Há quase 50 anos, o Brasil iniciava o que hoje conhecemos como Plano Nacional de Imunização (PNI). Ele veio após algumas décadas de combate à varíola, que só foi controlada graças à vacinação. Desde então, os recém-nascidos já têm contato com as primeiras doses de vacinas, em uma ação coletiva que ajudou nosso país a se livrar de algumas doenças graves que acometem, sobretudo, os pequenos.1

Segundo dados do PNI, em 1978, a cobertura vacinal no Brasil atingia apenas cerca de 40% das crianças e, em 1999, a cobertura em menores de 1 ano chegou próximo de 90%. Desde 1995, com a aplicação da vacina BCG entre as vacinas de rotina, o país vem alcançando níveis próximos a 100% de cobertura vacinal em menores de 1 ano contra as formas graves de tuberculose. De certa forma, a vacinação se incorporou à cultura do brasileiro.2

O Ministério da Saúde reforça, no entanto, que a imunização é de extrema importância para evitar óbitos e sequelas causadas por doenças imunopreveníveis, como surdez, cegueira, paralisia e problemas neurológicos.1

Quais são as primeiras vacinas do bebê?


Assim que o recém-nascido vem ao mundo, as vacinas já devem ser aplicadas para aumentar a imunização. Confira abaixo o calendário de vacinação do 1º ano do bebê:

Ao nascer


Uma das primeiras vacinas do bebê recém-nascido é contra hepatite B, geralmente até 12 horas após parto. Em seguida, vem a vacina BCG, para tuberculose, administrada até 1 mês de vida, mas a indicação é de que seja aplicada o mais cedo possível, assim que o bebê atinge 2 kg.3

Vacina aos 2 meses

 

Nessa etapa, o bebê recebe a segunda a dose da vacina contra hepatite B e a tríplice bacteriana (contra difteria, coqueluche e tétano), contra haemophilus influenzae tipo B e poliomielite (VIP). Dependendo do tipo de vacina, as imunizações podem ser aplicadas na mesma dose. É o caso das vacinas pentavalente e hexavalente.4

Com relação às vacinas dos 2 meses do bebê, os pais devem ficar atentos para a segunda dose no 4º mês e para a terceira dose, no 6º mês de vida.4

Ainda no 2º mês, é aplicada a vacina contra o rotavírus e pneumocócicas conjugadas. Dependendo da vacina utilizada, são necessárias duas ou três doses.
4

Vacinas do 3º mês


No mês três, toma-se as vacinas contra meningocócicas conjugadas e meningocócica B, essa última com segunda dose no 5º mês e reforço entre 12 e 15 meses de vida.4

6 meses


A vacina da influenza é administrada anualmente, de forma sazonal, iniciando a partir dos 6 meses de vida.4

9 meses


Com 9 meses, o bebê toma a vacina contra a febre amarela, que tem segunda dose aos 4 anos.4

Vacina ao completar 1 ano de vida


Completando 12 meses de vida, toma-se a vacina contra hepatite A (segunda dose aos 18 meses), tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com segunda dose dos 15º ao 24º mês e varicela (catapora), com segunda dose também do 15º ao 24º mês.4

Atente-se à vacina oral contra a poliomielite, ofertada nas datas nacionais de vacinação, mas que também está disponível na penta e na hexavalente.4



Essas são as primeiras vacinas para bebês não prematuros. Caso queira saber mais sobre a imunização em prematuros, confira um material especial que preparamos sobre o assunto em Calendário Vacinal de Prematuros e as Diferenças | Conecta.

Há ainda vacinas especiais, para condições clínicas específicas, aplicadas nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIEs).


Você conhece o CRIE?


O Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) é constituído de infraestrutura e logística específicas, destinado ao atendimento de indivíduos portadores de quadros clínicos especiais, ou seja, que possuem contraindicação à utilização dos imunobiológicos disponíveis no SUS, indivíduos imunocompetentes e imunodeprimidos, aqueles que apresentam outras condições de risco e outros grupos especiais.5

Os CRIEs atendem de forma personalizada o público que necessita de produtos especiais, de alta tecnologia e alto custo, que são adquiridos pelo PNI. Porém, para fazer uso desses imunobiológicos, é necessário apresentar a prescrição com indicação médica (com CID10) e relatório clínico do seu caso (em receituário ou outro documento, cópia de resultado de exame que comprove o laudo, se for o caso).6

Nos municípios onde não há CRIE, basta procurar a Secretaria Municipal de Saúde – Programa Municipal.6


A importância da vacinação


"Durante a pandemia, muitas famílias deixaram de levar seus filhos para a vacinação de rotina. Nessa etapa da vida, meninas e meninos recebem imunização contra, pelo menos, 17 doenças. Apenas em 2020, mais de 8 mil casos de sarampo foram registrados no Brasil. Com as baixas coberturas, o sarampo voltou. E se o sarampo voltou, o mesmo pode acontecer com outras doenças. Vacine suas crianças durante a pandemia!", alerta Cristina Albuquerque, médica e chefe de Saúde e Desenvolvimento Infantil do UNICEF no Brasil.7

A volta do sarampo vem com a queda da cobertura vacinal da tríplice viral que previne a doença, que passou de 96% em 2015 para cerca de 86% em 2017.7

Essa é uma daquelas vacinas que o bebê toma quando completa um ano de vida e está um pouco mais afastada das primeiras vacinas do bebê. É preciso muita atenção dos pais, pois outras vacinas importantes precisam ser aplicadas nessa idade, como a contra varicela (catapora) e hepatite A.4

A preocupação dos especialistas, no entanto, vai muito além do sarampo, já que doenças consideradas erradicadas no país, como a poliomielite, ainda existem em outras nações e podem voltar a circular por aqui, caso a cobertura vacinal não seja mantida. Por isso a importância de vacinar as crianças, recém-nascidas ou mais velhas.

“A população não tem percepção desse risco. Quando se fala de pólio, parece uma teoria muito distante e ninguém se preocupa com essa questão. A vacinação contra a poliomielite acontece como uma rotina na nossa sociedade. Mas, com o medo de sair de casa e a falta de comunicação eficiente, nossa cobertura também cai”, disse Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Caso alguma vacina esteja atrasada, a recomendação é procurar imediatamente o serviço de saúde para atualizar o calendário vacinal da criança e evitar, assim, a possibilidade de novos surtos.

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