira (inativadas) e vacinas acelulares.5

Entre as principais vacinas infantis, existem várias combinações como DTPa, DTP, pentavalente wcP, pentavalente acP e hexavalente acp.6-9


DTP (SUS)6

Vacina de células inteiras da Bordetella pertussis, agente causador da coqueluche, combinadas a toxinas bacterianas inativas (toxoides) do tétano e da difteria.5


DTPa (particular8 e CRIE9)

Vacina constituída de partes altamente purificadas da Bordetella pertussis, combinada aos toxoides tetânico e diftérico. Indicada para crianças menores de 7 anos, que apresentaram eventos adversos que contraindicam outra dose da vacina DTP de células inteiras (tríplice bacteriana).7,13


Pentavalente (SUS)4

Oferece proteção contra difteria, tétano, pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b.10

Pentavalente acelular (particular8 e CRIE9)

A versão acelular segue os mesmos parâmetros da DPA, com partes purificadas da Bordetella pertussis. Nesse caso, a imunização é contra difteria, tétano, coqueluche (acelular), Haemophilus influenzae tipo B e poliomielite (inativada).11


Hexavalente acelular (CRIE)

Inclui a tríplice bacteriana acelular (DTPa), a poliomielite inativada (VIP), a hepatite B (HB) e a Haemophilus influenzae tipo b (Hib).12


Encontre o CRIE mais próximo de você


Os CRIEs oferecem vacina gratuita para prematuros e outros públicos. As unidades atendem de forma personalizada o público que necessita de produtos especiais, de alta tecnologia e alto custo, adquiridos pelo PNI. Porém, para fazer uso desses imunobiológicos, é necessário apresentar a prescrição com indicação médica (com CID10) e relatório clínico do seu caso (em receituário ou outro documento, cópia de resultado de exame que comprove o laudo, se for o caso).2

Nos municípios onde não há CRIE, basta procurar a Secretaria Municipal de Saúde – Programa Municipal.2

Confira aqui os endereços dos CRIEs, segundo o Ministério da Saúde.14

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