O nascimento prematuro de um bebê pode ser motivo de muita preocupação e, quando o assunto é imunização, é preciso uma atenção especial, já que dependendo do período gestacional em que se dá o nascimento, a criança acaba vindo ao mundo sem os anticorpos da mãe, que a protegeriam contra várias infecções.1

“Esses anticorpos passam da mãe para o feto a partir da 30ª, 32ª semana e vai aumentando progressivamente. Então, aqueles que nascem antes das 34 semanas já nascem com quantidade menor de anticorpos protetores”, explica a pediatra neonatologista Lilian Sadeck.

A especialista fala que bebês que nascem prematuros acabam sendo mais suscetíveis a infecções. Muitas vezes, eles não conseguem receber o aleitamento materno como deveriam, o que pode complicar ainda mais, pois pelo leite materno existe a passagem de vários anticorpos. “Eles terão um calendário de vacina especial para prematuros, mas que é muito semelhante ao dos recém-nascidos de termo, como são chamados os bebês que nascem no período esperado. Eles recebem a primeira vacina contra a hepatite B logo após o nascimento. Mas para a BCG, que é contra a tuberculose, deve-se aguardar até que atinjam o peso de 2 quilos”, disse a pediatra.

Lilian explica que existe uma diferença tecnológica em vacinas para recém-nascidos prematuros. “As vacinas dadas em Unidades Básicas de Saúde para bebês de termo são combinadas de células inteiras. Essas podem, por exemplo, causar muita reação no bebê prematuro, especialmente aqueles abaixo das 31 semanas ou menos de 1 kg. Então, para essas crianças especificamente, recomendamos vacinas combinadas acelulares”.

Como devo proteger o meu filho?


As vacinas contra meningite, pneumonia, coqueluche, hepatite B, rotavírus, gripe e as demais do primeiro ano de vida devem ser aplicadas segundo a idade cronológica da criança, independentemente de seu peso ou idade gestacional. A prevenção das infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR) também é fundamental, pois esse agente é o principal responsável pelas infecções pulmonares de crianças, em especial bebês e prematuros, com quadros de pneumonias e bronquiolite associadas a ele.1

As vacinas para recém-nascidos podem ser adquiridas na rede particular ou pública, via Unidade Básica de Saúde (UBS) e, dependendo do imunizante, nas unidades do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), uma rede destinada ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais, ou seja, que possuem contraindicação à utilização dos imunobiológicos disponíveis na rede pública.2
DASCM-579-infografico-icone-calendarioCalendário de vacinação do bebê prematuro3

Segundo o calendário de vacina especial para prematuros da Sociedade Brasileira de Imunizações, o bebê prematuro deve tomar as seguintes vacinas:

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BCG ID

• Dose única no nascimento. Se tiver menos de 2 Kg, adiar a vacinação até que atinja peso.

Anticorpo monoclonal específico contra o VSR (palivizumabe):

• São recomendadas doses mensais consecutivas e nos meses de circulação do vírus, até o máximo de cinco aplicações. Seguindo as indicações:

1. Prematuros até 28 semanas gestacionais, no primeiro ano de vida;
2. Prematuros até 32 semanas gestacionais, nos primeiros seis meses de vida;
3. Bebês com doença pulmonar crônica da prematuridade e/ou cardiopatia congênita, até o segundo ano de vida, desde que esteja em tratamento destas condições nos últimos seis meses.

Hepatite B

• Obrigatoriamente quatro doses (esquema 0 - 2 - 4 - 6 meses ou 0 - 1 - 2 - 6 meses) em bebês nascidos com peso inferior a 2 Kg ou idade gestacional menor que 33 semanas, sendo a primeira dose nas primeiras 12 horas de vida.

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Rotavírus

• Na idade cronológica, iniciando aos 2 meses de vida, respeitando-se a idade limite máxima de aplicação da primeira dose de 3 meses e 15 dias.

• Vacina de vírus vivo atenuado, oral, e, portanto, contraindicada em ambiente hospitalar.

Tríplice bacteriana (difteria, tétano, coqueluche)/penta e hexa acelular

• Na idade cronológica, iniciando aos 2 meses de vida.

• Para bebês prematuros, hospitalizados ou não, preferencialmente vacinas acelulares, porque reduzem o risco de eventos adversos. As vacinas penta acelular e hexa acelular estão disponíveis nos CRIEs para RN prematuro extremo (menor de 1 kg ou de 31 semanas) em UTI neonatal.

Haemophilus influenzae tipo B (disponível na penta e hexavalente)

• Na idade cronológica, iniciando aos 2 meses de vida. Reforço aos 15 meses de vida.

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Poliomielite inativada (VIP) (disponível na penta e hexavalente)

• Na idade cronológica, iniciando aos 2 meses de vida.

Pneumocócica conjugada

• Na idade cronológica, iniciando aos 2 meses de vida.

Meningocócicas conjugadas ACWY/C

• Na idade cronológica, iniciando aos 3 meses de vida.

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Meningocócicas B

• De acordo com a idade cronológica. Crianças entre 3 e 12 meses recebem duas doses com intervalo de dois meses entre elas, idealmente aos 3 e 5 meses de idade, e uma dose de reforço entre 12 e 15 meses de idade (esquema 2 + 1).

Influenza

• Na idade cronológica, iniciando a partir dos 6 meses de vida, de acordo com a sazonalidade do vírus.

Febre amarela

• Na idade cronológica, aos 9 meses e aos 4 anos de idade.

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Imunoglobulina humana anti-hepatite B (IGHAHB)

• Para recém-nascidos de mães portadoras do vírus da hepatite B.

Imunoglobulina humana antivaricela zóster (IGHVZ)

• Para prematuros prematuros nascidos entre 28 e 36 semanas de gestação expostos à varicela, quando a mãe tiver história negativa para varicela.

• Para prematuros nascidos com menos de 28 semanas de gestação ou com menos de 1 kg de peso e expostos à varicela, independente da história materna de varicela.

• A dose é aplicada em até 96 horas de vida do recém-nascido.

Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT)

• Recomendada para recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas, independentemente da história vacinal da mãe.

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Diferença entre tecnologias aplicadas nas vacinas


As vacinas bacterianas podem ser constituídas por células inteiras inativadas ou por subunidades que se caracterizam por estruturas que fazem parte da célula bacteriana. Elas são conhecidas como vacinas de célula inteira (inativadas) e vacinas acelulares.4

Entre as principais vacinas para recém-nascidos e crianças, existem várias combinações como DTPa, DTP, pentavalente wcP, pentavalente acP e hexavalente acp.

DTP (SUS)5

– Vacina de células inteiras da Bordetella pertussis, agente causador da coqueluche, combinada com toxinas bacterianas inativas (toxóides) do tétano e da difteria.6

DTPa (particular7 e CRIE8

– Vacina constituída de partes altamente purificadas da Bordetella pertussis, combinada com os toxóides tetânico e diftérico. Indicada para crianças menores de 7 anos que apresentaram eventos adversos que contraindicam outra dose da vacina DTP de células inteiras (tríplice bacteriana).6

Pentavalente (SUS5)

 – Oferece proteção contra difteria, tétano, pertussis, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b.9

Pentavalente acelular (Particular7 e CRIE8)

 – A versão acelular segue os mesmos parâmetros da DPA, com partes purificadas da Bordetella pertussis. Nesse caso, a imunização é contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo B e poliomielite.10

Hexavalente acelular (Particular7 e CRIE8)

 – Inclui a tríplice bacteriana acelular (DTPa), a poliomielite inativada (VIP), a hepatite B (HB) e a Haemophilus influenzae tipo b (Hib).11

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